02 - Mestrado - Ciências Biológicas

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    Aplicação de uma análise hierárquica de processos (AHP) para delimitar áreas prioritárias no recrutamento de peixes neotropicais
    (2026-03-13) Fernandes, Augusto Gabriel Jatobá; Orsi, Mário Luís; Bialetzki, Andréa; Gonçalves, Marcelo; Barros, Ana Carolina Vizintim Fernandes
    Resumo: A literatura científica sobre a bacia do rio Tibagi, localizada na porção sul da região Neotropical, a reconhece como um importante refúgio para a biodiversidade da ictiofauna da bacia do Alto Paraná, apesar da intensa atividade antrópica em seu território. Diante da carência de estudos que relacionem variáveis ambientais ao recrutamento de peixes em escala de bacia hidrográfica, o presente trabalho propôs uma abordagem metodológica baseada na integração entre a Análise Hierárquica de Processos (AHP) e Sistemas de Informação Geográfica (SIG), com o objetivo de identificar áreas potencialmente prioritárias ao recrutamento da ictiofauna na bacia do rio Tibagi. Foram considerados seis critérios ambientais reconhecidamente associados ao recrutamento de peixes de água doce: uso e cobertura do solo, declividade, pedologia, densidade de travessias de corpos hídricos, presença de lagoas marginais e áreas de influência de reservatórios hidrelétricos. Os critérios foram convertidos em rasteres temáticos, normalizados e ponderados a partir de matriz de comparações pareadas estruturada com base na literatura científica. O modelo resultante gerou um mapa de adequabilidade ambiental com valores variando entre 0 e 1, representando estimativas espaciais de adequabilidade potencial ao recrutamento. Os resultados indicaram predominância de áreas com adequabilidade moderada, correspondendo a mais de 60% da bacia, enquanto menos de 7% da área total foi classificada como de muito alta adequabilidade. Áreas próximas aos principais centros urbanos apresentaram menores valores de adequabilidade, sugerindo influência indireta da antropização sobre os critérios estruturais analisados. A metodologia demonstrou elevada replicabilidade por utilizar exclusivamente dados públicos e software gratuito, permitindo adaptação para outras bacias hidrográficas. Embora o modelo não mensure diretamente processos biológicos como sobrevivência larval ou sucesso reprodutivo observado em campo, a abordagem proposta pode subsidiar o direcionamento de estudos ecológicos, ações de monitoramento ambiental e estratégias preliminares de conservação da ictiofauna continental
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    Dinâmica populacional e distribuição espaço-temporal do subgênero Mythimna (Pseudaletia) (Lepidoptera: Noctuidae) associados a fatores climáticos no Brasil
    (2026-03-30) Borges, Mateus Henrique da Silva; Dias, Fernando Maia Silva; Fernandes, Flávia Rodrigues; Rosa, Gabriel Lima Medina
    Os lepidópteros da família Noctuidae incluem espécies de grande importância ecológica e econômica, sendo o subgênero Mythimna (Pseudaletia) composto por mariposas associadas a gramíneas e frequentemente consideradas pragas agrícolas no Brasil. Apesar de sua relevância, ainda há lacunas no conhecimento sobre a dinâmica populacional dessas espécies e sua relação com fatores climáticos locais e globais. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar a dinâmica populacional e a distribuição espaço-temporal das espécies de Mythimna (Pseudaletia) em 19 localidades distribuídas nos diferentes biomas brasileiros, investigando a influência da fenologia sazonal, de variáveis climáticas locais e do fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENSO) sobre a abundância das populações. As coletas foram realizadas por meio de armadilhas luminosas ao longo de diferentes safras, totalizando 6.015 indivíduos identificados em três espécies: Mythimna (Pseudaletia) sequax (Franclemont, 1951), Mythimna (Pseudaletia) celiae (Madruga et al., 2022) e Mythimna (Pseudaletia) adultera (Schaus, 1894). A fenologia foi analisada por estatística circular e a relação com variáveis ambientais foi avaliada por meio de Modelos Aditivos Generalizados, considerando efeitos contemporâneos e defasados do ENSO. Os resultados evidenciaram ampla distribuição geográfica de Mythimna (Pseudaletia) sequax (Franclemont, 1951), sendo a espécie mais abundante e com atividade ao longo de todo o ano, caracterizando baixa sazonalidade. Em contraste, Mythimna (Pseudaletia) celiae e Mythimna (Pseudaletia) adultera (Schaus, 1894) apresentaram padrões fenológicos mais estabelecidos e sazonalidade mais definida, com picos de ocorrência no final da primavera e início do verão. Os modelos estatísticos indicaram que a sazonalidade anual é o principal componente explicativo da abundância, enquanto variáveis climáticas locais como temperatura e precipitação apresentaram efeitos secundários. Por outro lado, o índice ENSO demonstrou influência significativa sobre a abundância quando considerado com defasagem temporal de seis meses, indicando que anomalias climáticas de grande escala atuam como moduladoras da dinâmica populacional com efeito defasado. A interação entre ENSO e fenologia revelou que o impacto do fenômeno varia ao longo do ano, afetando de forma distinta as fases do ciclo populacional. Os resultados confirmam que a dinâmica populacional de Mythimna (Pseudaletia) no Brasil é determinada pela integração entre padrões sazonais, condições meteorológicas locais e forçantes climáticas globais. Do ponto de vista aplicado, os achados contribuem para o aprimoramento de estratégias de monitoramento e manejo de pragas agrícolas, destacando a importância de incorporar variáveis climáticas de larga escala e seus efeitos defasados em modelos preditivos. Assim, este estudo amplia o conhecimento sobre a ecologia e fenologia de noctuídeos de importância econômica na região Neotropical
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    Diatomáceas continentais sob estresse climático: a influência do pH e da temperatura no crescimento de duas espécies tropicais
    (2026-04-27) Santos, José Otávio Pagliari dos; Ribeiro, José Eduardo Lahoz da Silva; Marquardt, Gisele Carolina; Oliveira, Halley Caixeta de; Silva, Weliton José da
