02 - Mestrado - Ciências Biológicas
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Item Exposições orais de abelhas Scaptotrigona postica ao geraniol e nanogeraniol: mortalidade, estresse oxidativo e comportamento(2025-03-26) Tavares, Isabela Toninato; Sofia, Silvia Helena; Martinez, Claudia Bueno dos Reis; Potrich, Michele; Santos, Caroline; Alvim, Tiago TomiamaAs abelhas são polinizadores essenciais para a manutenção da biodiversidade, porém, as atividades antrópicas, especialmente o uso de agrotóxicos, impactam esses organismos não-alvo. Nesse contexto, os agrotóxicos nanoencapsulados surgem como uma alternativa mais segura, pois permitem a liberação controlada de seus compostos. O geraniol, um óleo essencial com ação inseticida e fungicida, tem surgido como alternativa aos agrotóxicos sintéticos, sendo necessário avaliar seus efeitos em organismos não-alvo. O presente estudo visou avaliar a toxicidade de exposições agudas (24 e 72 h) do geraniol na sua forma livre e nanoencapsulada em operárias campeiras de Scaptotrigona postica (Apidae, Meliponini). As abelhas foram submetidas à exposição oral em cinco diferentes tratamentos (na concentração de 5 mg.mL⁻¹): geraniol nanoencapsulado (NANO), geraniol livre (GER), nanocápsulas de zeína sem o composto ativo (ZEI), tensoativo Pluronic F-68® (PLU) e o grupo controle, somente com a alimentação padrão (CTR). Os efeitos dos tratamentos foram avaliados sobre a mortalidade, biomarcadores relacionados ao comportamento destes insetos, e biomarcadores de estresse oxidativo. Abelhas operárias adultas foram coletadas na entrada de cinco colônias de S. postica e distribuídas em recipientes plásticos (500 mL), com cerca de 14 indivíduos por unidade amostral. Após a exposição aos tratamentos, a mortalidade foi avaliada em 24 e 72h. As abelhas sobreviventes foram transferidas para uma placa de Petri, onde seu comportamento foi registrado e posteriormente analisado pelo software Ethoflow, considerando distância percorrida, velocidade média, tempo de descanso, número de paradas e locomoção sinuosa. As análises bioquímicas foram executadas utilizando o tecido do abdômen dessas abelhas para realizar a avaliação da lipoperoxidação (LPO), análise da concentração de glutationa (GSH), a atividade da glutationa-S-transferase (GST) e a atividade da catalase (CAT). Os resultados obtidos indicam que as exposições agudas orais realizadas não resultaram em alterações significativas na mortalidade, ou nos comportamentos locomotores desta espécie. Entretanto, foram observados efeitos subletais, incluindo a redução da atividade da GST após 72h em todos os tratamentos em comparação com o grupo CTR. Além disso, os níveis de GSH diminuíram tanto em 24h quanto em 72h. Em 24h, essa redução foi significativa no grupo PLU em relação ao CTR e NANO, enquanto em 72h a diminuição foi observada nos grupos PLU, GER e NANO em comparação ao CTR. Porém, a ausência de efeitos significativos na ocorrência de LPO e na atividade da CAT sugere que essas alterações representam uma resposta inicial ao estresse oxidativo, sem causar um desbalanço crítico na homeostase celular. Os resultados deste estudo destacam a relevância de investigar os impactos de agrotóxicos naturais e suas formulações nanoencapsuladas em abelhas nativas, auxiliando em uma avaliação mais abrangente da segurança ambiental dessas substânciasItem Análise dos compostos da glândula tibial de machos Euglossini (Hymenoptera: Apidae) em fragmentos de Mata Atlântica no norte do Paraná(2025-02-26) Cesar, Giovanna Gabriely; Sofia, Silvia Helena; Alves, Denise de Araújo; Augusto, Solange Cristina; Toci, Aline TheodoroA tribo Euglossini pertence à família Apidae e inclui cerca de 250 espécies, distribuídas em cinco gêneros. Estas abelhas desempenham papel importante na polinização de dezenas de famílias de Angiospermas, sobretudo espécies de orquídeas. Os machos da tribo possuem comportamento característico de coletar e armazenar, nas tíbias posteriores, fragrâncias de fontes florais e não-florais, compondo um “buquê” espécie-específico, que tem função na atração de fêmeas para o acasalamento. Poucos estudos avaliam a elaboração destes buquês de compostos em ambientes fragmentados, como é o caso da Mata Atlântica. O objetivo deste trabalho foi analisar os compostos presentes no conteúdo tibial de machos de Euglossa annectans Dressler, 1982 e Euglossa pleosticta Dressler, 1982, amostrados em sete fragmentos de Mata Atlântica no norte do Paraná, verificando variações nos buquês, a depender do fragmento. As coletas foram realizadas em quatro fragmentos em área rural e três fragmentos urbanos. Os machos foram atraídos a iscas odoríferas e o conteúdo das tíbias posteriores destes (E. annectans – n = 70; E. pleosticta – n = 68) foi analisado em um sistema de cromatografia em fase gasosa acoplado a um espectrômetro de massas (CG-EM). Estes machos também foram classificados quanto ao nível de desgaste alar, em busca de testar a correlação deste traço com a composição de compostos químicos encontrados. Adicionalmente, foram analisadas amostras provenientes da cabeça de indivíduos das duas espécies (possível conteúdo da glândula labial cefálica e hidrocarbonetos cuticulares), sendo os compostos encontrados excluídos das análises de conteúdo tibial. Foram identificados 336 compostos no conteúdo tibial de E. annectans e 347 para E. pleosticta, com 125 químicos comuns às duas espécies. A maioria dos compostos achados foi da classe dos terpenos, para as duas espécies. Para E. annectans, somente 24 compostos foram comuns a todas as áreas e, para E. pleosticta, apenas 37 apareceram nas sete áreas. Assim, foi vista alta variação e dissimilaridades consideráveis entre as áreas de amostragem, para as duas espécies. Também, foi vista uma dissimilaridade alta entre as espécies. O número de compostos por área variou de 65 a 144, para E. annectans e 97 a 151 para E. pleosticta. Além disso, houve alta variação no número de compostos por indivíduo, para as duas espécies, variando de 4 a 58 para E. annectans e 6 a 53 para E. pleosticta. Verificamos uma baixa relação entre desgaste alar, indicador de idade, e a composição do conteúdo tibial, para as duas espécies. Diante dos resultados, o trabalho contribui para a caracterização das substâncias químicas coletadas e armazenadas por machos destas espécies e das variações que uma paisagem fragmentada e heterogênea pode gerar na elaboração dos buquês, de forma intraespecífica.Item Ontogenia do esqueleto de Leporinus oliveirai (Characiformes: Anostomidae)(2025-02-18) Boaretto, Mariana Pascoal; Birindelli, José Luís Olivan; Sidlauskas, Brian L.; Marinho, Manoela Maria FerreiraO esqueleto é uma rica fonte de caracteres usado em estudos filogenéticos de peixes. Entretanto, o desenvolvimento dos ossos não tem sido estudado em detalhe, e poucos estudos descrevendo a ontogenia do esqueleto de Characiformes foram publicados. Trazemos a primeira descrição completa da ontogenia do esqueleto de um