CCS - CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
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Item A arte na produção do cuidado sob a ótica dos profissionais de saúde dos centros de atenção psicossociais de um município de médio porte(2023-04-25) Almeida, Letícia Salgado; González, Alberto Durán; Melchior, Regina; Soares, Magda Ribeiro de CastroConsiderando os processos de transição do cuidado em saúde mental do modelo asilar para o de base comunitária, os Centros de Atenção Psicossociais se constituem como principal estratégia de serviços substitutivos aos manicômios. Estudos apontam a inserção da arte nos mais diversos contextos e ações em saúde, podendo estar presente na prevenção e promoção, na gestão e no tratamento de saúde, contribuindo para prevenir doenças, para o desenvolvimento humano e com o cuidado em saúde mental. Dessa forma, essa pesquisa teve por objetivo discutir os processos de cuidado dentro dos CAPS Álcool e Drogas e Infantojuvenil, assim como compreender a correlação entre arte e saúde na percepção dos trabalhadores, averiguando os desafios e potenciais dessa integração dentro desses centros. Tratou-se de uma investigação qualitativa de caráter analítico, realizada através de entrevistas semiestruturadas com treze profissionais do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil e do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas de um município de médio porte localizado no estado do Paraná, e os dados foram analisados por meio do referencial metodológico da Análise de Conteúdo de Bardin (2016). Observou-se que o uso da arte nas CAPS está envolto em dificuldades e preconceitos por parte da comunidade e trabalhadores como um todo, a qual afasta alternativas que não as medicamentosas do tratamento de usuários, crianças e adolescentes. Dificuldades como a falta de material, preparo dos profissionais da saúde, de conhecimento sobre a Arte como terapia, considerando um contexto de pandemia, isolou a arte do cuidado. A partir da pesquisa de como os profissionais de saúde dos CAPS compreendem a arte na produção do cuidado, foi possível perceber a necessidade de ampliar a concepção da oferta do mesmo e, portanto, de ações em saúde, buscando a ruptura da visão biomédica e hospitalocêntrica e principalmente resgatando princípios da Reforma Sanitária e Psiquiátrica que nos dias atuais encontram-se ameaçados.Item A baixa ingestão proteica está associada ao pior desempenho físico em pacientes com câncer urológico : um estudo transversal(2024-05-20) Borges, Mayra Bossa dos Santos; Deminice, Rafael; Carreira, Clisia Mara; Miola, Thais ManfrinatoA incidência de câncer urológico no Brasil tem sido uma preocupação crescente devido ao aumento dos casos diagnosticados nos últimos anos. Uma complicação importante associada a essa doença é a sarcopenia, caracterizada por baixa força muscular, baixa quantidade ou qualidade muscular e baixo desempenho físico. Essa condição tem sido frequentemente observada em pacientes com câncer urológico e está associada à redução da qualidade de vida e sobrevida. O objetivo desse estudo foi verificar a associação entre massa muscular, força e função física, risco nutricional e consumo proteico em pacientes com câncer urológico. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, realizado com 32 pacientes do sexo masculino (idade 64,0 + 12,4), diagnosticados com câncer urológico (sendo 43,7% de bexiga, 34,3% de próstata, 15,6% de rim, 3,2% de testículo e 3,2% de pênis), todos com indicação cirúrgica, que foram divididos em dois grupos de acordo com a ingestão de proteínas: menor que 1,2g/kg (n = 19) e maior que 1,2g/kg (n = 13). A ingestão proteica foi avaliada através do recordatório de 24 horas e analisada através do programa Diet Box®. A separação dos grupos foi realizada considerando a recomendação de ingestão proteica mínima de 1,2g/kg para pessoas em tratamento oncológico de acordo com a diretriz Braspen (2019). Para determinar a força, foi utilizado o teste sentar e levantar, para verificar a massa muscular apendicular, foi utilizada a impedância bioelétrica, já a função muscular, foi utilizado o teste Short Physical Performance Battery-SPPB. Resultados: Os dados demonstraram que o grupo com baixa ingestão proteica apresentou um pior desempenho físico avaliado pelo SPPB (8,26 ± 2,82 versus 10,15 ± 1,81, p=0,042). Além disso, a análise univariada revelou que esse grupo possui 46% mais probabilidade de desenvolver baixa função física quando comparado ao grupo com ingestão proteica recomendada (p=0,04). Ainda, 15,8% dos pacientes com baixa ingestão proteica apresentaram baixa massa muscular, enquanto 62,1% deles tinham baixa força muscular (p=0,005). Não houve diferenças significativas de desfechos clínicos entre os grupos. Discussões: O estudo evidenciou que pacientes com câncer urológico com baixa ingestão proteica apresentaram piora dos resultados em relação a função física, bem como menor força, porém não houve associação entre os desfechos clínicos. Ainda, apresentaram maior risco nutricional quando comparados com o grupo ingestão proteica adequada, reforçando a relevância do acompanhamento e suporte nutricional nessa população. Conclusão: Estes dados revelam a necessidade diagnóstico precoce e suporte nutricional adequado a fim de minimizar os desfechos negativos.Item A construção da identidade paterna no processo de aleitamento: uma perspectiva do interacionismo simbólico(2025-12-11) Gradim, Jonas Gabriel Pestana; Zani, Adriana Valongo; Pinto, Keli Regiane Tomeleri da Fonseca; Merino, Maria de Fátima Garcia LopesIntrodução: Ao longo do tempo, a paternidade passou por profundas transformações, deixando de se restringir à autoridade e à provisão material para abarcar também afeto, cuidado e presença. No contexto da amamentação, o pai tem desempenhado um papel essencial, oferecendo apoio emocional e prático à mãe. Sob a ótica do interacionismo simbólico, compreende-se que ser pai é um papel construído nas relações e nos significados compartilhados no convívio familiar e social. Ainda assim, persistem inúmeros desafios relacionados à participação paterna na amamentação, influenciados por fatores sociais e culturais, por questões de gênero e pelas demandas cotidianas da vida. Dessa forma, pode-se apontar que a relação entre paternidade e amamentação permanece em constante processo de construção. Objetivo: Compreender os significados atribuídos pelo pai frente às suas vivências e percepções na participação do processo de amamentação de seu filho à luz do Interacionismo simbólico. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, fundamentado na perspectiva teórica do Interacionismo Simbólico, realizado em uma maternidade vinculada a um hospital universitário localizado no norte do estado do Paraná, reconhecido como referência regional em gestação de alto risco. A população foi composta por 30 pais que permaneceram em regime de alojamento conjunto, selecionados intencionalmente conforme critérios previamente estabelecidos. As entrevistas semiestruturadas, foram conduzidas de outubro a dezembro de 2024. Os dados foram transcritos e submetidos à análise por meio do software IRAMUTEC, utilizando-se a análise de Classificação Hierárquica Descendente proposto por Reinert. A interpretação dos resultados foi orientada pelas interações simbólicas. O estudo observou os princípios éticos da pesquisa com seres humanos, assegurando o anonimato e o consentimento livre e esclarecido dos participantes. Resultados: Entre os 30 pais participantes, a idade média foi de 30 anos, com predominância de indivíduos com escolaridade até o ensino médio e renda familiar entre um e cinco salários mínimos. A análise textual dos dados, conduzida por meio do software IRAMUTEC, resultou na formação de seis classes temáticas, as quais expressam os significados atribuídos ao aleitamento materno no contexto da experiência