    Alterações nos habitats aquáticos têm sido observadas, causadas pelos diversos impactos ambientais no clima global com as altas emissões de gases do efeito estufa, sobretudo na temperatura e pH. Esses parâmetros influenciam em aspectos metabólicos dos organismos aquáticos, consequentemente na colonização, sobrevivência e seleção das espécies. As diatomáceas são um grupo de algas diverso, contribuem de forma significativa com a produção primária dos ambientes aquáticos, cadeias tróficas e ciclos biogeoquímicos. Dada a importância desses organismos para a dinâmica dos ecossistemas aquáticos continentais e a falta de estudos sobre os efeitos desses impactos, especialmente com espécies tropicais, o objetivo deste trabalho foi avaliar in vitro os efeitos do pH e temperatura sobre o crescimento de duas espécies de diatomáceas generalistas isoladas a partir de um ambiente tropical. A hipótese 1 foi: a taxa de crescimento populacional, em Nitzschia cf. palea e Gomphonema cf. parvulum, é menor quando exposta a pH e temperatura elevados, e a hipótese 2: alterações do pH, combinadas com o aumento de temperatura, modificam a concentração de Clorofila a (Chl a) de diatomáceas generalistas de ambientes de água doce tropical. Foi estruturado um experimento fatorial 3x3, em que ambos os táxons foram submetidos a diferentes combinações de pH (5,5; 7 e 9,2) e temperaturas (28 ºC, 30 ºC e 32 ºC), totalizando nove tratamentos distintos. Os experimentos tiveram duração de 25 dias, com seis amostragens em intervalos de 4 e 5 dias para avaliar a densidade celular, concentração de Chl a e taxa de crescimento máxima (µmáx). Nas análises estatísticas utilizamos Modelos Lineares Generalizados Mistos (GLMMs) para Chl a, e Modelo Linear Múltiplo (LM) seguido da Análise de Variância Fatorial Tipo III (ANOVA Tipo III) e teste de Tukey para comparação dos valores de µmáx entre os grupos. Nossos resultados demostraram que a temperatura é o principal componente de mudança de crescimento, mesmo em táxons generalistas, o efeito do pH foi detectado apenas na menor temperatura testada (28 ºC). A hipótese 1 foi parcialmente aceita apenas para Gomphonema cf. parvulum, e rejeitada pela indiferença dos valores µmáx demostrados por Nitzschia cf. palea nas condições experimentadas. A hipótese 2 foi parcialmente aceita pela resposta de ambas as espécies aos tratamentos na temperatura de 28 ºC. Nossos dados concordam com trabalhos similares em relação a outras espécies, e contribuem para a previsão dos impactos gerados pela poluição climática, e para o conhecimento da ecologia das espécies em relação aos parâmetros físico-químicos avaliados
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    Diversidade e contribuição funcional em comunidade de aves em zona de transição entre dois tipos de floresta na Mata Atlântica
    (2026-02-20) Bortolloti, Matheus Eduardo; Anjos, Luiz dos; Lima, Marcos Robalinho; Filho, José Carlos Morante; Farneda, Fábio Zanella
    Resumo: Em um cenário global de declínio e homogeneização da biodiversidade, a ecologia funcional surge como uma ferramenta essencial para compreender as consequências das alterações antrópicas nos serviços ecossistêmicos. Este estudo investigou a estrutura funcional de comunidades de aves em uma Zona de Transição (ZT) entre a Floresta Estacional Semidecidual (FES) e a Floresta Ombrófila Mista (FOM), no hotspot da Mata Atlântica do sul do Brasil. O objetivo foi avaliar se a comunidade de aves dessas áreas traduz-se em redundância ou em singularidade funcional, fatores determinantes para a resiliência regional dos ambientes. As comunidades foram amostradas pelo método de pontos de escuta. Foram utilizados dados morfológicos e ecológicos para a construção de hipervolumes de densidade de Kernel, calculando-se as métricas de Riqueza Funcional (FRic), Dispersão (FDis), Equitabilidade (FEve) e contribuição funcional. As diferenças entre ambientes foram analisadas via Teste t pareado. A similaridade e singularidade funcional foram estimadas pelo índice de Jaccard e pela fração de singularidade (fraction unique) respectivamente, comparando-se a ZT a um espaço funcional "Global" (FES + FOM). Registramos um total de 170 espécies (36 famílias), distribuídas em: 94 na FES, 110 na FOM e 113 na ZT. A ZT apresentou maior riqueza funcional (FRic) em comparação às áreas adjacentes e maior dispersão (FDis) em relação à FOM (p < 0,05). Não houve diferença significativa na equitabilidade (FEve), indicando distribuições de abundância semelhantes no espaço funcional. A sobreposição funcional entre a ZT e o espaço Global foi de 72% (Jaccard), contudo, a ZT apresentou um espaço funcional exclusivo de 13%, evidenciando traços não compartilhados com os outros dois ambientes. Concluimos que a conservação de zonas de transição entre os hábitats principalmente dentro de hotspots se mostram cruciais para a preservação da diversidade funcional em paisagens naturais e fragmentadas, garantindo a manutenção de uma ampla gama de funções ecossistêmicas fundamentais para a sociedade. Nesse contexto, a degradação ou perda das zonas de transição não representa apenas perda de espécies, mas também pode resultar em extinções funcionais, comprometendo a capacidade dos ecossistemas de desempenhar funções críticas, e de manter ligações entre si, neste sentido, maior atenção deveria ser dada à conservação de zonas de transição
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    O fenômeno El Niño oscilação sul em um rio fragmentado: um estudo da influência sob a precipitação, fatores abióticos e ovos e larvas de peixes
    (2026-03-17) Pena, Gabriele Rossatto; Orsi, Mário Luis; Ely, Deise Fabiana; Jerep, Fernando Camargo
    A mudança do clima tem alterado a frequência do fenômeno El Niño Oscilação Sul intensificando eventos climáticos extremos e alterações nos padrões de precipitação e temperatura em todo o globo. Chuvas extremas são mais prejudiciais à biodiversidade local do que o aumento na média da temperatura global em si. A precipitação é o principal motor de flutuações hidrológicas em sistemas tropicais e está intrinsicamente relacionada com o ciclo de reprodução e a história de vida dos peixes. Poucos estudos têm avaliado o efeito do fenômeno na ictiofauna neotropical em um rio fragmentado. O objetivo deste estudo foi comparar como o El Niño e La Niña afetam o rio Paranapanema, buscando encontrar diferenças nos padrões de precipitação, os parâmetros abióticos e a densidade de ovos e larvas de peixes entre as fases do fenômeno. A avaliação da precipitação foi realizada através de estações meteorológicas localizadas nos municípios de estudo com dados fornecidas pela Agência Nacional das Águas enquanto a classificação do fenômeno foi obtida através do Oceanic Niño Index (ONI) disponibilizado pelo e o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), enquanto a amostragem dos fatores abióticos e de ovos e larvas foram realizadas em duas etapas, a primeira nos anos de 2013-2014 e a segunda durante os anos de 2019 – 2022 em duas áreas de reservatório de usinas hidrelétricas e áreas de transição. Os principais resultados mostraram a fase neutra no fenômeno com a menor média de precipitação. Entre os dois ambientes estudados, o local B através do teste de Kruskal-Wallis apresentou diferenças estatísticas significativas nos parâmetros abióticos entre as fases do fenômeno. Não foram encontradas influências do fenômeno na densidade de ovos e larvas de peixes, porém foi encontrada diferença estatística significativa entre a comparação de dois períodos neutros. Esses resultados apontam o ENOS como um fenômeno modulador no sistema e são essenciais para compreensão dos impactos do fenômeno em ambientes já altamente antropizados