anostomídeo, Leporinus oliveirai, baseada em oitenta e nove espécimes criados em cativeiro e amostrados nos primeiros 60 dias pós-eclosão, com tamanho variando de 3,8 mm (comprimento notocordal, CN) a 33,2 mm (comprimento padrão, CP). Destes, sessenta e três espécimes foram diafanizados e subsequentemente dissecados e fotografados. A sequência do desenvolvimento de 141 elementos esqueléticos foi acompanhada e é apresentada. Fotografias de todos os complexos anatômicos são apresentadas ao longo do desenvolvimento. Os ossos começam a aparecer em indivíduos com 5,1 mm CN e o desenvolvimento completo foi observado apenas em juvenis com 29,7 mm CP. As principais descobertas incluem a presença de numerosos dentes cônicos no pré-maxilar e dentário, em indivíduos de 5,1 mm CN a 10,4 mm CP, que são substituídos por três ou quatro dentes grandes incisiformes multicuspidados, e posteriormente por dentes unicuspidados nos juvenis e adultos. Os infraorbitais 4 e 5, vistos apenas em juvenis, se desenvolvem fusionados, condição oposta a presente em grande parte dos anostomídeos. O primeiro osso a se desenvolver é o cleitro (5,1 mm CN) e os últimos os infraorbitais 4, 5 e 6, extraescapular e esclerótico (27,2-29,7 mm CP), o que é similar ao desenvolvimento de outros Characiformes. A cartilagem do autopalatino inicia seu desenvolvimento com formato oval e reto em direção a placa etmoidal, se curvando ao longo do desenvolvimento. A sequência de desenvolvimento é comparada com outros Characiformes e as características únicas de Anostomidae são discutidas em relação a evolução do grupo e suas relações filogenéticasItem Repertório de manipulação de objetos em macacos-prego-pretos Sapajus nigritus cucullatus (Goldfuss, 1809) em dois fragmentos florestais urbanos no município de Londrina, Paraná, Brasil(2025-03-07) Saraiva, Gabriel Leite; Magnoni, Ana Paula Vidotto; Lousa, Túlio Costa; Aguiar, Lucas de MoraesAs espécies de primatas apresentam um complexo comportamento de manipulação de objetos com diferentes funções. Macacos-prego apresentam manipulações que podem ser divididas em quatro categorias: Manipulação Simples (MS), Manipulação Combinatória 1 (C1), Manipulação Combinatória 2 (C2) e Manipulação Combinatória 3 (C3), descrevendo as formas como os animais apresentam um vasto repertório de movimentos de segurar, manipular e bater objetos. Os macacos-prego-pretos, Sapajus nigritus cucullatus, estão distribuídos pela região neotropical e exibem uma variedade de comportamentos manipulativos, de acordo com sua ecologia e sociabilidade. O presente estudo teve como objetivos levantar o comportamento de manipulação de objetos exibidos por duas populações de macacos-prego-pretos Sapajus nigritus cucullatus em dois fragmentos florestais urbanos no município de Londrina, Paraná, Brasil e comparar a influência das classes sexo-etárias e dos locais na ocorrência das classes de manipulação de objetos. O estudo contou com uma amostragem pelo método animal focal por um período de um ano e foi realizado no Parque Municipal Arthur Thomas e na Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR. Os comportamentos de manipulação foram registrados de acordo com sua classe e origem do objeto manipulado. Modelos lineares generalizados, da família binomial foram elaborados para verificar a influência das classes sexo-etárias e dos locais na ocorrência das classes de manipulação. As análises não detectaram diferenças estatísticas entre os locais e, para as classes sexo-etárias, foi observada diferença apenas entre juvenis e fêmeas adultas em uma única classe de manipulação. Ademais, foi registrado pela primeira vez o comportamento de malabarismo em Sapajus nigritus cucullatus.Item Resistência à seca em mudas de espécies nativas da floresta estacional semidecidual(2025-03-18) Rodrigues, Larissa Cerqueira Dias; Torezan, José Marcelo Domingues; Moreira, Renata Stolf; Podadera, Diego SottoO objetivo deste estudo foi pesquisar a resistência à seca de espécies arbustivas e arbóreas abundantes em fragmentos florestais ou amplamente utilizadas em projetos de restauração da Floresta Estacional Semidecidual (FES). Foram conduzidos experimentos de déficit hídrico (DH) severo em casa de vegetação com 34 espécies nativas da FES. O DH foi aplicado em 10 mudas de cada espécie, e outras 10 mudas foram mantidas em capacidade de campo, atuando como o grupo controle (CC). A condutância estomática (gs) de todos os indivíduos foi medida diariamente até haver uma redução de ~50% da gs inicial, quando alcançaram esse valor, foi feita a medição do potencial de água (Ψw) do caule de cinco mudas de cada tratamento. O restante das mudas foi observado até sua morte com a utilização de um Protocolo de Identificação Visual do DH (PIV) que é utilizado para atribuir notas ao nível de DH. Quando atingiram a nota 5 (morte da parte aérea), elas foram reidratadas para avaliar a capacidade de rebrota. A influência das espécies e dos tratamentos sobre a gs e o Ψw foram analisadas por Modelos Lineares Generalizados (GLMs), e por comparações múltiplas post-hoc par a par, visando compreender quais espécies responderam de forma semelhante ao DH. O mesmo procedimento foi aplicado para analisar o efeito das espécies sobre o tempo para as plantas atingirem a nota 5 do PIV. Também foi utilizado um GLM para averiguar a influência das respostas fisiológicas sobre o tempo para as espécies sofrerem morte da parte aérea. E uma Regressão Linear Multipla (RLM) para investigar a influência dos traços funcionais - área foliar específica (AFE) e razão raiz/parte aérea (R/PA) - sobre o tempo para as espécies sofrerem morte da parte aérea. Os resultados indicaram que as espécies apresentam diferentes repostas de gs e de Ψw quando submetidas ao DH (p < 0.01). Além disso, também foi encontrada diferença significativa no tempo para atingirem a nota 5 do PIV (p < 0.01). Para estes três modelos, houve um gradiente de respostas e a formação de vários grupos pelas comparações múltiplas. As espécies que sofreram a morte da parte aérea mais rapidamente foram C. pachystachya, T. micrantha, A. virgata, I. vera e R. armata, dessa forma, essas espécies são mais sensíveis à seca. Enquanto C. speciosa, F. guaranítica, E. contortisiliquum e P. rígida foram as que demoraram mais tempo para apresentar a morte da parte aérea, sendo mais resistentes à seca. O Ψw influenciou positivamente o tempo para a morte da parte aérea (p = 0.04), enquanto a gs, a AFE e a razão R/PA não causaram efeito significativo (p=0.93, p = 0.28). Além disso após serem reidratadas no viveiro, foi observada rebrota das espécies A. integrifolia, A. virgata, Cordia ecalyculata, Eugenia pyriformis, F. guaranitica e T. micranta. Os resultados desta pesquisa contribuem para a compreensão das respostas de espécies nativas da FES ao DH e permitem identificar espécies com maior ou menor resistência à seca. Espera-se que estes achados auxiliem na escolha estratégica de espécies mais resistentes à seca para a utilização em projetos de restauração florestal e que estes dados sejam utilizados para prever as respostas desse ecossistema às mudanças climáticas.Item Da paisagem rural à paisagem urbana: quais fatores afetam a comunidade de borboletas em área de Mata Atlântica no sul do Brasil?