paterna: 1) Significados compartilhados; 2) O aleitamento como um ritual de interação; 3) Significados atribuídos aos benefícios do aleitamento materno na interação familiar; 4) Trajetórias da paternidade: Um olhar sobre a atribuição de sentido à experiência paterna; 5) O papel simbólico do pai no aleitamento: Construção de sentidos e a (co)participação no cuidado; 6) O pai atribuindo sentidos à amamentação. Discussão: Os resultados indicam que, embora o processo de aleitamento ainda seja culturalmente associado à figura materna, os pais têm buscado maior participação, ressignificando seu papel na dinâmica familiar. Esse envolvimento reflete transformações socioculturais que ampliam a compreensão da paternidade, agora pautada no cuidado, na presença e na corresponsabilidade. Ao apoiar a parceira e participar do cuidado com o filho, o pai fortalece os vínculos afetivos e contribui para a continuidade do aleitamento, atribuindo novos significados simbólicos à sua vivência paterna. Conclusão: Os significados atribuídos pelos pais ao processo de aleitamento são construídos a partir de suas vivências cotidianas e das interações simbólicas estabelecidas com a mãe e o bebê. O aleitamento emerge, assim, como uma prática relacional que contribui para a construção da paternidade e o fortalecimento dos vínculos afetivos familiares. Reconhecer o pai como sujeito ativo nesse processo amplia as possibilidades de cuidado compartilhado e favorece a promoção do bem-estar da famíliaItem A estratégia apoiador Cosems e a rede colaborativa no SUS(2024-04-03) Martins, Marina Sidineia Ricardo; Carvalho, Brígida Gimenez; Melchior, Regina; Bertussi, Débora Cristina; Silva, João Felipe Marques daO Projeto Apoiadores/Rede Colaborativa, é uma iniciativa que contribui para o fortalecimento da gestão municipal e regionalização no SUS. Apesar de possuir diretrizes de uma rede nacional, a organização e funcionamento do Projeto Apoiadores/Rede Colaborativa é diferente em cada um dos estados da federação. Nesse sentido, apoiado às contribuições dos referenciais do federalismo brasileiro e do apoio institucional, essa pesquisa tem como objetivo analisar o processo de implementação do Projeto Apoiadores – Rede Colaborativa para Fortalecimento da Gestão Municipal do SUS, no Brasil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida nos vinte e seis estados da federação. A coleta de dados deu-se em duas etapas: a primeira baseou-se em análise documental e a segunda se deu por meio de formulário eletrônico (google forms®) com questões fechadas e abertas aplicados aos coordenadores de apoio dos Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), sujeitos da pesquisa. Utilizou-se da técnica de análise do conteúdo para a etapa de investigação documental e, o software Office Excel®, para o tratamento dos dados obtidos pelo questionário eletrônico. Os resultados apresentam o percurso histórico da implantação do projeto apoiadores no Brasil – Estratégia Apoiador Cosems (EAC), nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro; e análise das principais peculiaridades do apoio institucional no Brasil. Entre elas destacam-se: a implementação da EAC nos estados como um fator relevante para o fortalecimento dos Cosems; a precarização nas relações de vínculo trabalhista dos apoiadores; a importância da EPS para a atuação prática do apoio e sua formação; e, a necessidade do monitoramento e avaliação da EAC nos estados.Item A inclusão do farmacêutico nos serviços de reconciliação de medicamentos na atenção primária : uma revisão sistemática(2024-02-27) Tonon, Paulo Alison Rocha; Cruciol, Joice Mara; Alfieri, Daniela Frizon; Arakawa, Nilton SyogoA reconciliação de medicamentos destaca-se como uma ferramenta adaptável para redução dos riscos de erros e eventos adversos associados a medicamentos. O propósito deste estudo consistiu em investigar se a integração do farmacêutico no serviço de reconciliação de medicamentos proporciona benefícios ao serviço de saúde da atenção primária à saúde (APS). A pesquisa foi conduzida por meio de uma revisão sistemática, utilizando as bases de dados PubMed, Embase e BVS, e empregando palavras-chave derivadas dos acrônimos PICO para responder à questão norteadora. Instrumentos como o PRISMA e AMSTAR-2 foram incorporados para mitigar possíveis viéses. Um total de 620 artigos foram identificados, dos quais 10 estudos foram selecionados para inclusão nesta revisão. Os estudos evidenciaram limitações ao responder este estudo, porém, alguns estudos que demonstram sim, benefícios da inserção deste profissional.Item A incorporação de tecnologias digitais na atenção primária à saúde(2026-06-26) Araujo, Mauro Sergio de; Silva, João Felipe Marques da; Mendonça, Fernanda de Freitas; Nardi, Edileuza de Fatima RosinaA incorporação de tecnologias digitais tem se consolidado como importante vetor de transformação dos sistemas de saúde. Entretanto, sua efetividade depende não apenas da disponibilidade tecnológica, mas também da capacidade organizacional dos sistemas de saúde, da governança das políticas públicas e da integração entre os diferentes pontos da rede de atenção. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), apesar de iniciativas recentes voltadas à estruturação da Saúde Digital, persistem desafios relacionados à heterogeneidade da implementação entre municípios, à fragmentação do cuidado e à baixa interoperabilidade entre sistemas de informação em saúde. Diante desse cenário, esta dissertação teve como objetivo analisar a incorporação e o uso de tecnologias digitais na Atenção Primária à Saúde em municípios do estado do Paraná. A análise partiu dos resultados do questionário de 2024 do Índice Nacional de Maturidade em Saúde Digital (INMSD), examinando a presença e o uso de tecnologias digitais na APS em municípios paranaenses segundo porte populacional e vulnerabilidade social. Trata-se de um estudo ecológico, com abordagem quantitativa, que utilizou dados secundários de 399 municípios, extraídos de sistemas oficiais como o INMSD, o IVS e o IED. A análise estatística foi realizada com testes de normalidade, ANOVA, Kruskal-Wallis e correlação de Spearman. Os resultados evidenciaram desigualdades nos níveis de maturidade digital, com menores níveis entre municípios de menor porte e maior vulnerabilidade social. A literatura aponta que essas tecnologias podem fortalecer atributos da APS, ampliar o acesso e apoiar a tomada de decisão clínica, embora persistam barreiras relacionadas à governança, interoperabilidade e integração entre níveis de atenção. Conclui-se que a Saúde Digital representa oportunidade estratégica para fortalecer a APS no SUS, desde que acompanhada por investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e integração da rede de atençãoItem A maresina 2 reduz a dor nos modelos de carragenina, Adjuvante completo de Freund, vírus Chikungunya e sua proteína E2 em camundongos(2022-09-26) Souza, Julia Bagatim de; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Ferraz, Camila Rodrigues; Fattori, VictorA resposta inflamatória é um mecanismo de defesa do organismo. A inflamação descontrolada pode causar lesões teciduais bem como efeitos crônicos, como a dor. A Maresina 2 (MaR2) é um mediador lipídico especializado em pró-resolução (SPM), derivado do ácido graxo ômega-3 que exibe efeitos anti-inflamatórios e pró-resolução. O objetivo deste estudo foi investigar o potencial efeito anti-inflamatório e analgésico da MaR2 em modelo de dor e inflamação induzidos pela carragenina e adjuvante completo de Freund (CFA). Nesse trabalho também foi avaliado o efeito da MaR2 em um modelo de dor articular induzido pelo vírus chikungunya inativado (CHIKVi) e sua proteína envelope recombinante, rE2. No primeiro conjunto de experimentos, foi avaliado o efeito do tratamento intratecal (i.t.) com a MaR2 sobre a hiperalgesia mecânica e térmica induzidas por estímulo