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    Diferenças na estrutura das comunidades de abelhas Euglossini de remanescentes de Mata Atlântica no norte do Paraná
    (2026-02-25) Marcuz, João Caetano; Sofia, Silvia Helena; Ribeiro, Milton Cezar; Aguiar, Willian Moura de
    O norte do Paraná sofreu rápido processo de desmatamento que eliminou quase toda sua cobertura original de Mata Atlântica, representada pela fitofisionomia Floresta Estacional Semidecidual (FES). Nesse cenário, torna-se relevante compreender como comunidades de abelhas estão estruturadas nos remanescentes florestais e os efeitos da paisagem fragmentada nesses insetos. O presente estudo amostrou machos de Euglossini (Hymenoptera: Apidae) em dez remanescentes de Mata Atlântica e mapeou e caracterizou a paisagem do entorno destes remanescentes. Os machos foram coletados com rede entomológica atraídos a iscas odoríferas de sete fragrâncias. Em cada local, foram realizadas oito amostragens de três horas de duração, totalizando 24h de esforço, entre outubro de 2024 e março de 2025. A diversidade das comunidades foi estimada para cada ponto de coleta, assim como índices de similaridade/dissimilaridade para acessar a ß-diversidade entre áreas. Para analisar os efeitos da composição e da configuração da paisagem sobre a estrutura das comunidades, utilizamos o Fator de Inflação da Variância (VIF) e modelos lineares generalizados (GLM, do inglês) em diferentes escalas espaciais. Foram coletados 1442 indivíduos, distribuídos em quatro gêneros (Euglossa, Eulaema, Eufriesea e Exaerete) e 11 espécies, com a espécie Eulaema cingulata Fabricius registrada pela primeira vez no norte do Paraná. A riqueza variou de sete a dez espécies por fragmento e a abundância de machos coletados oscilou de 58 a 246 indivíduos. Os índices de diversidade de Shannon variaram de 0,58 a 1,82; a dominância de Berger Parker, de 0,26 a 0,85; e a equidade de Pielou, de 0,30 a 0,88. Dentre os resultados, foi registrada uma ampla variação na abundância de Euglossa annectans Dressler, espécie mais frequente do estudo (45,7% dos indivíduos), presente em nove fragmentos florestais. Esta espécie foi dominante em sete áreas, representando 85% da amostra em um remanescente de uma propriedade privada (Fazenda Paiquerê), mas apenas 13% em um Parque Municipal. O Parque Estadual de Ibiporã, apesar de pequeno e urbano, apresentou a maior riqueza de espécies. Em relação a beta diversidade, os valores do índice de Renkonen variou de 13,76 a 87,72. Os resultados revelam que embora as comunidades de Euglossini no norte do Paraná compartilhem grande parte das espécies, elas diferem substancialmente em sua organização quantitativa e em sua composição proporcional. Nossos resultados indicam influência -diversidade das comunidades amostradas, em especial a riqueza, com redução no número de espécies com o aumento do número de fragmentos. Tais informações reforçam o caráter bioindicador das abelhas Euglossini frente as alterações de habitat e podem subsidiar medidas de manejo voltadas à conservação, especialmente em áreas que apresentaram baixa diversidade e forte dominância de poucas espécies.
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    Efeito da fragmentação florestal no mutualismo entre Ficus e seu polinizador
    (2017-06-21) Pires, Hugo Henrique; Ribeiro, José Eduardo Lahoz da Silva; Bianchini, Edmilson; Faria, Aparecida Donisete de
    Resumo: O processo de fragmentação do habitat é uma das maiores causas de perda de biodiversidade, principalmente em espécies que possuem um mutualismo obrigatório. Esse tipo de mutualismo pode ser encontrado entre figueiras (Ficus L., Moraceae) e suas vespas polinizadoras (Hymenoptera, Chalcidoidea). Três grupos ecológicos distintos são encontrados nas vespas de figo: (1) vespas polinizadoras, que são mutualistas; (2) vespas não-polinizadoras, incluindo galhadoras primárias e inquilinas (espécies fitófagas que ovipositam em galhas induzidas previamente por outra espécie fitófaga) e (3) vespas não-polinizadoras que são parasitóides de outras vespas de figo. Neste trabalho foram quantificadas as vespas polinizadoras, não polinizadoras e aquênios por figo em áreas com diferentes níveis de fragmentação. Foi testada a hipótese de que o tamanho do fragmento influencia a relação entre Ficus eximia e as vespas polinizadoras e não polinizadoras. Para a análise dos dados foi gerado um modelo linear generalizado para cada área estudada. Os dados mostraram que as diferenças entre o número de vespas polinizadoras e não polinizadoras não possuem relação com o nível de fragmentação da área estudada. Portanto para a espécie Ficus eximia a fragmentação não mostrou um efeito claro na quantidade de vespas polinizadoras e não polinizadoras
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    Efeitos do provisionamento no orçamento de atividades dos macacos-prego Sapajus nigritus cucullatus (Goldfuss, 1809) (Primates, Cebidae) em um parque urbano
    (2026-04-22) Awane, Guilherme Akira; Magnoni, Ana Paula Vidotto; Anjos, Luiz dos; Coutinho, Paulo Henrique Modena; Lousa, Túlio Costa
    Resumo: A provisão alimentar, fornecimento de alimento padronizado temporalmente e espacialmente, presente em ambientes urbanos pode afetar a proporção de tempo investido em determinados comportamentos, como alimentação, forrageio e deslocamento. O macaco-prego é uma espécie de primata neotropical que sofre com a fragmentação dos habitats, o que eventualmente leva as populações a estabelecer contato com a matriz urbana e com recursos alimentares antropogênicos, por vezes sendo provisionados por humanos nesses fragmentos. Contudo, poucos são os estudos sobre o orçamento de atividades, como os animais distribuem suas atividades ao longo do tempo, dessas populações urbanas e os potenciais efeitos da provisão são desconhecidos. Portanto, este trabalho tem como objetivo analisar os efeitos da provisão alimentar no orçamento de atividade dos macacos-prego (Sapajus nigritus cucullatus) que habitam o Parque Municipal Arthur Thomas, um parque urbano do município de Londrina, Paraná. Os comportamentos foram registrados utilizando a amostragem de varredura e os resultados foram analisados por meio de modelos lineares generalizados mistos (GLMM), testes de medianas e testes de independência. A provisão alimentar não alterou o orçamento de atividades dos macacos-prego (Alimentação: Z = 0,93; p = 0,34; Forrageio: Z = -0,89; p = 0,36; Descanso: Z = 0,27; p = 0,78; Social: Z = 0,06; p = 0,94) e também não alterou a preferência entre ambiente natural e edificado (Alimentação: Z = -0,95; p = 0,34; Forrageio: Z = -1,29; p =0,20; Descanso: Z = -0,5; p = 0,60; Social: Z = -1.11; p = 0,26)