(2025-04-29) Theodoro, Lucas Mastellini; Dias, Fernando Maia Silva; Santos, Eduardo Carneiro dos; Fernandes, Flavia Rodrigues; Alvarenga, Carlos EduardoAs grandes cidades estão cada vez maiores, ocupando mais espaço, com metade da população mundial vivendo em centros urbanos. As áreas verdes que ocupavam os arredores das cidades foram substituídas por lavouras e pastos, tornando a paisagem alterada. Londrina e sua região metropolitana se enquadram nesse panorama de uma cidade grande que possui fragmentos de remanescentes florestais inseridos em matrizes urbanas, periurbanas e rurais, criando um gradiente de paisagem. O estudo pretende analisar a influencia do grandiante sob a comunidade de borboletas dentro dessas áreas selecionadas, três para cada categoria de matriz, para elucidar como a riqueza e abundância desse grupo está estruturado ao longo deste gradiente, considerando variáveis e filtros seletores de paisagem e fragmento que atuam como pressão ambientalItem Borboletas frugívoras em um remanescente de mata atlântica e sítios de restauração ecológica adjacentes.(2025-02-25) Sebben, Julia; Dias, Fernando Maia Silva; Prado, Marcio Uehara; Torezan, José MarceloA fragmentação da Mata Atlântica tem levado à perda significativa de biodiversidade, neste cenário, na região norte do estado do Paraná, a Floresta Estacional Semidecidual é a fitofisionomia mais ameaçada, onde grande parte de sua cobertura original foi convertida em áreas de produção agrícola. A restauração ecológica é uma estratégia fundamental para reverter os danos, degradação e a destruição dos ecossistemas florestais visando recuperar condições ambientais que sejam equivalentes ou muito próximas às originais. O uso de indicadores ecológicos é essencial para avaliar o sucesso e os níveis de restauração que determinados ambientes se encontram, neste contexto, os lepidópteros são um grupo muito especial de indicadores ecológicos devido a sua rápida reprodução, estreita associação com fatores físicos específicos e recursos vegetais, e sensibilidade significativa a mudanças ambientais. O objetivo deste estudo foi comparar a comunidade de borboletas frugívoras em áreas com diferentes métodos e idades de restauração ecológica e uma área de remanescente de floresta estacional semidecidual utilizada como ecossistema de referência no Parque Estadual de Ibicatu, Paraná, buscando entender as diferenças na diversidade de espécies nesses ambientes. A amostragem foi realizada entre dezembro de 2023 a junho de 2024 utilizando armadilhas atrativas do tipo Van Someren-Rydon para captura de borboletas frugívoras. Os principais resultados indicam que o ecossistema de referência apresentou maior riqueza e abundância de espécies em comparação com as áreas de regeneração. Os três ambientes apresentaram diferenças na composição de espécies, revelando uma substituição de espécies generalistas para espécies especialistas à medida que a restauração avança, e uma certa dominância de espécies entre os diferentes ambientes amostrados, sugerindo uma espécie potencialmente indicadora. Semelhanças entre as amostras apontam uma influência do ecossistema de referência sobre as áreas de restauração ecológica. Esses resultados reforçam a importância de estratégias de conservação que considerem a conectividade entre áreas de restauração e fragmentos florestais preservados e a importância da utilização de borboletas frugívoras como indicadoras para o monitoramento de restauração dos fragmentos florestais.Item Influência da temperatura sobre o estabelecimento da comunidade de diatomáceas perifíticas.(2023-06-03) Pinheiro, Thiago Ferreira; Silva, Weliton José da; Magnoni, Ana Paula Vidotto; Orsi, Mário Luís; Jati, SucicleyA temperatura é uma condição que interfere no desenvolvimento de organismos, incluindo as diatomáceas. Este grupo de algas apresenta grande importância ecológica nos em ambientes aquáticos, A resposta dessas comunidades às variações de temperatura ainda é pouco estudada e, quando se trata de ambientes aquáticos tropicais é considerada totalmente desconhecida. Esse contexto se torna ainda mais sério quando experenciamos a degradação cada vez mais associada de ambientes tropicais e quando estudos apontam cenários futuros relacionados a mudanças climáticas e alterações de temperatura globais, afetando significativamente a biodiversidade das diatomáceas. Logo, é necessário compreender a estruturação dessa comunidade em resposta às variações de temperatura em ambientes tropicais e altamente degradados, como a Mata Atlântica. Com isso, o presente estudo buscou diagnosticar o efeito do aumento da temperatura sobre o estabelecimento e desenvolvimento de comunidades de diatomáceas em ambientes da Mata Atlântica, testando a hipótese de que o aumento da temperatura influencia na estruturação das comunidades de diatomáceas na Mata Atlântica. O delineamento experimental ocorreu com a instalação de três tratamentos de temperatura (28 °C, 30 °C e 32 °C), em um dos tanques do LEACEN-UEL. Utilizamos lâminas como substrato artificial para a análise do processo de colonização de diatomáceas perifíticas. As amostras foram coletadas a cada 4 dias e passaram por processos de raspagem, fixação em solução de Transeau, lavagens com água destilada, oxidação, triagem, fotografia e contagem em microscópio ótico, sendo medidas e identificadas. Os parâmetros abióticos, como nutrientes e parâmetros físico-químicos da água do tanque e dos tratamentos, foram aferidos. O processo de estruturação da comunidade de diatomáceas foi analisado através de atributos da comunidade. Foram registradas 40 espécies de diatomáceas durante o período do experimento. D. confervacea, G. lagenula, N. amphibia, A. tropicocatenatum e F. capucina foram as espécies mais abundantes, sendo as duas últimas as mais representativas. Os valores de abundância relativa de ambas foram inversamente proporcionais indicando coexistência, concorrência por espaço e recursos em águas oligotróficas do tanque. Para os valores de clorofila a, não houve uma forte relação entre a abundância das espécies representativas nos tratamentos e seus valores, sugerindo que outros grupos de algas possam estar relacionados às concentrações de clorofila a observadas. Não foram encontradas diferenças significativas entre as variáveis físico-químicas da água nos diferentes tratamentos. Portanto, a temperatura emerge como o principal parâmetro, permitindo avaliar com maior acuracidade sua interferência na estrutura das comunidades dos grupos algais estudados. As temperaturas mais baixas favoreceram a coexistência de diferentes espécies de diatomáceas, resultando em uma comunidade mais rica, diversa e equitativa. Por outro lado, as temperaturas mais elevadas influenciaram ter influenciado negativamente, diminuindo a diversidade e aumentando a uniformidade da comunidade, além de promover o domínio de algumas espécies mais adaptadas às condições térmicas mais elevadas.Item Sistemas de polinização em afloramentos rochosos basálticos na região de Lerroville, Londrina, Paraná, Brasil.