intraplantar (i.pl.) com a carragenina e CFA . Num segundo conjunto de experimentos, foi avaliado o efeito da MaR2 via intraperitoneal (i.p.) sobre o recrutamento de leucócitos em um modelo de peritonite induzida pela carragenina. As células do peritônio também foram coletadas para determinar o efeito da MaR2 sobre o estresse oxidativo por fluorescência de 4,5-diaminofluoresceína diacetato (DAF-2DA) e 2,7-dihidrodiclorofluoresceína (DCF), e avaliar atividade antioxidante mediada pelo fator nuclear derivado de eritróide 2 (Nrf2) por imunofluorescência. Por fim, avaliamos o efeito da MaR2 (via i.p.) na hiperalgesia mecânica induzida pelo estímulo intraarticular com o CHIKVi e E2r. Os neurônios do gânglio da raiz dorsal (DRG) de camundongos naive foram coletados e processados para avaliação da ativação neuronal por influxo de cálcio. O tratamento com a MaR2 via intratecal foi capaz de reduzir a hiperalgesia mecânica e térmica induzida pela carragenina e CFA. A MaR2 i.t. também reduziu o recrutamento celular na pata dos animais estimulados com carragenina. O tratamento intraperitoneal com a MaR2 reduziu a contagem total e diferencial (polimorfonucleares e mononucleares) de leucócitos induzido pela carragenina (i.p.). O tratamento via i.p. com a MaR2 também reduziu a quantidade de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio induzidas pela carragenina, e esse mecanismo parece ser depende da ativação do fator nuclar antioxidadante Nrf2. O tratamento intraperitoneal com a MaR2 reduziu de maneira dose e tempo dependente a hiperalgesia mecânica induzida pelo vírus CHIKVi e sua proteína rE2. Por fim, a MaR2 (i.p.) diminuiu a ativação neuronal induzida pelo CHIKVi e rE2. De maneira geral, observamos que a MaR2, utilizada em diferentes vias de tratamento foi capaz de desempenhar um efeito anti-inflamatório, analgésico e antioxidante em baixas doses, demonstrando um potencial terapêutico para esse mediador lipídico.Item A música na redução do estresse dos pais do recém-nascido prematuro na unidade de terapia intensiva(2023-02-16) Lago, Milena Torres Guilhem; Zani, Adriana Valongo; Marcon, Sonia Silva; Parada, Cristina Maria Garcia de Lima; Pinto, Keli Regiane Tomeleri da Fonseca; Ferrari, Rosângela Aparecida PimentaIntrodução: O nascimento de um filho prematuro, muitas vezes leva ao sofrimento emocional, como o estresse. O uso da música tem sido utilizado nos serviços de saúde, com o intuito de auxiliar na redução de fatores estressantes e fortalecimentos dos vínculos afetivos familiares. Objetivo: Avaliar o efeito da intervenção musical sobre o nível de estresse de pais de recém-nascidos prematuros hospitalizados. Método: Ensaio clinico randomizado, realizado com pais de recém-nascidos prematuros hospitalizados em Unidade de Terapia Intensiva neonatal. O local do estudo foi um hospital universitário público no norte do Paraná. A coleta ocorreu no período de outubro de 2020 à junho de 2021. Para a avaliação do estresse utilizou a escala Parental Stress Scale: Neonatal Intensive Care Unit (PSS:NICU), antes e após a intervenção e no grupo controle. Para análise utilizou o programa SPSS. Os dados contínuos foram inicialmente avaliados pelo teste de Shapiro-Wilk. Os dados foram avaliados por meio do teste de ANOVA e Kruskal-Wallis e Mann-Whitney. Resultados: Participaram 96 pais alocados em três grupos, sendo um controle e dois intervenção, com um total por grupo de 32 pais. Os grupos intervenção, sendo um submetido a músicas pré-selecionadas por um musicoterapeuta e o outro por músicas selecionadas pelo próprio participante, obtiveram de modo geral redução dos níveis de estresse nas dimensões da escala quando comparadas ao grupo controle. O grupo intervenção musicoterapeuta apresentou redução estatisticamente significativa do escore de estresse (p = 0,021) o grupo experimental gosto musical a redução estatística no nível de estresse (p = 0,003). No entanto, a escolha da música pelo participante teve níveis de estresse menores do que o grupo de músicas selecionadas por musicoterapeuta. Conclusão: A música apresentou-se como intervenção potencial para a enfermagem para a redução do estresse de pais de recém-nascidos prematuros hospitalizados, o que justifica sua inserção nos serviços hospitalares, em especial na área materno infantil. Registro Brasileiro de Ensaio Clinico: RBR-6w8cwxc e The Universal Trial Number (UTN), sob o número U1111-1268-1369.Item A relação entre burnout, apoio social e resiliência e o consumo de psicofármacos entre estudantes universitários(2025-06-26) Gianjacomo, Telma Regina Fares; Girotto, Edmarlon; Mesas, Arthur Eumann; Silva, Milene Zanoni da; Pereira, Denise Andrade; Durán González, Alberto; Rodrigues, RenneIntrodução: A saúde mental entre estudantes universitários é uma preocupação crescente, especialmente com o aumento das pressões acadêmicas que favorece a problemas como burnout, e pode afetar negativamente seu bem-estar e rendimento. Na tentativa de atenuar o sentimento de esgotamento emocional, estudantes podem fazer uso de psicofármacos como uma forma de lidar com o estresse da jornada acadêmica. Fatores como o apoio social e a resiliência são fundamentais para ajudar os estudantes a lidarem com esses desafios. Objetivo: O presente estudo objetivou analisar a relação do consumo de psicofármacos com o burnout acadêmico, resiliência e apoio social e verificar o papel mediador da resiliência no efeito do suporte social e a relação com o burnout acadêmico entre estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Método: Trata-se de um estudo epidemiológico de abordagem quantitativa. A população foi composta por 2.817 estudantes de graduação regularmente matriculados no primeiro semestre de 2019 da Universidade Estadual de Londrina. A coleta de dados ocorreu no período de abril a junho de 2019, por meio de um questionário online, que resultou em uma tese em modelo escandinavo contendo dois artigos. O primeiro artigo foi desenvolvido por meio de uma análise de mediação entre a apoio social, resiliência e o burnout. A variável dependente deste estudo foi a exaustão acadêmica, a independente foi o apoio social, e a mediadora foi a resiliência. Foram realizadas análise fatorial exploratória (AFE) e confirmatória (AFC) para obter o modelo com melhores resultados através do software Mplus®, com intervalo de confiança de 95% (IC95%). O segundo artigo foi desenvolvido por meio de uma análise da associação entre a consumo de psicofármacos, burnout, apoio social e resiliência, no qual a variável desfecho foi o uso de psicofármacos, baseado na classificação Anatomical Therapeutic Chemical (ATC) e as independentes foram o burnout, o apoio social, resiliência. A análise dos dados foi realizada utilizando o programa SPSS® versão 25.0, com a aplicação de testes estatísticos, incluindo o teste de Qui-quadrado de Pearson, o teste de Mann-Whitney e a regressão logística de Poisson com variância robusta para a obtenção do beta como medida de associação e intervalo de confiança de 95% (IC95%) e o nível de significância adotado foi de 5% (p-valor <0,05). Análises brutas e ajustadas foram realizadas, os modelos ajustes foram definidos a partir de um Diagrama Acíclico Dirigido (DAG), elaborado no DAGitty com base em pressupostos teóricos. A inclusão de variáveis nos modelos foi avaliada por meio do teste de razão de verossimilhança (LRT), e testou-se também a presença de interações multiplicativas. A multicolinearidade foi verificada pelo índice de variância inflacionada (VIF). Modelos específicos foram construídos para burnout, apoio social (dimensões) e resiliência, ajustando-se por covariáveis sociodemográficas, acadêmicas, comportamentais e de saúde, conforme evidências da literatura Resultados: Artigo 1 - O apoio social total afetou significativamente e positivamente a resiliência, enquanto a resiliência teve um efeito negativo significativo no