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    Vigilância integrada de Culicidae em Porecatu, Paraná: monitoramento de vetores, detecção de arbovírus e identificação de hospedeiros
    (2026-03-27) Reche, Felipe Augusto; Zequi, João Antonio Cyrino; Silva, Mario Antônio Navarro da; Roque, Rosemary
    Resumo: O processo de urbanização e a ocupação desordenada do ambiente favorecem a proliferação de culicídeos hematófagos, especialmente espécies sinantrópicas dos gêneros Aedes e Culex, importantes vetores de arboviroses de impacto em saúde pública. Este estudo teve como objetivo integrar o monitoramento populacional de Aedes spp., a análise de sua flutuação em relação a variáveis climáticas, a detecção de vírus e a identificação de fontes alimentares de mosquitos, em área urbana e rural do norte do Paraná. No município de Porecatu (PR), o monitoramento com ovitrampas ocorreu alta infestação ao longo de todo o período amostral, com milhares de ovos coletados e elevados índices de positividade (IPO) e densidade de ovos (IDO). Apesar de correlações fracas entre IDO e variáveis climáticas, observou-se influência de ações antrópicas, como a remoção de criadouros, na redução da densidade populacional. A vigilância foi complementada com a coleta de fêmeas adultas de Aedes aegypti e análise por RT-PCR, não sendo detectada a presença de arbovírus nas amostras avaliadas. Em área de assentamento rural no mesmo município, além do monitoramento por ovitrampas, foram realizadas coletas de mosquitos adultos para análise molecular. Também não foi detectado o vírus da Febre do Nilo Ocidental (FNO), porém a identificação de fontes alimentares revelou predominância de aves domésticas (Gallus gallus Linnaeus, 1758), além de suínos (Sus scrofa domesticus Linnaeus, 1758) e aves silvestres (Brotogeris chiriri Linnaeus, 1758), evidenciando a interface entre ambientes antrópicos e silvestres e o potencial risco para a manutenção de ciclos enzoóticos. De forma integrada, os resultados demonstram a persistente infestação de mosquitos vetores em diferentes contextos socioambientais e reforçam a importância da vigilância entomológica associada a ferramentas moleculares. A combinação do monitoramento populacional, detecção viral e identificação de hospedeiros constitui uma estratégia essencial para o entendimento da dinâmica de transmissão e para a implementação de medidas preventivas, contribuindo para a redução do risco de surtos e melhoria da saúde pública
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    Exposições orais de abelhas Scaptotrigona postica ao geraniol e nanogeraniol: mortalidade, estresse oxidativo e comportamento
    (2025-03-26) Tavares, Isabela Toninato; Sofia, Silvia Helena; Martinez, Claudia Bueno dos Reis; Potrich, Michele; Santos, Caroline; Alvim, Tiago Tomiama
    As abelhas são polinizadores essenciais para a manutenção da biodiversidade, porém, as atividades antrópicas, especialmente o uso de agrotóxicos, impactam esses organismos não-alvo. Nesse contexto, os agrotóxicos nanoencapsulados surgem como uma alternativa mais segura, pois permitem a liberação controlada de seus compostos. O geraniol, um óleo essencial com ação inseticida e fungicida, tem surgido como alternativa aos agrotóxicos sintéticos, sendo necessário avaliar seus efeitos em organismos não-alvo. O presente estudo visou avaliar a toxicidade de exposições agudas (24 e 72 h) do geraniol na sua forma livre e nanoencapsulada em operárias campeiras de Scaptotrigona postica (Apidae, Meliponini). As abelhas foram submetidas à exposição oral em cinco diferentes tratamentos (na concentração de 5 mg.mL⁻¹): geraniol nanoencapsulado (NANO), geraniol livre (GER), nanocápsulas de zeína sem o composto ativo (ZEI), tensoativo Pluronic F-68® (PLU) e o grupo controle, somente com a alimentação padrão (CTR). Os efeitos dos tratamentos foram avaliados sobre a mortalidade, biomarcadores relacionados ao comportamento destes insetos, e biomarcadores de estresse oxidativo. Abelhas operárias adultas foram coletadas na entrada de cinco colônias de S. postica e distribuídas em recipientes plásticos (500 mL), com cerca de 14 indivíduos por unidade amostral. Após a exposição aos tratamentos, a mortalidade foi avaliada em 24 e 72h. As abelhas sobreviventes foram transferidas para uma placa de Petri, onde seu comportamento foi registrado e posteriormente analisado pelo software Ethoflow, considerando distância percorrida, velocidade média, tempo de descanso, número de paradas e locomoção sinuosa. As análises bioquímicas foram executadas utilizando o tecido do abdômen dessas abelhas para realizar a avaliação da lipoperoxidação (LPO), análise da concentração de glutationa (GSH), a atividade da glutationa-S-transferase (GST) e a atividade da catalase (CAT). Os resultados obtidos indicam que as exposições agudas orais realizadas não resultaram em alterações significativas na mortalidade, ou nos comportamentos locomotores desta espécie. Entretanto, foram observados efeitos subletais, incluindo a redução da atividade da GST após 72h em todos os tratamentos em comparação com o grupo CTR. Além disso, os níveis de GSH diminuíram tanto em 24h quanto em 72h. Em 24h, essa redução foi significativa no grupo PLU em relação ao CTR e NANO, enquanto em 72h a diminuição foi observada nos grupos PLU, GER e NANO em comparação ao CTR. Porém, a ausência de efeitos significativos na ocorrência de LPO e na atividade da CAT sugere que essas alterações representam uma resposta inicial ao estresse oxidativo, sem causar um desbalanço crítico na homeostase celular. Os resultados deste estudo destacam a relevância de investigar os impactos de agrotóxicos naturais e suas formulações nanoencapsuladas em abelhas nativas, auxiliando em uma avaliação mais abrangente da segurança ambiental dessas substâncias
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    Análise dos compostos da glândula tibial de machos Euglossini (Hymenoptera: Apidae) em fragmentos de Mata Atlântica no norte do Paraná
    (2025-02-26) Cesar, Giovanna Gabriely; Sofia, Silvia Helena; Alves, Denise de Araújo; Augusto, Solange Cristina; Toci, Aline Theodoro