(2023-08-31) Gardiolo, Cecilia Pellacani; Ribeiro, José Eduardo Lahoz da Silva; Marques, Rosimar Maria; Oliveira, Halley Caixeta deA teoria OCBIL (paisagem antiga, climaticamente tamponada e infértil) é um conceito relativamente novo em ecologia, que tende a explicar como a biodiversidade é mantida em diferentes paisagens. Essa teoria estabelece hipóteses para testar as previsões sobre os padrões de evolução, diversificação e características funcionais das espécies. Uma das hipóteses abordadas é o Efeito James, que se refere a um padrão observado nas comunidades vegetais pequenas/isoladas, o qual, sugere que as plantas polinizadas em OCBILs desenvolveram mecanismos para promover a recombinação genética. Os sistemas de polinzação por longa distância mantém altos níveis de heterozigosidade, facilitando a troca genética entre individuos e populações de plantas isoladas geograficamente, como ocorre nos afloramentos rochosos basálticos no Terceiro Planalto do Paraná. Portanto esse estudo pretende responder se há a prevalência de ocorrência de polinizadores capazes de se deslocar por longas distâncias, necessários para garantir a polinização cruzada e, consequentemente a variabilidade genética, em populações isoladas das espécies de plantas presentes nos afloramentos rochosos localmente restritos no distrito de Lerrovile, Londrina, Paraná. Foram adotados 12 sistemas de polinização, com 5 critérios de precisão para aferir os polinizadores. As categorias de 1 a 3 incluem observações diretas, no campo, de visitantes florais e polinizadores. Já nas categorias 4 e 5, o polinizador é inferido com base em evidências indiretas. Nesta área foram observadas 29 espécies de plantas, pertencentes a 22 gêneros e 15 famílias. As famílias mais representativas nas áreas do afloramento foram Bromeliaceae, Cyperaceae, Fabaceae, Gesneriaceae e Plantaginaceae. O sistema de polinização predominante foi “diversos animais” sendo responsáveis por 27,58% das interações dos polinizadores, seguidas por “vento” (20,68%) e “abelha pequena” (17,24%). Portanto, o estudo demonstra que não há a prevalência de polinizadores longas distâncias, não corroborando com a hipótese levantada.Item Fenologia e sistemas reprodutivos de espécies de Meliaceae em floresta estacional semidecidual do sul do Brasil(2013-10-11) Schimitt, Jamile Augusta; Ribeiro, José Eduardo Lahoz da silva; Buzato, Silvana; Bianchini, EdmilsonA floresta estacional semidecidual encontra-se bastante ameaçada, devido aos processos de ocupação antrópica que dizimou a maior parte da cobertura vegetal. No estado do Paraná, esse tipo de floresta se restringe a menos de 3% do território. Para a preservação desses ambientes, observações fenológicas e o conhecimento dos sistemas reprodutivos das espécies arbóreas podem ser úteis para definição de estratégias que visem o manejo florestal e a sustentabilidade ecológica. A família Meliaceae é amplamente distribuída em florestas estacionais semideciduais, e nesse contexo, o presente estudo teve por objetivo descrever os padrões fenológicos de dez espécies dessa família, verificar se esses eventos são sazonais, relacionar as fenofases com fatores abióticos como temperatura, fotoperíodo e precipitação e, caraterizar os sistemas reprodutivos de quatro espécies. As observações fenológicas e os experimentos para determinar os sistemas reprodutivos foram realizados no Parque Estadual Mata dos Godoy (PEMG), localizado no limite sul da zona tropical (23° 27’ S e 51° 15’O). Foram realizados alguns experimentos para caracterização do sistema reprodutivo também em um pequeno fragmento florestal, localizado à 15Km do PEMG (23°22. S e 51°10’ W). Ambas as áreas são cobertas com floresta estacional semidecidual, cujo clima é subtropical úmido, e não apresenta uma longa estação seca, embora possam ser definidas duas estações, uma úmida e quente de outubro a março e outra mais seca e fria de abril a setembro. As observações fenológicas foram realizadas em dez espécies em um período de quatro anos e seis meses não consecutivos. As observações foram mensais nos três primeiros anos e quinzenais no restante do estudo. Foram registradas as fenofases de abscisão foliar, brotamento, botões florais, antese, frutos imaturos e maduros, para cada espécie e calculados a proporção de indivíduos e o percentual de intensidade de Fournier em cada fenofase. Para testar a ocorrência de sazonalidade nas fenofases foi utilizada a estatística circular, e para avaliar as relações entre os fatores abióticos considerados e as fenofases foi utilizado o coeficiente de correlação de Sperman (rs). Para caracterização dos sistemas reprodutivos, foram realizados experimentos de polinização controlada nas espécies Trichilia pallida Sw., Trichilia pallens C. DC., Trichilia casaretti C. DC., e em Cabralea canjerana subsp. Canjerana (Vell.) Mart, além de observações fenológicas e acompanhamento de cada indivíduo utilizado nos experimentos antes e após a realização dos mesmos. A abscisão foliar e o brotamento na maioria dos indivíduos das espécies de Meliaceae foram sazonais e ocorreram na transição da estação seca para a úmida. Nessas fenofases houve maior quantidade de correlações com a temperatura e fotoperíodo. As fenofases de floração foram as mais sazonais de todo o estudo, sendo que a maioria das espécies floresceram na transição da estação seca para a úmida. Nessas espécies, houve maior quantidade de correlações com a precipitação de meses anteriores às observações fenológicas. As espécies que floresceram na estação úmida estiveram relacionadas ao aumento do fotoperíodo e da temperatura. O desenvolvimento dos frutos durou vários meses em todas as espécies, portanto não é muito sazonal e apresentou poucas correlações com os fatores abióticos. A dispersão dos frutos de Meliaceae ocorreu durante todo o ano, e apresentou padrão sazonal e poucas correlações com os fatores abióticos. A análise dos resultados dos experimentos de polinização controlada, e o acompanhamento dos indivíduos testados em campo indicaram que as espécies C. canjerana ssp. canjerana e T. pallens são subdióicas, enquanto T. casaretti é hermafrodita e T. pallida pode ser monóica ou ginomonóica. Através dos resultados deste estudo, percebe-se que as fenofases vegetativas e reprodutivas apresentam no geral padrão sazonal de ocorrência, como observado em outras florestas semidecíduas brasileiras. As fenofases vegetativas são mais sensíveis à mudanças nos fatores abióticos. As fenofases reprodutivas podem estar mais relacionadas à outros fatores, como por exemplo, fatores bióticos, devido às poucas correlações encontradas entre essas fenofases e os fatores