burnout. Observou-se que tanto o efeito direto do suporte social no burnout quanto o efeito indireto do suporte social no burnout por meio da resiliência foram significativos, a resiliência medeia essa relação em aproximadamente 54,9%. Artigo 2- Observou-se que maiores níveis de burnout pessoal, burnout relacionado aos estudos e burnout relacionado aos professores estiveram significativamente associados ao maior uso de psicofármacos. Por outro lado, o burnout relacionado aos colegas não manteve associação significativa após o ajuste. Nenhuma das dimensões do apoio social apresentou associação estatisticamente significativa com o uso de psicofármacos. Da mesma forma, a resiliência, não mostrou associação significativa com o desfecho. Ainda que esses fatores não tenham se associado estatisticamente ao uso de psicofármacos neste estudo, a literatura destaca que tanto o apoio social quanto a resiliência são elementos fundamentais de proteção frente ao burnout acadêmico. Conclusão: O estudo revelou que o apoio social e a resiliência influenciam o burnout acadêmico, com a resiliência mediando essa relação. A pesquisa também mostrou que estudantes com maiores níveis mais elevados de burnout pessoal, burnout relacionado aos estudos e burnout relacionado aos professores apresentaram maior uso de psicofármacos. As dimensões do apoio social e a resiliência, apesar de reconhecidas na literatura como fatores protetores, não apresentaram associação estatisticamente significativa com o uso de psicofármacos. Os achados sugerem que o sofrimento psicológico relacionado ao esgotamento acadêmico pode estar diretamente associado ao uso de medicamentos psicotrópicos como forma de enfrentamento. Nesse contexto, estratégias institucionais que promovam a saúde mental, com foco no fortalecimento da resiliência e na ampliação das redes de apoio social, podem representar alternativas eficazes à medicalização do sofrimento psíquico entre estudantes universitários.Item A territorialização na atenção primária à saúde: desafios entre o modelo normativo e sua implementação nos municípios paranaenses(2026-06-25) Schneider, Angela Cristina; Marques, João Felipe; Carvalho, Brígida Gimenez; Ulinski, Karla Giovana BavarescoResumo: A territorialização constitui um dos pilares estruturantes da Atenção Primária à Saúde (APS), por possibilitar a delimitação de populações adscritas e a compreensão ampliada das condições de vida, vulnerabilidades e necessidades em saúde nos territórios. Esta dissertação teve como objetivo compreender as práticas de territorialização desenvolvidas na APS nos municípios do estado do Paraná, com ênfase na organização do processo de trabalho das equipes da Estratégia Saúde da Família. Trata-se de estudo de método misto, com abordagem descritivo-analítica e qualitativa, desenvolvido em duas etapas sequenciais. Na primeira etapa, foram analisados dados secundários provenientes de questionários eletrônicos aplicados pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aos 399 municípios paranaenses em 2023, especificamente no bloco “Territorialização e Vínculos”. As respostas foram categorizadas em conformidades e não conformidades, evidenciando fragilidades sobretudo nas práticas que demandam maior capacidade de análise, planejamento e utilização do território como elemento estruturante do processo de trabalho. A análise estatística transversal, realizada por meio do coeficiente de correlação de Spearman, identificou associações significativas entre os padrões regionais de não conformidades e o escore total estadual, demonstrando distribuição relativamente homogênea das fragilidades entre as macrorregiões do estado. Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com coordenadores municipais da APS, submetidas à análise de conteúdo, proposta por Laurence Bardin. Emergiram quatro categorias analíticas: territorialização impulsionada por exigências externas; distanciamento entre instrumentos formais e prática cotidiana; centralidade do Agente Comunitário de Saúde na leitura territorial; e dificuldades estruturais relacionadas à sobrecarga assistencial e à rotatividade profissional. Conclui-se que a territorialização, embora institucionalmente prevista como diretriz organizadora da APS, permanece tensionada por limitações organizacionais, fragilidades operacionais e induções avaliativas externas, sendo concretizada predominantemente a partir do trabalho vivo das equipes. Os achados revelam a persistente distância entre o modelo normativo da territorialização e sua implementação concreta nos municípios paranaensesItem Abalos sísmicos : cartografias a partir de um consultório na rua(2024-02-22) Duarte, Luiz Gustavo; Bortoletto, Maira Sayuri Sakay; Slomp Junior, Helvo; Seixas, Clarissa Terenzi; Baduy, Rossana Staevie; Lima, Josiane Vivian Camargo deEste estudo foi produzido a partir de uma vivência de um pesquisador autista em um Consultório na Rua (CnaR) em um município de grande porte no sul do país. Foi realizada uma sismografia, derivada da cartografia apresentada por Deleuze e Guattari. Para a produção do estudo, foram utilizados métodos e técnicas de pesquisa, que funcionaram como equipamentos e ferramentas, permitindo abranger os segmentos de discussão que as linhas de fuga produziram. Tais equipamentos são a cartografia e a genealogia, e as ferramentas de suporte e manutenção incluem diários cartográficos, processamentos coletivos, vivências, participação em reuniões, entrevistas e investigações em documentos. A partir de linhas de ruptura, denominadas epicentros, foram discutidos os mapeamentos produzidos. Os epicentros incluem os chamados: liberação de ondas, megamáquinas pandêmicas, máquinas de morar, investigações genealógicas sobre um CnaR. No primeiro epicentro, denominado "Liberação de ondas", examinou-se a construção do pesquisador ao longo do mestrado e doutorado, destacando a continuidade entre esses dois momentos e o diagnóstico tardio de transtorno do espectro autista. Isso promoveu uma ressignificação e autoanálise da cartografia até o momento, destacando como esse território produz abalos que direcionam as investigações subsequentes. Em “Megamáquinas pandêmicas” o pesquisador presenciou, durante a pandemia de COVID-19, como a equipe se organizou e produziu cuidado entre as fissuras da cidade, compreendida na pesquisa como uma megamáquina. Ele também observou como os modos de vida das multidões da rua escapam da racionalização da cidade e só podem ser acessadas por um serviço que produz outros territórios além dos estabelecidos tradicionalmente em serviços de saúde. Além disso, durante o período pandêmico, foi possível presenciar como a produção de morte gerou sofrimento e angústia, não somente entre a população em situação de rua, mas também na equipe do CnaR. O terceiro epicentro, “Máquinas de morar”, se refere a outros funcionamentos maquínicos no ambiente urbano, neste caso relacionados à moradia. Este abalo se estabeleceu ao encontrar uma vivente da rua que, em suas linhas de fuga, questiona, com seu modo de vida, as definições tradicionais de domicílio e casa racionalizadas pelo aparelho de captura do Estado. Este modo de habitar, leva a subversão do conceito de Le Corbusier a respeito do lar como máquinas de morar modernistas, voltado apenas para seus aspectos funcionais, e traz à máquina de morar como expressão da subjetividade produzida através das linhas de fuga, como potência imanente, da vivente de rua. Por fim, ao realizar tais cartografias, outra linha de ruptura que foi perseguida, direcionou-se para a compreensão de questões surgidas ao longo da vivência, trilhando um caminho pela análise das pistas genealógicas, a fim de compreender como as produções de regimes de verdade do CnaR se estabeleceram. Com a elaboração desta sismografia, foi possível perceber que a produção urbana atua continuamente num estriamento dos modos de vida daqueles que a