    A tribo Euglossini pertence à família Apidae e inclui cerca de 250 espécies, distribuídas em cinco gêneros. Estas abelhas desempenham papel importante na polinização de dezenas de famílias de Angiospermas, sobretudo espécies de orquídeas. Os machos da tribo possuem comportamento característico de coletar e armazenar, nas tíbias posteriores, fragrâncias de fontes florais e não-florais, compondo um “buquê” espécie-específico, que tem função na atração de fêmeas para o acasalamento. Poucos estudos avaliam a elaboração destes buquês de compostos em ambientes fragmentados, como é o caso da Mata Atlântica. O objetivo deste trabalho foi analisar os compostos presentes no conteúdo tibial de machos de Euglossa annectans Dressler, 1982 e Euglossa pleosticta Dressler, 1982, amostrados em sete fragmentos de Mata Atlântica no norte do Paraná, verificando variações nos buquês, a depender do fragmento. As coletas foram realizadas em quatro fragmentos em área rural e três fragmentos urbanos. Os machos foram atraídos a iscas odoríferas e o conteúdo das tíbias posteriores destes (E. annectans – n = 70; E. pleosticta – n = 68) foi analisado em um sistema de cromatografia em fase gasosa acoplado a um espectrômetro de massas (CG-EM). Estes machos também foram classificados quanto ao nível de desgaste alar, em busca de testar a correlação deste traço com a composição de compostos químicos encontrados. Adicionalmente, foram analisadas amostras provenientes da cabeça de indivíduos das duas espécies (possível conteúdo da glândula labial cefálica e hidrocarbonetos cuticulares), sendo os compostos encontrados excluídos das análises de conteúdo tibial. Foram identificados 336 compostos no conteúdo tibial de E. annectans e 347 para E. pleosticta, com 125 químicos comuns às duas espécies. A maioria dos compostos achados foi da classe dos terpenos, para as duas espécies. Para E. annectans, somente 24 compostos foram comuns a todas as áreas e, para E. pleosticta, apenas 37 apareceram nas sete áreas. Assim, foi vista alta variação e dissimilaridades consideráveis entre as áreas de amostragem, para as duas espécies. Também, foi vista uma dissimilaridade alta entre as espécies. O número de compostos por área variou de 65 a 144, para E. annectans e 97 a 151 para E. pleosticta. Além disso, houve alta variação no número de compostos por indivíduo, para as duas espécies, variando de 4 a 58 para E. annectans e 6 a 53 para E. pleosticta. Verificamos uma baixa relação entre desgaste alar, indicador de idade, e a composição do conteúdo tibial, para as duas espécies. Diante dos resultados, o trabalho contribui para a caracterização das substâncias químicas coletadas e armazenadas por machos destas espécies e das variações que uma paisagem fragmentada e heterogênea pode gerar na elaboração dos buquês, de forma intraespecífica.
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    Ontogenia do esqueleto de Leporinus oliveirai (Characiformes: Anostomidae)
    (2025-02-18) Boaretto, Mariana Pascoal; Birindelli, José Luís Olivan; Sidlauskas, Brian L.; Marinho, Manoela Maria Ferreira
    O esqueleto é uma rica fonte de caracteres usado em estudos filogenéticos de peixes. Entretanto, o desenvolvimento dos ossos não tem sido estudado em detalhe, e poucos estudos descrevendo a ontogenia do esqueleto de Characiformes foram publicados. Trazemos a primeira descrição completa da ontogenia do esqueleto de um anostomídeo, Leporinus oliveirai, baseada em oitenta e nove espécimes criados em cativeiro e amostrados nos primeiros 60 dias pós-eclosão, com tamanho variando de 3,8 mm (comprimento notocordal, CN) a 33,2 mm (comprimento padrão, CP). Destes, sessenta e três espécimes foram diafanizados e subsequentemente dissecados e fotografados. A sequência do desenvolvimento de 141 elementos esqueléticos foi acompanhada e é apresentada. Fotografias de todos os complexos anatômicos são apresentadas ao longo do desenvolvimento. Os ossos começam a aparecer em indivíduos com 5,1 mm CN e o desenvolvimento completo foi observado apenas em juvenis com 29,7 mm CP. As principais descobertas incluem a presença de numerosos dentes cônicos no pré-maxilar e dentário, em indivíduos de 5,1 mm CN a 10,4 mm CP, que são substituídos por três ou quatro dentes grandes incisiformes multicuspidados, e posteriormente por dentes unicuspidados nos juvenis e adultos. Os infraorbitais 4 e 5, vistos apenas em juvenis, se desenvolvem fusionados, condição oposta a presente em grande parte dos anostomídeos. O primeiro osso a se desenvolver é o cleitro (5,1 mm CN) e os últimos os infraorbitais 4, 5 e 6, extraescapular e esclerótico (27,2-29,7 mm CP), o que é similar ao desenvolvimento de outros Characiformes. A cartilagem do autopalatino inicia seu desenvolvimento com formato oval e reto em direção a placa etmoidal, se curvando ao longo do desenvolvimento. A sequência de desenvolvimento é comparada com outros Characiformes e as características únicas de Anostomidae são discutidas em relação a evolução do grupo e suas relações filogenéticas
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    Repertório de manipulação de objetos em macacos-prego-pretos Sapajus nigritus cucullatus (Goldfuss, 1809) em dois fragmentos florestais urbanos no município de Londrina, Paraná, Brasil
    (2025-03-07) Saraiva, Gabriel Leite; Magnoni, Ana Paula Vidotto; Lousa, Túlio Costa; Aguiar, Lucas de Moraes
    As espécies de primatas apresentam um complexo comportamento de manipulação de objetos com diferentes funções. Macacos-prego apresentam manipulações que podem ser divididas em quatro categorias: Manipulação Simples (MS), Manipulação Combinatória 1 (C1), Manipulação Combinatória 2 (C2) e Manipulação Combinatória 3 (C3), descrevendo as formas como os animais apresentam um vasto repertório de movimentos de segurar, manipular e bater objetos. Os macacos-prego-pretos, Sapajus nigritus cucullatus, estão distribuídos pela região neotropical e exibem uma variedade de comportamentos manipulativos, de acordo com sua ecologia e sociabilidade. O presente estudo teve como objetivos levantar o comportamento de manipulação de objetos exibidos por duas populações de macacos-prego-pretos Sapajus nigritus cucullatus em dois fragmentos florestais urbanos no município de Londrina, Paraná, Brasil e comparar a influência das classes sexo-etárias e dos locais na ocorrência das classes de manipulação de objetos. O estudo contou com uma amostragem pelo método animal focal por um período de um ano e foi realizado no Parque Municipal Arthur Thomas e na Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR. Os comportamentos de manipulação foram registrados de acordo com sua classe e origem do objeto manipulado. Modelos lineares generalizados, da família binomial foram elaborados para verificar a influência das classes sexo-etárias e dos locais na ocorrência das classes de manipulação. As análises não detectaram diferenças estatísticas entre os locais e, para as classes sexo-etárias, foi observada diferença apenas entre juvenis e fêmeas adultas em uma única classe de manipulação. Ademais, foi registrado pela primeira vez o comportamento de malabarismo em Sapajus nigritus cucullatus.