abióticos. As fenofases reprodutivas ocorreram na mesma época do ano. Essa característica pode ser devido à dependência dessas fenofases aos vetores bióticos como polinizadores e dispersores de sementes, mantendo sua ocorrência sempre na mesma época como forma de garantir a presença dos vetores bióticos e o sucesso da polinização e dispersão. A correta caracterização dos sistemas reprodutivos foi possível devido a realização dos testes de polinização controlada juntamente com as observações fenológicas e o acompanhamento dos indivíduos experimentalmente testados antes e depois da floração.Item Ciência cidadã e biodiversidade: uma investigação no território brasileiro(2023-03-29) Umeno, Marcos Akira; Lima, Marcos Robalinho; Orsi, Mário Luis; Eleuterio, Ana Alice Aguiar; Tavares, Tatiana MottaO Antropoceno está marcado de ações negativas as florestas tropicais, muitas vezes resumidas a paisagens fragmentadas e reduzidas, o que afeta a matriz de serviços ecossistêmicos. A perda de habitats, afeta também a biodiversidade e percebe-se uma necessidade de dados de referência confiáveis, para estudar perdas atuais e futuras da biodiversidade. O monitoramento da biodiversidade é um enorme desafio, ainda mais em escalas temporais e espaciais grandes. O uso de Variáveis de Biodiversidade (VBE) é uma saída para um monitoramento mais eficiente e coordenado em todo o mundo. Nesse contexto, nas últimas décadas houve um crescimento exponencial do envolvimento de voluntários em projetos científicos, essa participação de não-cientistas é definida como ciência cidadã (CC), que deve ser entendida como uma parte ampla e heterogênea da ciência. O campo da ciência cidadã expandiu-se rapidamente, e os pesquisadores reportam experiências muito favoráveis que podem auxiliar no esclarecimento de lacunas no conhecimento biológico. No entanto, é preciso medir e categorizar as contribuições da ciência cidadã para dentro das ações com a biodiversidade e, como essa integração com a comunidade não acadêmica está sendo realizada, e quais os objetivos de estudos no território brasileiro. Este estudo tem como objetivo descrever a produção científica envolvendo ciência cidadã e biodiversidade no Brasil. Para tanto, foi realizado uma revisão sistemática da literatura, que abrangeu as publicações na Web of Science e Scopus dos anos 2000 a 2022. Nossos resultados mostram uma positiva atividade dos pesquisadores envolvendo ciência cidadã e biodiversidade no Brasil. A produção científica publicada é recente, iniciando em 2015 e tendo maior expressão nos anos seguintes. Há uma pesquisa majoritariamente ornitológica, dos 56 artigos incluídos nesta pesquisa, 62,5% se relacionava com o taxa Aves. As VBE indicam uma pesquisa voltada em maioria para distribuição de espécies, variável mais encontrada, seguida da abundância populacional. Em relação ao envolvimento dos voluntários e pesquisadores, observou-se uma ciência cidadã contributiva, no qual o pesquisador majoritariamente se envolve com os dados disponíveis em plataformas de ciência cidadã, e pouco com o cientista-cidadão diretamente. Concluiu-se que a produção científica publicada e incluída neste trabalho, conta uma história recente da inclusão da ciência cidadã para investigações da biodiversidade, mais estudos precisam ser feitos, a fim de melhorar a utilização e percepção de importantes indicadores para desenvolvimento da ciência cidadã, engajamento público, valorização do cientista-cidadão, e ações para conservação da biodiversidade no BrasilItem Acúmulo de biomassa em sítios de restauração de floresta estacional semidecidual no norte do Paraná(2023-02-27) Lemos, Giovanna Gulaeff; Torezan, José Marcelo Domingues; Oliveira, Halley Caixeta de; Engel, Vera Lex; Arcanjo, Fátima AparecidaA restauração florestal permite a retomada da estocagem do carbono atmosférico (C), afetada com a degradação ambiental e fragmentação de florestas nativas, podendo ser quantificada a partir da biomassa aérea seca (BAS). A partir do monitoramento a longo prazo do acúmulo de BAS, bem como de outros parâmetros, é possível estimar o progresso da restauração. Considerando isso, objetivamos com este estudo realizar um novo censo em seis reflorestamentos de Floresta Estacional Semidecidual, previamente amostrados em 2010 e 2017, a fim de investigar o acúmulo de BAS e a recuperação das áreas ao longo do tempo. Foram amostrados e identificados todos os indivíduos lenhosos com diâmetro do caule na altura do peito (DAP) maior que 1,9 cm, enquanto a BAS e o estoque de C foram calculados para os indivíduos com DAP > 5 cm. As variáveis densidade de indivíduos, BAS, área basal e densidade média da madeira foram comparados entre os três censos, bem como a riqueza de espécies. Também foram calculadas as taxas de incremento de BAS e mortalidade referente ao último censo. Para o censo de 2022, das 70 espécies registradas, 43 apresentaram indivíduos com DAP mínimo para participarem do cálculo de BAS, que teve média de 80 ? 6 Mg/ha (40 ? 3 Mg C/ha). Entre os anos de 2017 e 2022, foi observada manutenção dos valores das variáveis BAS e densidade média da madeira, ocorrendo aumento da densidade de indivíduos e área basal de 2010 para 2022. Analisando individualmente as áreas, foi possível constatar, inclusive, queda da BAS para o censo atual. Também foi encontrado redução das taxas de incremento, sugerindo que os reflorestamentos não estão acumulando carbono no mesmo ritmo, bem como taxas de mortalidade elevadas para as áreas onde a redução da BAS foi significativa. Considerando que mais de 70% da BAS está concentrada nos indivíduos adultos plantados, e muitos apresentam sinais de senescência, a mortalidade desses não parece estar sendo compensada pelo ingresso de novos indivíduos, sugerindo estagnação do estoque de BAS, tendo em vista a ausência de relação entre este e a densidade de indivíduos. Além disso, a maior parte das espécies encontradas são as que foram utilizadas no plantio inicial de mudas, apontando para um baixo ingresso de espécies não pioneiras, longevas e com alta densidade específica da madeira, que permitiriam o aumento da capacidade armazenamento do carbono e por longos períodos. Dessa forma, o acúmulo e o estoque de BAS acabam sendo limitados, ficando abaixo dos padrões de referência regionais. Ainda não é possível afirmar se o acúmulo de biomassa será retomado nos próximos anos, representando esse um momento de oscilação, porém, devido a pouca idade dos reflorestamentos, era esperado que ainda apresentassem um aumento dos estoques de BAS, não os padrões encontrados. Considerando isso, a manutenção do monitoramento a longo prazo auxiliará na compreensão dos padrões de acúmulo de BAS, além de elucidar as causas dos fenômenos encontrados, permitindo um melhor manejo dessas áreas em restauraçãoItem Análise filogenetica do genero Megaleporinus Ramirez et al., 2016 (Characiformes: Anostomidae)(2024-02-26) Lima Filho, Humberto de; Birindelli, José Luís Olivan; Sidlauskas, Brian