habitam, impulsionada pelo Estado moderno capitalista, onde a própria cidade funciona como axioma, na produção de desejo, buscando esquadrinhar os modos de vida. Ao se deparar com um modo de vida que atua como um corte, uma linha de fuga, nas concepções preestabelecidas de casa, percebe-se que a moradia, ou o viver, não diz respeito apenas a um espaço físico, mas sim, que funciona numa maquinação própria, em máquinas de morar que podem ser maquinadas como potencializadores de vida, mesmo em indivíduos que têm, muitas vezes sua condição de existência ignorados. Estes apontamentos fizeram emergir aspectos de condições que não caminham em acordo com o direcionamento de políticas públicas que, muitas vezes, podem visar o controle e assimilação do vivente de rua pelo Estado, não considerando sua subjetividade. O fato de a vivência ter ocorrido em um período de pandemia da COVID-19 permitiu constatar como a equipe do CnaR se relacionava com a cidade de maneira diferenciada dos serviços de saúde tradicionais, conseguindo se aproximar das redes vivas dos viventes da rua.Item Abordagens multidimensionais na depressão resistente ao tratamento : variantes genéticas de MTHFR, mecanismos epigenéticos, características clínicas e aspectos psicossociais(2026-02-26) Moraes, Juliana Brum; Nunes, Sandra Odebrecht Vargas; Reiche, Edna Maria Vissoci; Liboni, Marcos; Soares, Maria Rita Zoéga; Urbano, Mariana RagassiINTRODUÇÃO: A depressão resistente ao tratamento (DRT) constitui um importante desafio clínico e científico, desde a heterogeneidade de seus critérios de definição e dificuldades na comparabilidade dos estudos publicados, até a maior gravidade de sintomas, recorrência, prejuízo funcional e aumento do risco de suicídio. Evidências crescentes indicam que a DRT resulta da interação entre fatores genéticos, epigenéticos, clínicos e psicossociais. Entre eles, variantes genéticas do MTHFR têm sido associadas tanto à vulnerabilidade ao Transtorno Depressivo Maior (TDM) quanto à resistência ao tratamento, com potenciais implicações terapêuticas. OBJETIVOS: Este estudo investigou a associação entre as variantes genéticas do MTHFR 677C>T (rs1801133) e 1298A>C (rs1801131) e a DRT, focando em como a redução prevista da atividade enzimática afeta marcadores de gravidade clínica, a funcionalidade e resposta ao tratamento. Além de revisar a literatura e analisar fatores psicossociais como experiências adversas na infância (ACEs) e adesão ao tratamento, a pesquisa realizou a adaptação e validação para o português da escala Massachusetts General Hospital Antidepressant Treatment Response Questionnaire (MGH-ATRQ). Por fim, o trabalho avaliou o potencial translacional de um programa educacional baseado no modelo Training of Trainers (ToT) para capacitar profissionais de saúde em mecanismos epigenéticos e interações gene-ambiente no TDM. MÉTODOS: O primeiro estudo consistiu em uma revisão sistemática conduzida de acordo com as diretrizes do PRISMA, com o objetivo de investigar a associação entre variantes do MTHFR (677C>T e 1298A>C) e DRT. O segundo estudo teve delineamento metodológico e realizou a validação do MGH-ATRQ para o português em uma amostra de 156 pacientes com TDM. As propriedades psicométricas do instrumento foram avaliadas por meio de análises de concordância, sensibilidade, especificidade e acurácia. O terceiro estudo adotou um delineamento observacional transversal, com 78 pacientes adultos com TDM, a fim de investigar a associação entre atividade enzimática predita da MTHFR, gravidade clínica, resistência ao tratamento, funcionalidade e ACEs. As análises estatísticas incluíram testes comparativos e modelos de regressão. O quarto estudo apresentou o desenvolvimento e a avaliação de um módulo educacional baseado no modelo ToT, com metodologias ativas e aprendizagem baseada em casos (CBL), para capacitar 47 profissionais de saúde a compreender a interação entre fatores genéticos, epigenéticos e ambientais no TDM. RESULTADOS: Os resultados foram apresentados e discutidos em um artigo de revisão sistemática e três artigos originais. No primeiro artigo, sete estudos atenderam aos critérios de inclusão, e os resultados indicam uma possível ligação entre as variantes do MTHFR 677C>T e 1298A>C e um risco aumentado de DRT. A variabilidade nos desenhos dos estudos, nas definições de DRT e em fatores de confusão contribuem para as inconsistências nos resultados. No segundo artigo, o MGH-ATRQ classificou com precisão os indivíduos como portadores de DRT em comparação com os critérios clínicos padrão, demonstrando sensibilidade de 88,89% e especificidade de 97,56%. Os casos de DRT apresentaram maior gravidade depressiva, maior comprometimento funcional, menor adesão à medicação e maiores taxas de experiências adversas na infância. No terceiro artigo, 78 pacientes com atividade enzimática prevista de MTHFR reduzida (=50%) apresentaram maior gravidade dos sintomas depressivos (HDRS-17: 12,1 ± 6,8 vs 9,1 ± 5,0; p = 0,04), maior frequência de episódios depressivos (=3 episódios: 86,2% vs 63,3%; p = 0,04), mais tentativas de suicídio (24,1% vs 6,1%; p = 0,03) e maior uso de antipsicóticos como adjuvantes (27,6% vs 8,2%; p = 0,04). O comprometimento funcional nos domínios de trabalho/escola, social e familiar foi significativamente pior no grupo com baixa atividade ( p = 0,05). Pontuações mais altas de ACEs foram associadas a maior gravidade do TDM em todos os subgrupos, particularmente entre pacientes com atividade reduzida de MTHFR e DRT. No quarto artigo, resultados qualitativos indicaram que os participantes desenvolveram uma compreensão mais ampla do TDM. Os relatos sugeriram maior sensibilidade a apresentações clínicas não específicas, e maior consciência de como a história de vida e os fatores contextuais podem contribuir para a vulnerabilidade ao TDM. CONCLUSÕES: Embora as evidências sugiram um papel para as variantes do MTHFR na DRT, a heterogeneidade entre os estudos limita conclusões definitivas. Pesquisas futuras devem padronizar as definições de DRT, controlar os fatores de confusão e explorar a integração de testes genéticos na prática clínica. A versão brasileira do MGH-ATRQ é um instrumento válido para detectar pacientes com DRT e pode ser uma ferramenta útil tanto no contexto clínico quanto em protocolos de pesquisa. Amostras maiores e mais diversas serão importantes em estudos futuros para confirmar ainda mais a robustez psicométrica e a validade externa da versão brasileira do MGH-ATRQ. A estratificação funcional baseada na atividade prevista da MTHFR pode ajudar a identificar subgrupos clinicamente vulneráveis e refinar a avaliação prognóstica no TDM. Estratégias educacionais baseadas em ToT e CBL podem apoiar a disseminação do conhecimento epigenético entre profissionais de saúde e promover sua aplicação na prática. LIMITAÇÕES: Uma limitação significativa da revisão sistemática é a ausência de uma meta-análise, devido à heterogeneidade entre os estudos. Em nosso estudo, a definição de DRT baseou-se apenas em resposta farmacológica, excluindo estratégias de psicoterapia ou neuromodulação. Os participantes foram recrutados em clínicas psiquiátricas privadas, o que pode limitar a generalização dos resultados para outras populações. No relato de experiência educacional, a ausência de uma avaliação do conhecimento prévio dos participantes limitou a capacidade de quantificar os ganhos de aprendizagem. Além disso, os resultados educacionais podem estar sujeitos a viés de relato. Por fim, a sustentabilidade e o impacto a longo prazo da disseminação do conhecimento não foram avaliados sistematicamente, com tal recomendação para estudos futuros.Item Ação coletiva e cooperação : por uma nova regionalização no SUSAndrade, Silvia Karla Azevedo Vieira; Mendonça, Fernanda de Freitas [Orientador]; Castro, Lumena Almeida; Lima, Luciana Dias de; Baduy, Rossana Staevie; Carvalho, Brígida GimenezResumo: O processo de regionalização no SUS encontra entraves para sua efetivação, considerando a diversidade e complexidade dos territórios regionais no país e as limitações nas relações federativas Essas limitações, embora percebidas pelos atores que participam dos espaços de discussão e de tomada de decisões, se cristalizam no cotidiano técnico-político da gestão e do planejamento em saúde Frente a esses pressupostos, esse estudo objetiva compreender como ocorre a ação coletiva e a cooperação no território regional com vistas à estruturação de um plano de ação para uma nova regionalização no SUS O embasamento do estudo contemplou os conceitos do federalismo, das relações de poder e da ação coletiva, que se entrelaçaram como referentes em um mapa teórico conceitual O caminho do estudo foi estruturado a partir da metodologia de pesquisa-ação, de abordagem qualitativa, envolvendo os sujeitos atuantes no território e percorrendo três etapas subsequentes: a etapa diagnóstica, que teve dois momentos de coleta, a etapa de imersão, que identificou e estruturou espaços de ação coletiva e, por fim, a etapa de interposição, que oportunizou a estruturação do plano de ação para a regionalização Como resultados do estudo, foram identificados os elementos da ação coletiva e do exercício do poder no âmbito da relação federativa, bem como aspectos limitadores da atuação dos entes frente às suas competências, além de fatores que limitam ou potencializam a ação coletiva no território, que se expressa por meio da cooperação e coordenação de políticas públicas no planejamento regional no SUS Foram também experimentadas estratégias em potencial para fortalecer a ação coletiva no cotidiano das relações federativas e das relações de poder neste local e, por fim, foi elaborado um plano de ação, como exercício de propositiva de caminhos para uma nova regionalização no SUS Esses caminhos apontaram para a necessidade de estruturação de espaços dialógicos horizontais no território regional e da pactuação de um contrato da ação pública entre os entes federativos, para o compartilhamento de responsabilidades melhor definidas entre esses entes, que preceda a contratualização de ações e serviços e sintetize o planejamento regional das políticas públicas de saúdeItem Ação de extratos vegetais e alimentos funcionais no tratamento de ratos wistar com resistência à insulina induzida pela frutoseSchmitz, Wanderlei Onofre; Barbosa, Décio Sabbatini [Orientador]Resumo: A resistência à insulina (RI) é uma resposta inadequada dos tecidos a ação da insulina O uso de alimentos funcionais e de plantas medicinais é uma forma importante de controle da resistência a insulina, modificando o metabolismo da glicose, inibindo fatores hiperglicemiantes ou ainda atenuando as complicações da RI ou seus sintomas O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia da farinha da casca do Passiflora edulis, do ?-3, dos extratos hidroalcoólicos das folhas da Camellia sinensis, Bauhinia forficata e Campomanesia xanthocarpa no tratamento de ratos Wistar com resistência à insulina induzida pela frutose 1 Experimento: Foram utilizados 28 ratos divididos em Grupo 1 – grupo controle; Grupo 2 – animais com resistência à insulina não tratados (RI); Grupo 3 – animais com resistência à insulina tratados com farinha da casca do P edulis 5%; Grupo 4 – animais com resistência à insulina tratados com ?-3 (3mg/dia) 2 Experimento: Os extratos foram preparados a partir de 2g de folhas secas com álcool etílico 8% Foram utilizados 6 ratos divididos em Grupo 1 – grupo controle; Grupo 2 – animais com resistência à insulina não tratados (RI); Grupo 3 – animais com resistência à insulina tratados com solução hidroalcoólica 2%; Grupo 4 – animais com resistência à insulina tratados com extrato de C sinensis; Grupo 5 – animais com resistência à insulina tratados com extrato de B forficata; Grupo 6 – animais com resistência à insulina tratados com extrato de C xanthocarpa Os animais foram submetidos à dieta com 66% de frutose Após o tratamento, foi coletado sangue para avaliação bioquímica dos animais, em seguida à eutanásia com éter e decapitação, retirou-se o fígado dos animais para a análise histopatológica Não houve diferença entre os parâmetros de crescimento dos animais durante o experimento O grupo tratado com ?-3 apresentou a menor glicemia dentre todos O grupo tratado com a farinha da casca da P edulis apresentou diminuição do colesterol total, mas apresentou uma diminuição do HDL e um aumento significativo nos valores de triacilgliceróis O grupo tratado com C sinensis apresentou as menores concentrações de glicose, colesterol total, triacilgliceróis e ácido úrico, além de diminuir o quadro de esteatose hepática e conferiu o melhor perfil antioxidante O grupo tratado com o extrato de B forficata apresentou as menores concentrações de frutosamina e diminuindo a esteatose hepática e o extrato de C xanthocarpa diminuiu a produção de oxido nítrico Concluiu-se que a farinha da casca do P edulis não promoveu ação hipoglicemiante significativa O ?-3 apresentou redução da glicemia e dos níveis dos triacilgliceróis plasmáticos O grupo tratado com C sinensis apresentou a melhor ação, seguido do grupo tratado com o extrato de B Forficata, sendo que o extrato que apresentou menor atividade, foi o extrato de C Xanthocarpa São necessários novos estudos para esclarecer melhor à ação dos alimentos funcionais e extratos na fisiopatologia da resistência a insulina e sua possível utilização ou não por pacientes com diabetesItem Ação de gel hidratante oral com mentol microencapsulado sobre a sede : ensaio clínico randomizadoSantos, Robertha Pickina; Fonseca, Lígia Fahl [Orientador]; Conchon, Marília Ferrari; Dantas, Rosana Aparecida Spadoti; Fuganti, Cibele Cristina Tramontini; Matos, Fabiana Gonçalves de Oliveira AzevedoResumo: Introdução: Estudos com estratégias frias e mentoladas demonstraram ação efetiva, porém temporária sobre a sede A microencapsulação de mentol veiculado em forma de gel, apresenta-se como uma possibilidade de prolongar sua ação para hidratação de cavidade oral Justificando assim o desenvolvimento e teste de gel hidratante oral com mentol microencapsulado Objetivo: Avaliar a ação de um gel hidratante oral com e sem mentol microencapsulado sobre a redução da intensidade e desconforto da sede; manutenção do pH salivar; efetividade na hidratação de mucosa oral de voluntários saudáveis, em comparação com o grupo controle antes e , 15, 3 e 45 minutos após a intervenção Método: Pesquisa experimental do tipo ensaio clínico randomizado, realizado em um hospital universitário público A amostra constituiu-se de 6 voluntários saudáveis entre 18 a 5 anos, divididos em três grupos: controle (cuidado usual); experimental (gel hidratante oral com mentol microencapsulado) e placebo (gel hidratante oral sem mentol microencapsulado), sendo 2 participantes em cada grupo, que permaneceram em jejum de sólidos e líquidos por oito horas antecedentes ao período da coleta Avaliaram-se as variáveis pH salivar, umidade da cavidade oral, intensidade e características definidoras da sede em quatro momentos: tempo zero, quinze, trinta e quarenta e cinco minutos Os tratamentos (experimental e placebo) foram ofertados por uma vez aos voluntários Resultados: O teste de Shapiro-Wilk evidenciou distribuição anormal da amostra A variável intensidade da sede houve homogeneidade entre os grupos no momento inicial O teste de Post Hoc indicou que a variável intensidade, apresentou diferença significativa no momento inicial ( min) com os momentos 3 e 45 min do grupo placebo Já no grupo experimental o momento inicial apresentou diferença significativa com os demais momentos (15, 3 e 45 min) O teste de Kruskall-Wallis mostrou que nos primeiros 15 minutos os voluntários do grupo controle têm sua sede 8% maior do que voluntários do grupo experimental, com tamanho do efeito