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    Resistência à seca em mudas de espécies nativas da floresta estacional semidecidual
    (2025-03-18) Rodrigues, Larissa Cerqueira Dias; Torezan, José Marcelo Domingues; Moreira, Renata Stolf; Podadera, Diego Sotto
    O objetivo deste estudo foi pesquisar a resistência à seca de espécies arbustivas e arbóreas abundantes em fragmentos florestais ou amplamente utilizadas em projetos de restauração da Floresta Estacional Semidecidual (FES). Foram conduzidos experimentos de déficit hídrico (DH) severo em casa de vegetação com 34 espécies nativas da FES. O DH foi aplicado em 10 mudas de cada espécie, e outras 10 mudas foram mantidas em capacidade de campo, atuando como o grupo controle (CC). A condutância estomática (gs) de todos os indivíduos foi medida diariamente até haver uma redução de ~50% da gs inicial, quando alcançaram esse valor, foi feita a medição do potencial de água (Ψw) do caule de cinco mudas de cada tratamento. O restante das mudas foi observado até sua morte com a utilização de um Protocolo de Identificação Visual do DH (PIV) que é utilizado para atribuir notas ao nível de DH. Quando atingiram a nota 5 (morte da parte aérea), elas foram reidratadas para avaliar a capacidade de rebrota. A influência das espécies e dos tratamentos sobre a gs e o Ψw foram analisadas por Modelos Lineares Generalizados (GLMs), e por comparações múltiplas post-hoc par a par, visando compreender quais espécies responderam de forma semelhante ao DH. O mesmo procedimento foi aplicado para analisar o efeito das espécies sobre o tempo para as plantas atingirem a nota 5 do PIV. Também foi utilizado um GLM para averiguar a influência das respostas fisiológicas sobre o tempo para as espécies sofrerem morte da parte aérea. E uma Regressão Linear Multipla (RLM) para investigar a influência dos traços funcionais - área foliar específica (AFE) e razão raiz/parte aérea (R/PA) - sobre o tempo para as espécies sofrerem morte da parte aérea. Os resultados indicaram que as espécies apresentam diferentes repostas de gs e de Ψw quando submetidas ao DH (p < 0.01). Além disso, também foi encontrada diferença significativa no tempo para atingirem a nota 5 do PIV (p < 0.01). Para estes três modelos, houve um gradiente de respostas e a formação de vários grupos pelas comparações múltiplas. As espécies que sofreram a morte da parte aérea mais rapidamente foram C. pachystachya, T. micrantha, A. virgata, I. vera e R. armata, dessa forma, essas espécies são mais sensíveis à seca. Enquanto C. speciosa, F. guaranítica, E. contortisiliquum e P. rígida foram as que demoraram mais tempo para apresentar a morte da parte aérea, sendo mais resistentes à seca. O Ψw influenciou positivamente o tempo para a morte da parte aérea (p = 0.04), enquanto a gs, a AFE e a razão R/PA não causaram efeito significativo (p=0.93, p = 0.28). Além disso após serem reidratadas no viveiro, foi observada rebrota das espécies A. integrifolia, A. virgata, Cordia ecalyculata, Eugenia pyriformis, F. guaranitica e T. micranta. Os resultados desta pesquisa contribuem para a compreensão das respostas de espécies nativas da FES ao DH e permitem identificar espécies com maior ou menor resistência à seca. Espera-se que estes achados auxiliem na escolha estratégica de espécies mais resistentes à seca para a utilização em projetos de restauração florestal e que estes dados sejam utilizados para prever as respostas desse ecossistema às mudanças climáticas.
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    Da paisagem rural à paisagem urbana: quais fatores afetam a comunidade de borboletas em área de Mata Atlântica no sul do Brasil?
    (2025-04-29) Theodoro, Lucas Mastellini; Dias, Fernando Maia Silva; Santos, Eduardo Carneiro dos; Fernandes, Flavia Rodrigues; Alvarenga, Carlos Eduardo
    As grandes cidades estão cada vez maiores, ocupando mais espaço, com metade da população mundial vivendo em centros urbanos. As áreas verdes que ocupavam os arredores das cidades foram substituídas por lavouras e pastos, tornando a paisagem alterada. Londrina e sua região metropolitana se enquadram nesse panorama de uma cidade grande que possui fragmentos de remanescentes florestais inseridos em matrizes urbanas, periurbanas e rurais, criando um gradiente de paisagem. O estudo pretende analisar a influencia do grandiante sob a comunidade de borboletas dentro dessas áreas selecionadas, três para cada categoria de matriz, para elucidar como a riqueza e abundância desse grupo está estruturado ao longo deste gradiente, considerando variáveis e filtros seletores de paisagem e fragmento que atuam como pressão ambiental
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    Borboletas frugívoras em um remanescente de mata atlântica e sítios de restauração ecológica adjacentes.
    (2025-02-25) Sebben, Julia; Dias, Fernando Maia Silva; Prado, Marcio Uehara; Torezan, José Marcelo
    A fragmentação da Mata Atlântica tem levado à perda significativa de biodiversidade, neste cenário, na região norte do estado do Paraná, a Floresta Estacional Semidecidual é a fitofisionomia mais ameaçada, onde grande parte de sua cobertura original foi convertida em áreas de produção agrícola. A restauração ecológica é uma estratégia fundamental para reverter os danos, degradação e a destruição dos ecossistemas florestais visando recuperar condições ambientais que sejam equivalentes ou muito próximas às originais. O uso de indicadores ecológicos é essencial para avaliar o sucesso e os níveis de restauração que determinados ambientes se encontram, neste contexto, os lepidópteros são um grupo muito especial de indicadores ecológicos devido a sua rápida reprodução, estreita associação com fatores físicos específicos e recursos vegetais, e sensibilidade significativa a mudanças ambientais. O objetivo deste estudo foi comparar a comunidade de borboletas frugívoras em áreas com diferentes métodos e idades de restauração ecológica e uma área de remanescente de floresta estacional semidecidual utilizada como ecossistema de referência no Parque Estadual de Ibicatu, Paraná, buscando entender as diferenças na diversidade de espécies nesses ambientes. A amostragem foi realizada entre dezembro de 2023 a junho de 2024 utilizando armadilhas atrativas do tipo Van Someren-Rydon para captura de borboletas frugívoras. Os principais resultados indicam que o ecossistema de referência apresentou maior riqueza e abundância de espécies em comparação com as áreas de regeneração. Os três ambientes apresentaram diferenças na composição de espécies, revelando uma substituição de espécies generalistas para espécies especialistas à medida que a restauração avança, e uma certa dominância de espécies entre os diferentes ambientes amostrados, sugerindo uma espécie potencialmente indicadora. Semelhanças entre as amostras apontam uma influência do ecossistema de referência sobre as áreas de restauração ecológica. Esses resultados reforçam a importância de estratégias de conservação que considerem a conectividade entre áreas de restauração e fragmentos florestais preservados e a importância da utilização de borboletas frugívoras como indicadoras para o monitoramento de restauração dos fragmentos florestais.