Lee; Shibatta, Oscar AkioA diversidade de peixes neotropicais e ainda subestimada e as relacoes filogeneticas entre suas especies ainda sao pouco conhecidas. Os Characiformes integram cerca de 40% das especies de peixes dulcicolas da America do Sul e possuem os Anostomidae como membros da sua segunda familia mais diversa. Em 2016, o genero Megaleporinus foi descrito para abrigar especies de Anostomidae anteriormente alocadas em Hypomasticus e Leporinus. As relacoes entre as especies de Megaleporinus so haviam sido investigadas com base em dados moleculares. Ha suspeitas de que esse genero seja mais diverso do que se conhece e que possivelmente abrigue a unica especie extinta de Anostomidae: Leporinus scalabrinii†. Este trabalho tem como objetivo investigar a evolucao e classificacao das especies de Megaleporinus. Para isso, foram propostos 70 caracteres morfologicos, que foram combinados com sequencias de cinco genes, dois deles mitocondriais e tres nucleares. Os resultados indicam que Megaleporinus teria se originado a cerca de 18 milhoes de anos atras e seria composto por M. muyscorum, a unica especie trans-Andina, como grupo irmao de todas as congeneres, e por dois clados. O primeiro clado e formado por M. macrocephalus, M. trifasciatus e por duas especies nao descritas, uma proveniente do rio Orinoco e outra do Tocantins. O outro clado seria formado pelas especies M. conirostris, M. reinhardti, M. brinco, M. garmani, M. gaiero, M. piavussu, M. obtusidens, M. elongatus e Leporinus scalabrinii†, especie extinta ha cerca de 6 milhoes de anos, que deveria ser transferida a Megaleporinus. Nossos resultados ainda mostraram que ha uma serie de caracteristicas morfologicas que permitem a descricao e o reconhecimento das duas especies novas de Megaleporinus relacionadas a M. trifasciatus e M. macrocephalus.Item Impacto da dieta artificial em Aedes (Stegomyia) aegypti Linnaeus (1762) e danos causados por Bacillus thuringiensis subsp. israelensis detectado por microtomografia computadorizada de raio X(2024-05-21) Silva, Letícia Bernadete; Zequi, João Antonio Cyrino; Jussiani, Eduardo Inocente; Vilas-Boas, Laurival AntônioO Aedes aegypti (Linnaeus, 1762) é um culicídeo que apresenta relevância na Entomologia médica por veicular arbovírus devido à hematofagia realizada pelas fêmeas que é essencial para a maturação de seus ovos. Por essa razão, metodologias inovadoras de monitoramento e controle biológico são buscadas para reduzir a disseminação do vetor, mas muitos desses estudos dependem de biotérios de vertebrados como fonte sanguínea para a fêmea, apresentando risco de contaminação, angústia ao animal e empecilhos para sua utilização, demonstrando a necessidade de uma metodologia que substitua o sangue animal e seja eficaz como fonte de alimento. Por outro lado, o monitoramento do vetor e vírus são ferramentas importantes para subsidiar o controle. Linhagens de Bacillus thuringiensis subespécie israelensis (Bti) apresentam ação inseticida para os culicídeos, liberando pró toxinas no intestino do vetor, levando à sua morte por sepse, sendo seletivo apenas ao inseto alvo e não se tem registro de seleção de resistentes a campo. Portanto, o objetivo deste estudo foi verificar a viabilidade do sangue artificial como uma ferramenta para a criação massal de Ae. aegypti, assim como o controle do vetor por meio da linhagem Bti BR 101. O presente trabalho foi organizado em dois capítulos; o primeiro trata do uso de sangue artificial no desenvolvimento do mosquito e da avaliação por microtomografia computadorizada do ovário das fêmeas alimentadas com as seguintes fontes: sangue artificial SkitoSnake, sangue de Ratus novergicus e solução de açúcar (5%) e mel (5%) em 90% de água para análise da preferência de ingurgitamento e sua influência no desenvolvimento do ovário. O segundo capítulo é sobre o controle biológico das larvas de Ae. aegypti por um formulado em desenvolvimento à base de Bti (BR101) e do uso como controle de um produto comercial à base de Bti (Vectobac). Posteriormente, foi executada a análise elementar dos respectivos produtos utilizados para verificação da composição de elementos químicos dos mesmos e a microtomografia das larvas após 24 horas de exposição ao Bti BR 101 e Bti comercial (Vectobac). Os resultados obtidos demonstram que o sangue artificial é capaz de proporcionar a maturação dos ovos e subsequente ciclo de vida alcançando duas gerações consecutivas. Ademais, o volume do ovário de fêmeas alimentadas com sangue de rato (média: 0.049688184 (b), limites [-0.01574603, 0.1151224]) diferiu do volume do sangue artificial (média: 0.01307888 (a), limites [0.008030322, 0.01900323]) e do volume do ovário após alimentação com solução açucarada e mel (0.004269842 (a) limites [0.002253814, 0.00628587], obtendo uma média 11 vezes maior que a alimentada com açúcar e mel e cerca de três vezes maior em comparação com o sangue artificial, corroborando com a tendencia alimentar das fêmeas por mamíferos. Em relação ao controle biológico, o uso do Bti BR101 não diferiu significativamente do Vectobac WG, demonstrando ser uma excelente estratégia para o controle do vetor o que pode ser comprovado pela sua mortalidade em (1,5g/500L) e pela micro-CT, que evidenciou os danos às membranas do epitélio intestinal. Logo, o sangue artificial evidenciou ser uma ferramenta promissora para a criação massal do mosquito, e que na ausência do sangue humano, tanto o sangue artificial como o de rato promoveram o desenvolvimento dos ovócitos das fêmeas, no entanto o sangue artificial apresentou limitações nutricionais. Os produtos biológicos foram eficazes nessas condições para controle de imaturos, sendo a Micro-CT uma excelente ferramenta de validação das estruturas anatômicas perante os tratamentos utilizados.Item Ictiofauna do Complexo Canoas: ações e perspectivas(2024-02-22) Oliveira, Gabriela Correia de; Orsi, Mário Luis; Casimiro, Armando César Rodrigues; Jerep, Fernando CamargoO rio Paranapanema é um dos afluentes mais importantes do rio Paraná, e tem sua paisagem modificada pela presença de 11 barragens em toda a sua extensão. A construção de usinas hidrelétricas para a produção de energia, tem influência direta nas características hidrológicas do rio, alterando o seu fluxo natural e impactando a ictiofauna local, interferindo na reprodução e desenvolvimento das espécies de peixes. O acesso a rios tributários e a presença de áreas marginais é dificultado pelas barragens de Usinas hidrelétricas, prejudicando o estabelecimento e permanência das espécies, assim como a introdução de espécies não nativas nos reservatórios permitem uma diminuição da diversidade de espécies nativas no ambiente. Como forma de manejo para minimizar os efeitos das barragens sobre a ictiofauna, foram implantadas escadas de peixes nas usinas de Canoas I e Canoas II, que não obtiveram sucesso e impactaram de forma negativa a fauna de peixes nativa, sendo desativadas após 12 anos de operação (2000 a 2012). Nesse sentido, a