Movimento dos trabalhadores rurais sem terra e o poder extraparlamentar: FINAPOP e a contradição capitalista
Data
2024-12-10
Autores
Sanches, Tales Leon Biazão
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Resumo
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo (FAO, 2022), é também um país marcado por profundas desigualdades na distribuição de terras produtivas. Essa condição histórica que, persiste desde a formação do Estado-nação até os dias atuais (IBGE, 2020), evidencia a manutenção das estruturas de poder e concentração de riqueza. Nesse contexto, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) surge em 1984 como ator social que tem como pauta principal a reforma agrária. Em 2020, o movimento aderiu ao mercado de capitais por meio da criação de um título de crédito, com o objetivo de financiar a estruturação de cooperativas vinculadas ao movimento. Essa estratégia motivou esta pesquisa, cujo objetivo geral é investigar os motivos e as implicações da criação de um fundo de investimento pelo MST no mercado de capitais, analisando se essa iniciativa representa uma estratégia de adesão às ferramentas do capital financeiro como forma de promover um modelo econômico alternativo ao sistema vigente, com foco na Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização Conquista (Copacon). Como posicionamento epistemológico e metodológico, adotou-se a Economia Política do Poder (Faria, 2004). Para alcançar os objetivos traçados, foram utilizados métodos qualitativos, incluindo levantamento bibliográfico, análise documental e entrevistas em profundidade. As entrevistas foram conduzidas entre os meses de março e abril de 2024 com sete atores integrantes do MST. Sendo, três representantes da cúpula nacional, dois representantes políticos do Assentamento Eli Vive e dois assentados vinculados diretamente à estrutura da COPACON. A partir de aproximações sucessivas, foi possível nomear as ‘práxis’ do MST ao longo de sua história, destacando o papel ativo do movimento na condução de suas estratégias e decisões. Durante as décadas de 2000 e 2010, observa-se que o movimento adotou a práxis estruturativa como seu principal modo de atuação, o que evidencia uma continuidade no trabalho do movimento ao longo da história, posicionando-o como um possível ator extraparlamentar do trabalho e ressaltando a necessidade de autonomia em relação ao Estado, algo que a organização tem buscado construir ao longo de sua trajetória. Por fim, é necessário destacar que o MST é agente vivo em um mundo gerido pelas contradições em um sistema capitalista, e o que se pode confirmar até esse momento da história é que a criação do fundo de investimento tem como objetivo a construção de autonomia, a fim de se transformar em uma ferramenta importante na construção de modelo alternativo ao sistema econômico vigente. Este trabalho reconhece suas limitações, especialmente no que se refere à construção teórica a partir de uma análise materialista histórica dialética. Além disso, categorias importantes, como ‘hegemonia’, ‘processos de trabalho no campo’ e ‘cooperativismo e contra-hegemonia’, não foram plenamente exploradas, abrindo espaço para investigações em pesquisas futuras.
Descrição
Palavras-chave
Reforma agrária, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Economia política, Agente extraparlamentar, Mercado de Capitais