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    Influência da temperatura sobre o estabelecimento da comunidade de diatomáceas perifíticas.
    (2023-06-03) Pinheiro, Thiago Ferreira; Silva, Weliton José da; Magnoni, Ana Paula Vidotto; Orsi, Mário Luís; Jati, Sucicley
    A temperatura é uma condição que interfere no desenvolvimento de organismos, incluindo as diatomáceas. Este grupo de algas apresenta grande importância ecológica nos em ambientes aquáticos, A resposta dessas comunidades às variações de temperatura ainda é pouco estudada e, quando se trata de ambientes aquáticos tropicais é considerada totalmente desconhecida. Esse contexto se torna ainda mais sério quando experenciamos a degradação cada vez mais associada de ambientes tropicais e quando estudos apontam cenários futuros relacionados a mudanças climáticas e alterações de temperatura globais, afetando significativamente a biodiversidade das diatomáceas. Logo, é necessário compreender a estruturação dessa comunidade em resposta às variações de temperatura em ambientes tropicais e altamente degradados, como a Mata Atlântica. Com isso, o presente estudo buscou diagnosticar o efeito do aumento da temperatura sobre o estabelecimento e desenvolvimento de comunidades de diatomáceas em ambientes da Mata Atlântica, testando a hipótese de que o aumento da temperatura influencia na estruturação das comunidades de diatomáceas na Mata Atlântica. O delineamento experimental ocorreu com a instalação de três tratamentos de temperatura (28 °C, 30 °C e 32 °C), em um dos tanques do LEACEN-UEL. Utilizamos lâminas como substrato artificial para a análise do processo de colonização de diatomáceas perifíticas. As amostras foram coletadas a cada 4 dias e passaram por processos de raspagem, fixação em solução de Transeau, lavagens com água destilada, oxidação, triagem, fotografia e contagem em microscópio ótico, sendo medidas e identificadas. Os parâmetros abióticos, como nutrientes e parâmetros físico-químicos da água do tanque e dos tratamentos, foram aferidos. O processo de estruturação da comunidade de diatomáceas foi analisado através de atributos da comunidade. Foram registradas 40 espécies de diatomáceas durante o período do experimento. D. confervacea, G. lagenula, N. amphibia, A. tropicocatenatum e F. capucina foram as espécies mais abundantes, sendo as duas últimas as mais representativas. Os valores de abundância relativa de ambas foram inversamente proporcionais indicando coexistência, concorrência por espaço e recursos em águas oligotróficas do tanque. Para os valores de clorofila a, não houve uma forte relação entre a abundância das espécies representativas nos tratamentos e seus valores, sugerindo que outros grupos de algas possam estar relacionados às concentrações de clorofila a observadas. Não foram encontradas diferenças significativas entre as variáveis físico-químicas da água nos diferentes tratamentos. Portanto, a temperatura emerge como o principal parâmetro, permitindo avaliar com maior acuracidade sua interferência na estrutura das comunidades dos grupos algais estudados. As temperaturas mais baixas favoreceram a coexistência de diferentes espécies de diatomáceas, resultando em uma comunidade mais rica, diversa e equitativa. Por outro lado, as temperaturas mais elevadas influenciaram ter influenciado negativamente, diminuindo a diversidade e aumentando a uniformidade da comunidade, além de promover o domínio de algumas espécies mais adaptadas às condições térmicas mais elevadas.
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    Sistemas de polinização em afloramentos rochosos basálticos na região de Lerroville, Londrina, Paraná, Brasil.
    (2023-08-31) Gardiolo, Cecilia Pellacani; Ribeiro, José Eduardo Lahoz da Silva; Marques, Rosimar Maria; Oliveira, Halley Caixeta de
    A teoria OCBIL (paisagem antiga, climaticamente tamponada e infértil) é um conceito relativamente novo em ecologia, que tende a explicar como a biodiversidade é mantida em diferentes paisagens. Essa teoria estabelece hipóteses para testar as previsões sobre os padrões de evolução, diversificação e características funcionais das espécies. Uma das hipóteses abordadas é o Efeito James, que se refere a um padrão observado nas comunidades vegetais pequenas/isoladas, o qual, sugere que as plantas polinizadas em OCBILs desenvolveram mecanismos para promover a recombinação genética. Os sistemas de polinzação por longa distância mantém altos níveis de heterozigosidade, facilitando a troca genética entre individuos e populações de plantas isoladas geograficamente, como ocorre nos afloramentos rochosos basálticos no Terceiro Planalto do Paraná. Portanto esse estudo pretende responder se há a prevalência de ocorrência de polinizadores capazes de se deslocar por longas distâncias, necessários para garantir a polinização cruzada e, consequentemente a variabilidade genética, em populações isoladas das espécies de plantas presentes nos afloramentos rochosos localmente restritos no distrito de Lerrovile, Londrina, Paraná. Foram adotados 12 sistemas de polinização, com 5 critérios de precisão para aferir os polinizadores. As categorias de 1 a 3 incluem observações diretas, no campo, de visitantes florais e polinizadores. Já nas categorias 4 e 5, o polinizador é inferido com base em evidências indiretas. Nesta área foram observadas 29 espécies de plantas, pertencentes a 22 gêneros e 15 famílias. As famílias mais representativas nas áreas do afloramento foram Bromeliaceae, Cyperaceae, Fabaceae, Gesneriaceae e Plantaginaceae. O sistema de polinização predominante foi “diversos animais” sendo responsáveis por 27,58% das interações dos polinizadores, seguidas por “vento” (20,68%) e “abelha pequena” (17,24%). Portanto, o estudo demonstra que não há a prevalência de polinizadores longas distâncias, não corroborando com a hipótese levantada.