influência dos barramentos em cascata no rio Paranapanema sobre a diversidade da ictiofauna, nos possibilitou desenvolver o objetivo deste trabalho, que foi investigar a variação da comunidade de peixes presente no Complexo Canoas em três períodos distintos. Foram identificadas 82 espécies de peixes, pertencentes a 22 famílias e 6 ordens, foram coletadas famílias exclusivamente nas escadas de peixes, e para os reservatórios, o ano de 2010 foi o que apresentou maior riqueza de espécies. Ocorreu uma redução de espécies de 2010 a 2016, com um aumento no número e abundância de espécies não nativas, visualizando uma diminuição na abundância das espécies nativas.Item Importância ecológica da ictiofauna das zonas litorâneas, em dois reservatórios do baixo rio Paranapanema, Brasil(2024-02-23) Luiz, Matheus Chueire; Orsi, Mário Luis; Jarduli, Lucas Ribeiro; Jerep, Fernando CamargoO rio Paranapanema é um dos mais importantes afluentes do rio Paraná, contendo uma grande diversidade de peixes. Porém, devido ao seu relevo acidentado, ele foi intensamente explorado para produção energética, atualmente contendo 11 usinas hidroelétricas, em formato de cascata, ao longo do seu curso, causando diversos impactos na ictiofauna local e nos ambientes litorâneos. Zonas litorâneas são ambientes que estão em total contato com o ambiente terrestre, apresentando uma importante diversidade, sendo beneficiada pelas condições bióticas e abióticas que estes ambientes característicos apresentam. Além disso é influenciada por recursos alimentares e risco de predação, além de fatores ambientais substanciais, variando em escalas de tempo, facilitando a colonização de espécies nativas em reservatórios. Dessa forma o presente trabalho, realizado na porção baixa do rio Paranapanema, buscou avaliar a composição e estrutura taxonômica e funcional da assembleia de peixes das zonas litorâneas dos reservatórios de Taquaruçu e Rosana. Foram realizadas incursões em campo, 10 no reservatório de Rosana e 9 no reservatório Taquaruçu, com o objetivo de amostrar a ictiofauna litorânea dos dois reservatórios, realizadas em todas as estações durante 4 anos. Essa amostragem foi realizada com a utilização de aparatos de coleta, tais como redes de arrasto, peneira, armadilhas covas e tarrafas, para uma maior abrangência de espécies de diferentes hábitos. Como resultado, foi observado uma riqueza de 55 espécies de peixes, majoritariamente de pequeno porte (46,27%), sendo 44 em Rosana e 38 em Taquaruçu. Ambos os reservatórios apresentaram diversidade similar, porém foi evidente a dominância de espécies invasoras no reservatório de Taquaruçu. Em relação a funcionalidade das espécies presentes, foi evidenciado que funcionalmente as espécies são semelhantes ocupando nichos parecidos, porém a composição funcional de ambos os reservatórios é diferente. Observamos na assembleia de Rosana e Taquaruçu, uma boa diferenciação de nicho e alta disseminação de recursos, evidenciado pela alta divergência funcional. Porém, as espécies estão pouco distribuídas, ocupando os mesmos nichos, representado pela baixa dispersão funcional, além de baixa uniformidade funcional, demonstrando uma possível subutilização dos recursos presentes no nicho. evidente que a presença de uma usina hidroelétrica e a existência de uma alta abundância de espécies invasoras, influenciam nessas escalas de biodiversidades, contudo a resiliência do ambiente, principalmente de Rosana foi evidente. De certa forma a assembleia geral para ambos os reservatórios é composta por espécies de pequeno porte e onívoras na maioria. A alta abundância de espécies não nativas é visto há algum tempo para bacia, e aqui, evidenciado nas zonas litorâneas, comprovando que essas espécies são fortemente capazes de alterar a composição e o funcionamento da assembleia. Com isso, buscamos demonstrar a importância das zonas litorâneas para as espécies nativas e de pequeno porte que ali vivem. São áreas de extrema importância sendo a chave para a riqueza dos reservatórios, portanto merecem mais estudos e práticas de conservação.Item Diversidade de mamíferos de médio e grande porte em fragmentos urbanos e periurbano de mata atlântica(2024-02-22) Lovato, David Lins Fernandes Leiroza; Magnoni, Ana Paula Vidotto; Aguiar, Lucas de Moraes; Graipel, Maurício Eduardo; Pereira, Alan DeividO Brasil possui a maior diversidade de mamíferos do planeta, contando com aproximadamente 778 espécies nativas distribuídas em 11 ordens, 51 famílias e 247 gêneros. Desse total, 334 espécies são encontradas na Mata Atlântica, das quais 53 estão classificadas em alguma categoria de ameaça de extinção, e 31 são endêmicas. A fragmentação de habitats e o avanço da urbanização são fatores preponderantes que impactam negativamente a fauna nativa, em especial as espécies de médio e grande porte, as quais demandam grandes áreas para sua sobrevivência. Este estudo teve como objetivo caracterizar a comunidade de mamíferos de médio e grande porte em fragmentos florestais urbanos e periurbanos no município de Londrina, contemplando o Horto Florestal da Universidade Estadual de Londrina (HFUEL), o Jardim Botânico de Londrina (JBL) e o Parque Municipal Arthur Thomas (PMAT). A amostragem foi realizada de agosto de 2022 a dezembro de 2023, com campanhas de três dias mensais em cada área. Foram utilizados métodos de busca ativa, análise de vestígios e armadilhas fotográficas. Nos três fragmentos, foram identificadas 25 espécies de mamíferos de médio e grande porte, distribuídas em 17 famílias e oito ordens, sendo que seis dessas espécies estão sob algum grau de ameaça. A curva de rarefação para o HFUEL indicou estabilidade, enquanto para o PMAT foi observada uma tendência à estabilidade. No caso do JBL, não foi identificada uma tendência à estabilidade, prevendo-se um aumento no número de espécies com o aumento do esforço amostral. A similaridade entre PMAT e JBL foi de 67%, entre JBL e HFUEL foi de 65%, e entre PMAT e HFUEL foi de 62%. Os resultados indicam que os fragmentos florestais urbanos ainda possuem condições mínimas de suportarem a presença de determinadas espécies, incluindo as espécies-chave do ecossistema. Além de suas funções ecológicas, a presença de espécies ameaçadas enfatiza a urgência de ações direcionadas ao manejo e conservação dessas áreas, visando reduzir o impacto das matrizes antrópicas sobre os habitats.Item Ciclo gonadal, investimento reprodutivo fecundidade de Aegla castro Schmitt, 1942 (Crustacea, anomura)(2017-03-31) Silva, Bruna Scapin; Teixeira, Gustavo Monteiro; Negreiros-Fransozo, Maria Lucia; Jerep, Fernando Camargo; Orsi, Mário Luís; Magnoni, Ana Paula VidottoAegla castro Schmitt, 1942 é um caranguejo anomuro de ambientes limnéticos encontrado, exclusivamente, em riachos relativamente bem preservados nos estados de São Paulo e Paraná, Brasil. O objetivo deste estudo foi analisar a maturidade sexual baseada na morfologia macroscópica e histológica, em uma população de A. castro, além de seu