considerado grande (r=,52) Nos primeiros 15 minutos os do grupo controle têm sua sede 71,6% maior do que voluntários do grupo placebo O tamanho do efeito foi considerado médio (r=,37) Observou-se no início da pesquisa, características definidoras com incidência mais frequente como boca seca (8%); garganta seca (65%); vontade de beber água (85%); lábios ressecados (7%); saliva grossa (55%); gosto ruim na boca (7%); mau hálito (75%) e constante deglutição de saliva (9%) e que apresentaram reduções ao longo dos momentos 15, 3 e 45 min nos grupos placebo e experimental e aumento ao longo dos três momentos da coleta de dados no grupo controle Conclusão: A utilização do gel hidratante oral com mentol microencapsulado apresentou redução estatisticamente significativa quando em comparação com o grupo controle para a intensidade da sede nos momentos 15, 3 e 45 min Apresentou melhores resultados em comparação ao grupo placebo sobre a intensidade e características definidoras da sede, e em relação ao pH salivar e hidratação da cavidade oral não houve alterações estatisticamente significantesItem Acesso à atenção ambulatorial especializada em saúde mental: análise da lista de espera em um Consórcio Intermunicipal de Saúde(2024-03-21) Sitta, Paula Fernanda Martins; Machado, Regina Célia Bueno Rezende; Farinasso, Adriano Luiz da Costa; Paiano, MarcelleO acesso à saúde transcende a mera disponibilidade de serviços, abrangendo também a capacidade de os utilizar de maneira adequada e oportuna para aprimorar o bem-estar das pessoas. Essa perspectiva é crucial na análise e aprimoramento dos sistemas de saúde, garantindo uma resposta eficaz às demandas da população. O objetivo do estudo foi analisar a lista de espera da Linha de Cuidado em Saúde Mental em um intermunicipal de saúde, localizado no norte do Paraná. Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e retrospectivo, baseado na análise do sistema de informação utilizado pelo consórcio. Foram avaliadas 426 solicitações de consultas referenciadas provenientes dos 21 municípios que compõem a 17ª Região de Saúde de Londrina, durante o período de janeiro a dezembro de 2022. A maioria das solicitações foi realizada por mulheres (69,7%), predominantemente na faixa etária entre 40 e 61 anos (47,1%). O diagnóstico mais frequente foi Transtorno de Humor (afetivo), representando 15,5% das solicitações, sendo notável que em grande parte delas não houve descrição de sintomas. Além disso, 21,1% apresentaram dois sintomas, e o absenteísmo foi proporcional às descrições acima. O tempo médio de espera pelo atendimento na Linha de Cuidado em Saúde Mental foi de 106,71 dias, sendo maior nos casos de absenteísmo, atingindo 118,7 dias. Identificou-se também que os usuários com maior índice de absenteísmo eram aqueles que residiam mais próximos ao consórcio. Essa compreensão é essencial para o desenvolvimento de ações direcionadas à melhoria da oferta de vagas, resultando em um atendimento mais eficaz aos usuários que necessitam dos serviços de saúde mental. Em suma, o estudo não apenas oferece uma análise abrangente da lista de espera da Linha de Cuidado em Saúde Mental, mas também lança luz sobre as variáveis associadas ao absenteísmo e aos tempos de espera prolongados. Essa compreensão aprofundada serve como base para a implementação de estratégias e políticas direcionadas à otimização do acesso e da qualidade dos serviços de saúde mental, visando atender de maneira mais efetiva às necessidades da populaçãoItem Acesso a fluoretos, prevalência de cárie e fluorose dentária em adolescentes indígenas Kaingang do norte do Paraná(2026-05-27) Silva Neto, João Ferreira da; Girotto, Edmarlon; Caldarelli, Pablo Guilherme; Ditterich, Rafael GomesResumo: Introdução: A saúde bucal dos povos originários é marcada por relevantes lacunas de conhecimento e desigualdades históricas, especialmente quando o assunto se refere ao acesso ao fluoreto e à ocorrência de fluorose dentária. A maior concentração desses estudos acontece em contextos urbanos e em populações não indígenas, o que contribui para a invisibilização desse grupo e para a manutenção de desigualdades em saúde, justificando a necessidade de investigações que considerem suas especificidades socioculturais e históricas, além das condições de acesso aos serviços e insumos de saúde bucal. Objetivo: Estimar a prevalência de fluorose dentária e cárie dentária, bem como analisar os teores de fluoreto na água de abastecimento e nos dentifrícios distribuídos em uma comunidade indígena do norte do Paraná. Métodos: Trata-se de uma pesquisa epidemiológica, transversal, descritiva com abordagem quantitativa, com adolescentes indígenas Kaingang da Aldeia Apucaraninha, no norte do Paraná, incluindo a avaliação da presença de fluoreto na água de abastecimento da comunidade e nos dentifrícios distribuídos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). Foram coletados dados primários por meio de exames bucais utilizando o Índice de Dean para a fluorose e o CPO-D para a experiência de cárie, além de contar com informações autorreferidas sobre as condições socioeconômicas, autocuidado e acesso aos serviços de saúde. Em paralelo, foram realizadas análises laboratoriais para a determinação do teor de fluoreto na água de abastecimento da comunidade e nos dentifrícios distribuídos pelo DSEI. Resultados: A análise laboratorial identificou concentração de fluoreto de 0,2 ppm na água de abastecimento da comunidade. Os dentifrícios avaliados apresentaram baixa fração de fluoreto solúvel, variando de 396 ppm (20,1%) a 664 ppm (47,1%), e elevada proporção de fluoreto insolúvel, entre 744 ppm (52,9%) e 1568 ppm (79,9%). Quanto à fluorose dentária, 81,3% dos participantes foram classificados como normais, 12,5% como questionáveis, 3,1% como muito leve e 3,1% como leve, sem registro de casos moderados ou severos. A experiência de cárie foi alta, com CPO-D médio de 6,84, composto majoritariamente por dentes cariados, com média de 5,91 (83,3%), seguido por dentes obturados, 0,88 (12,8%), e perdidos, 0,06 (0,9%). Não houve associação estatisticamente significativa entre fluorose dentária e CPO-D. Conclusão: A exposição ao fluoreto na população estudada acontece de forma limitada e pouco efetiva, não sendo suficiente para garantir uma consistente proteção contra a cárie. Os achados demonstram que apenas a presença de fontes fluoretadas não sustenta acesso adequado ao fluoreto, principalmente quando há ausência de fluoretação e tratamento da água e baixa qualidade dos produtos distribuídos. Sendo assim, o estudo reforça a necessidade de fortalecimento e execução das políticas públicas que garantam acesso qualificado ao fluoreto, bem como o monitoramento contínuo da água e da infraestrutura de saneamento, a vigilância dos produtos de higiene oral distribuídos e a ampliação do acesso aos serviços de saúde bucal de forma contínua, territorializada e culturalmente sensívelItem Acesso a medicamentos para tratamento de fatores de risco cardiovascularPetris, Airton José; Souza, Regina Kazue Tanno de [Orientador]; Cordoni Junior, Luiz; Oliveira, Rosângela Ziggiotti de; Zubioli, Arnaldo; Fernandes, Karen Barros ParronResumo: INTRODUÇÃO: O acesso a medicamentos para tratamento da hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias é um aspecto relevante do controle das doenças cardiovasculares OBJETIVO: Analisar a prevalência e a utilização de medicamentos para tratamento da hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias MATERIAIS E MÉTODOS: Estudo epidemiológico de base populacional com delineamento transversal em indivíduos com idade igual ou superior a 4 anos, residentes na área urbana do município de Cambé/PR Foram realizadas entrevistas para preenchimento de Formulário Estruturado sobre utilização de medicamentos, aferição de pressão arterial (PA) e coleta de sangue para exames laboratoriais RESULTADOS: Foram