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    Fenologia e sistemas reprodutivos de espécies de Meliaceae em floresta estacional semidecidual do sul do Brasil
    (2013-10-11) Schimitt, Jamile Augusta; Ribeiro, José Eduardo Lahoz da silva; Buzato, Silvana; Bianchini, Edmilson
    A floresta estacional semidecidual encontra-se bastante ameaçada, devido aos processos de ocupação antrópica que dizimou a maior parte da cobertura vegetal. No estado do Paraná, esse tipo de floresta se restringe a menos de 3% do território. Para a preservação desses ambientes, observações fenológicas e o conhecimento dos sistemas reprodutivos das espécies arbóreas podem ser úteis para definição de estratégias que visem o manejo florestal e a sustentabilidade ecológica. A família Meliaceae é amplamente distribuída em florestas estacionais semideciduais, e nesse contexo, o presente estudo teve por objetivo descrever os padrões fenológicos de dez espécies dessa família, verificar se esses eventos são sazonais, relacionar as fenofases com fatores abióticos como temperatura, fotoperíodo e precipitação e, caraterizar os sistemas reprodutivos de quatro espécies. As observações fenológicas e os experimentos para determinar os sistemas reprodutivos foram realizados no Parque Estadual Mata dos Godoy (PEMG), localizado no limite sul da zona tropical (23° 27’ S e 51° 15’O). Foram realizados alguns experimentos para caracterização do sistema reprodutivo também em um pequeno fragmento florestal, localizado à 15Km do PEMG (23°22. S e 51°10’ W). Ambas as áreas são cobertas com floresta estacional semidecidual, cujo clima é subtropical úmido, e não apresenta uma longa estação seca, embora possam ser definidas duas estações, uma úmida e quente de outubro a março e outra mais seca e fria de abril a setembro. As observações fenológicas foram realizadas em dez espécies em um período de quatro anos e seis meses não consecutivos. As observações foram mensais nos três primeiros anos e quinzenais no restante do estudo. Foram registradas as fenofases de abscisão foliar, brotamento, botões florais, antese, frutos imaturos e maduros, para cada espécie e calculados a proporção de indivíduos e o percentual de intensidade de Fournier em cada fenofase. Para testar a ocorrência de sazonalidade nas fenofases foi utilizada a estatística circular, e para avaliar as relações entre os fatores abióticos considerados e as fenofases foi utilizado o coeficiente de correlação de Sperman (rs). Para caracterização dos sistemas reprodutivos, foram realizados experimentos de polinização controlada nas espécies Trichilia pallida Sw., Trichilia pallens C. DC., Trichilia casaretti C. DC., e em Cabralea canjerana subsp. Canjerana (Vell.) Mart, além de observações fenológicas e acompanhamento de cada indivíduo utilizado nos experimentos antes e após a realização dos mesmos. A abscisão foliar e o brotamento na maioria dos indivíduos das espécies de Meliaceae foram sazonais e ocorreram na transição da estação seca para a úmida. Nessas fenofases houve maior quantidade de correlações com a temperatura e fotoperíodo. As fenofases de floração foram as mais sazonais de todo o estudo, sendo que a maioria das espécies floresceram na transição da estação seca para a úmida. Nessas espécies, houve maior quantidade de correlações com a precipitação de meses anteriores às observações fenológicas. As espécies que floresceram na estação úmida estiveram relacionadas ao aumento do fotoperíodo e da temperatura. O desenvolvimento dos frutos durou vários meses em todas as espécies, portanto não é muito sazonal e apresentou poucas correlações com os fatores abióticos. A dispersão dos frutos de Meliaceae ocorreu durante todo o ano, e apresentou padrão sazonal e poucas correlações com os fatores abióticos. A análise dos resultados dos experimentos de polinização controlada, e o acompanhamento dos indivíduos testados em campo indicaram que as espécies C. canjerana ssp. canjerana e T. pallens são subdióicas, enquanto T. casaretti é hermafrodita e T. pallida pode ser monóica ou ginomonóica. Através dos resultados deste estudo, percebe-se que as fenofases vegetativas e reprodutivas apresentam no geral padrão sazonal de ocorrência, como observado em outras florestas semidecíduas brasileiras. As fenofases vegetativas são mais sensíveis à mudanças nos fatores abióticos. As fenofases reprodutivas podem estar mais relacionadas à outros fatores, como por exemplo, fatores bióticos, devido às poucas correlações encontradas entre essas fenofases e os fatores abióticos. As fenofases reprodutivas ocorreram na mesma época do ano. Essa característica pode ser devido à dependência dessas fenofases aos vetores bióticos como polinizadores e dispersores de sementes, mantendo sua ocorrência sempre na mesma época como forma de garantir a presença dos vetores bióticos e o sucesso da polinização e dispersão. A correta caracterização dos sistemas reprodutivos foi possível devido a realização dos testes de polinização controlada juntamente com as observações fenológicas e o acompanhamento dos indivíduos experimentalmente testados antes e depois da floração.
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    Ciência cidadã e biodiversidade: uma investigação no território brasileiro
    (2023-03-29) Umeno, Marcos Akira; Lima, Marcos Robalinho; Orsi, Mário Luis; Eleuterio, Ana Alice Aguiar; Tavares, Tatiana Motta
    O Antropoceno está marcado de ações negativas as florestas tropicais, muitas vezes resumidas a paisagens fragmentadas e reduzidas, o que afeta a matriz de serviços ecossistêmicos. A perda de habitats, afeta também a biodiversidade e percebe-se uma necessidade de dados de referência confiáveis, para estudar perdas atuais e futuras da biodiversidade. O monitoramento da biodiversidade é um enorme desafio, ainda mais em escalas temporais e espaciais grandes. O uso de Variáveis de Biodiversidade (VBE) é uma saída para um monitoramento mais eficiente e coordenado em todo o mundo. Nesse contexto, nas últimas décadas houve um crescimento exponencial do envolvimento de voluntários em projetos científicos, essa participação de não-cientistas é definida como ciência cidadã (CC), que deve ser entendida como uma parte ampla e heterogênea da ciência. O campo da ciência cidadã expandiu-se rapidamente, e os pesquisadores reportam experiências muito favoráveis que podem auxiliar no esclarecimento de lacunas no conhecimento biológico. No entanto, é preciso medir e categorizar as contribuições da ciência cidadã para dentro das ações com a biodiversidade e, como essa integração com a comunidade não acadêmica está sendo realizada, e quais os objetivos de estudos no território brasileiro. Este estudo tem como objetivo descrever a produção científica envolvendo ciência cidadã e biodiversidade no Brasil. Para tanto, foi realizado uma revisão sistemática da literatura, que abrangeu as publicações na Web of Science e Scopus dos anos 2000 a 2022. Nossos resultados mostram uma positiva atividade dos pesquisadores envolvendo ciência cidadã e biodiversidade no Brasil. A produção científica publicada é recente, iniciando em 2015 e tendo maior expressão nos anos seguintes. Há uma pesquisa majoritariamente ornitológica, dos 56 artigos incluídos nesta pesquisa, 62,5% se relacionava com o taxa Aves. As VBE indicam uma pesquisa voltada em maioria para distribuição de espécies, variável mais encontrada, seguida da abundância populacional. Em relação ao envolvimento dos voluntários e pesquisadores, observou-se uma ciência cidadã contributiva, no qual o pesquisador majoritariamente se envolve com os dados disponíveis em plataformas de ciência cidadã, e pouco com o cientista-cidadão diretamente. Concluiu-se que a produção científica publicada e incluída neste trabalho, conta uma história recente da inclusão da ciência cidadã para investigações da biodiversidade, mais estudos precisam ser feitos, a fim de melhorar a utilização e percepção de importantes indicadores para desenvolvimento da ciência cidadã, engajamento público, valorização do cientista-cidadão, e ações para conservação da biodiversidade no Brasil