investimento reprodutivo e fecundidade. A análise da maturidade gonadal foi feita por meio da visualização macroscópica dos padrões de desenvolvimento gonadal e de seus cortes histológicos. Para o investimento reprodutivo e fecundidade foram analisadas fêmeas aultas, incluindo fêmeas ovígeras. Os animais foram coletados no Rio do Couro (bacia do Rio Tibagi), município de Mauá da Serra, Paraná. Os crustaceos anomuros coletados tiveram o sexo identificado em campo e foram acondicionados em recipientes plásticos para transporte até o laboratório, onde foram mantidos vivos em sistemas recirculados com filtragem mecânica e biológica com a finalidade de obtenção dos dados biologicos, os exemplares foram anestesiados, dissecados e as gônadas removidas para o processamento biológico. A partir das análises macroscópicas das gônadas as fêmeas foram classificadas em 4 estágios, rudimentar, em desenvolvimento, desenvolvida e ovígera, de acordo com a coloração e o alcance das gônadas nos somitos abdominais. Um grupo de anomuros foi dissecado e suas gônadas fixadas e analisadas histologicamente. Para um outro grupo as gônadas foram secas em estufa a 72°C até a obtenção de peso constante e pesadas em balança de precisão. As gônadas de A. castro não seguem os padrões macroscópicos decritos na literatura para outras espécies. A análise histológica evidenciou os estágios gonadais pela caracterização dos diferentes tipos de células. A validação dos estágios gonadais foi feita pela comparação dos resultados histológicos e macroscópicos os quais permitem a avaliação da atividade reprodutiva dos especimes vivos em campo, reduzindo assim a quantidade de indivíduos sacrificados. Em relação ao investimento reprodutivo, A. castro seguiu o padrão previamente descrito para outros decápodes com a variação inversa dos índices gonadossomático (IG) e hepatossomático (IH).O valor médio de IG para a população estudada foi de 1,97%, enquanto os valores médios por classe de tamanho não variam entre as classes. Observou-se uma diferença significativa de volume e peso de gônadas no decorrer do desenvolvimento. A fecundidade também seguiu o padrão observado para outras espécies do gênero Aegla. A fecundidade média geral da população estudada foi de 119,7 (± 58,37) ovos por fêmea ovígera. Comparando-se os valores de IG, fecundidade e tamanho dos ovos entre espécies de decápodes de diferentes habitats verifica-se que a estratégia reprodutiva de A. castro (baixa fecundidade, com ovos grandes e desenvolvimento epimórfico) permite um elevado sucesso reprodutivo, mesmo com valores de investimento reprodutivo proporcionalmente baixos.Item Revisão Taxonômica de Leporinus Amblyrhynchus (Characiformes, Anostomidae)(2024-06-27) Anjos, João Vitor Xavier dos; Birindelli, José Luís Olivan; Sidlauskas, Brian Lee; Jerep, Fernando CamargoA fauna de peixes de água doce da América do Sul é a mais diversa do planeta e ainda estamos longe de conhecermos toda a sua complexidade. Uma das mais diversas famílias de peixes sulamericanos é Anostomidae, que abriga aproximadamente 150 espécies. Dentre elas, Leporinus amblyrhynchus foi descrita em 1987 e ocorre amplamente na bacia do Alto Paraná. Exemplares recentemente coletados na bacia do rio São Francisco foram tentativamente identificados como pertencentes a L. amblyrhynchus. O objetivo dessa dissertação foi verificar a identificação desses exemplares e, consequentemente, desenvolver uma revisão da espécie L. amblyrhynchus. Para isso, análises foram feitas através do uso integrado de DNA Barcode e dados morfológicos, a fim de se reconhecer, diagnosticar e descrever as espécies reconhecidas. Como resultado, os exemplares da bacia do rio São Francisco são reconhecidos como pertencentes a uma espécie nova. Leporinus amblyrhynchus e a espécie nova são diagnosticadas , descritas e ilustradas. Além disso, dados sobre a distribuição geográfica das espécies e de seus estados de conservação são fornecidos e discutidos. As duas espécies são consideradas como grupos irmãos e próximas à Leporinus microphthalmus.Item Efeito letal de fração hexânica de Ricinus communis e de produtos comerciais a base de Bacillus thuringiensis israelenses sobre Aedes spp. L. (Diptera: culicidae) em condições de laboratório(2024-04-26) Lima, Yuri Renan Alves de; Zequi, João Antonio Cyrino; Vilas-Bôas, Gislayne Fernandes Lemes Trindade; Silva, Mário Antonio Navarro daVetor de arbovíroses como Febre amarela urbana, Dengue, Chicungunya e Zika, o Aedes aegypti é um problema complexo na saúde pública mundial. No Brasil a partir de 2002 foi introduzido o Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD), tendo como principal ferramenta o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo A. aegypti (LIRAa) medindo o grau de infestação pelo A. aegypti em todos os municípios brasileiros, e empregando concomitantemente estratégias de controle químico e mecânico visando redução populacional desse vetor. Entretanto, o controle químico tem ocasionado a seleção de populações de Aedes spp. resistentes. Por esse motivo, se faz necessário a busca por patógenos e produtos naturais que exerçam controle populacional desse vetor. Assim, o presente estudo objetiva avaliar os efeitos letais em laboratório de frações purificadas de Ricinus communis e formulados a base de Bacillus thuringiensis subsp. israelensis BR101 para o controle do Aedes spp.. Ovos de Aedes spp. foram coletados por meio de ovitrampas, alocadas no Campus da UTFPR – Dois Vizinhos. A produção do formulado em pó de fermentado à base dessa linhagem ocorreu no Laboratório de Tecnologia Farmacêutica, do Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sendo testadas cinco dissoluções diferentes, 0,00001 mg/L, 0,00005mg/L, 0,0001 mg/L, 0,0005 mg/L e 0,001 mg/L, respectivamentes e um cotrole água. Foi testado tambem o formulado bacteriano comercial VectoBac® WG nas seguintes dissoluções 0,005; 0,008; 0,01; 0,02 e 0,04 mg/L e um controle água. Além desses formulados, foi testado a fração hexânica de R. communis à uma concentração de 500mg/L e uma testemunha água e outra álcool. Todos os tratamentos foram avaliados em um período de 24, 48 e 72 horas respectivamente. O produto comercial VectoBac®WG apresentou eficacia na mortalidade sobre larvas de Aedes spp., com uma CL50 de 0,0005 e CL90 de 0,040, não apresentando mortalidade acima de 5% para testemunha após 72 h de avaliação. O formulado em pó BR101 apresentou uma porcentagem de mortalidade de 100% em todas as concentrações, após 24 horas de avaliação. Já o extrato hexânico de R. communis tambem demonstrou alta efetividade com 100% de mortalidade já em 24 h de exposição e zero mortalidade das testemuhas água e álcool após as 72 h de avaliação. Esses resultados demonstram que tanto o formulado BR 101 quanto a fração hexânica possuem letalidade equiparada ao produto comercial Vectobac ® WG rotineiramente utilizado no controle do vetor Aedes spp., e podem configurar uma alternativa economicamente viável para este fim.