entrevistados 118 indivíduos, dos quais 1162 tiveram PA aferidas e 967 realizaram exames laboratoriais A prevalência estimada de hipertensão arterial foi de 56,4%, a de diabetes 13,6% e a de dislipidemias 69,2% As prevalências de tratamento medicamentoso entre as pessoas com hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias foram, respectivamente, 62,% 59,1%, e 16,1% Entre os indivíduos com hipertensão arterial que se tratavam com medicamentos, 39,5% apresentaram PA classificadas como ótima, normal ou limítrofe; entre os indivíduos com diabetes que utilizavam medicamentos antidiabéticos, 35,9% tinham valores de glicemia de jejum (GJ) compatíveis com as categorias GJ normal e GJ alterada, e entre os indivíduos com dislipidemias que faziam uso de hipolipemiantes 22,2% apresentaram valores de Colesterol total <2mg/dl e/ou LDL-C <16 mg/dl e/ou Triglicérides <15mg/dl e/ou HDL-C homens =4mg/dl e mulheres =5mg/dl Os fármacos anti-hipertensivos mais utilizados foram hidroclorotiazida, enalapril, captopril, atenolol, anlodipino e losartana, sendo suas principais fontes de obtenção os serviços próprios do SUS (56,%) e as farmácias e drogarias privadas, mediante pagamento direto pelo usuário (32,%) Os fármacos antidiabéticos mais utilizados foram os antidiabéticos orais metformina e glibenclamida e a insulina NPH, obtidos principalmente nos estabelecimentos vinculados ao SUS (68,8%) e por aquisição com custeio próprio em farmácias e drogarias privadas (21,6%) Os fármacos hipolipemiantes mais utilizados foram sinvastatina (81,5%) e bezafibrato (6,5%), obtidos principalmente por pagamento direto em farmácias e drogarias privadas (52,2%) e serviços próprios do SUS (33,6%) CONCLUSÃO: O tratamento medicamentoso da hipertensão arterial mostrou-se superior ao de outras regiões do Brasil, enquanto o da diabetes é similar As unidades próprias do SUS eram os principais locais de aquisição de medicamentos para o tratamento da hipertensão e diabetes, o que sugere que as políticas públicas de Assistência Farmacêutica em Cambé/PR proporcionam boas condições de acessibilidade aos mesmos Para as dislipidemias, entretanto, o alcance das políticas ainda é limitado O baixo nível de controle da hipertensão, diabetes e dislipidemias pode indicar que o acesso aos medicamentos circunscreve-se ao domínio restrito É recomendado que o planejamento de ações de atendimento integral às pessoas com hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias baseie-se nos conceitos linha de cuidados e redes matriciais de atenção à saúdeItem Acesso aos serviços de atenção primária à saúde pelos imigrantes bengaleses sob a ótica dos trabalhadores de saúdeDelamuta, Karly Garcia; Mendonça, Fernanda de Freitas [Orientador]; Carvalho, Brígida Gimenez; Lanza, Líria Maria BettiolResumo: Em meio ao cenário de intenso movimento migratório mundial, foi observada no município de Rolândia no Paraná, presença constante de imigrantes de Bangladesh nos serviços de saúde Bangladesh é um país ao sul da Ásia, populoso, com baixo índice de desenvolvimento humano e que 9% de sua população é formada por muçulmanos Em 217, o Brasil se manteve como maior produtor e exportador mundial de frango halal, ou seja, produzido conforme os princípios do Islã Neste contexto, o estado do Paraná destaca-se como o maior produtor de carne de frango do Brasil Assim, Rolândia conta com dois grandes frigoríficos de frango, portanto, uma região atraente para este imigrante ao configurar potencial campo de trabalho Com uma população estimada de 7 pessoas, os imigrantes bengaleses em Rolândia demandam direitos sociais Assim, o objetivo deste trabalho é compreender como acontece o acesso desta população à atenção primária à saúde em Rolândia Esta pesquisa utiliza uma abordagem qualitativa de caráter exploratório e descritivo e foi realizada com trabalhadores da unidade básica de saúde localizada na região com maior concentração de bengaleses Para a coleta de dados, a princípio, foi realizada observação participante da rotina de trabalho desta unidade durante 1 mês, entre março e abril de 217 Em seguida, entre abril e julho de 217, foram entrevistados 13 trabalhadores que estão vinculados a este serviço há mais de dois anos Os entrevistados revelaram que a diferença cultural interfere nos encontros que envolvem trabalhador de saúde e imigrantes bengaleses e evidenciaram, dentre as barreiras culturais, o idioma como principal fator dificultador desta relação Esta condição desperta nos trabalhadores sentimentos e posturas diversos, alguns se sentem preparados e outros despreparados para o atendimento desta população Desta forma, situações de discriminação se evidenciaram, ainda que alguns trabalhadores não tenham essa clareza e afirmaram que os imigrantes são bem atendidos De modo geral, os participantes relatam que no início da migração era mais difícil a troca de informações, mas que vivenciaram, com o passar do tempo, melhora na relação dos bengaleses com a atenção primária à saúde, principalmente porque os imigrantes passaram a compreender melhor o funcionamento do serviço Assim, pode-se concluir que esta relação entre trabalhador e imigrante, bem como a forma de organização do serviço de saúde interferem diretamente no caminho percorrido pelo imigrante dentro da atenção primária Espera-se que este trabalho possa auxiliar na compreensão da complexidade dos diversos aspectos que envolvem a relação entre os imigrantes bengaleses e os trabalhadores da atenção primária, bem como ampliar o acesso desta populaçãoItem Achados endoscópicos de pacientes assintomáticos um ano após derivação gástrica em Y-de-Roux com bandagem para tratamento da obesidadeSpinosa, Sérgio Ricardo; Valezi, Antônio Carlos [Orientador]Resumo: Objetivo: o primeiro ano pós derivação gástrica em Y de Roux (DGYR) é o período mais crítico em termos de complicações pós-operatórias No pós-operatório tardio da DGYR a indicação da endoscopia digestiva alta (EDA) é controversa Alguns autores a indicam de rotina, outros seletivamente, mas nem todos os pacientes com alterações endoscópicas são sintomáticos e algumas alterações, mesmo que assintomáticas e tardias, são potencialmente graves, como as úlceras de boca anastomótica Os objetivos deste estudo são: avaliar os achados endoscópicos, correlacioná-los aos dados demográficos e presença de Helicobacter pylorii (Hp) Casuística e método: 715 pacientes assintomáticos foram prospectivamente submetidos à endoscopia digestiva alta de rotina no final do primeiro ano de pós-operatório Os achados destes exames foram avaliados quanto às alterações, prevalência e potencial de gravidade Os achados endoscópicos foram correlacionados ao gênero, faixa etária, Hp, categorias de índice de massa corpórea (IMC) e perda do excesso de peso (PEP) e avaliados com o teste de qui-quadrado ou o teste exato de Fisher, na dependência da distribuição dos dados Resultados: em 526 (73,5%) pacientes os achados foram normais, em 189 (26,5%) havia alteração à endoscopia digestiva alta Oitenta e quatro deles (11,7%) apresentaram alterações esofágicas, sendo 72 (1,1%) caracterizadas por esofagite e 12 (1,7%) por hérnia de hiato Quarenta e cinco pacientes (6,3%) apresentaram alterações do estômago e da anastomose, sendo 26 (3,6%) caracterizadas por úlcera de boca anastomótica, 9 (1,3%) por estenose da anastomose gastro-jejunal, 1 (1,4%) por extrusão do anel silicone e 72 (1,1%) por jejunite Houve correlação estatística significativa entre superobesidade extrusão do anel Conclusões: os achados endoscópicos de pacientes assintomáticos um ano após a derivação gástrica em Y-de-Roux com bandagem para tratamento da obesidade revelaram alteração em 26,5% dos pacientes, em 3,6% potencialmente graves Houve correlação estatística significativa entre superobesidade extrusão do anel Um quarto dos pacientes tiveram sua conduta modificada após a realização da endoscopia digestiva alta