Svá var Langt Sagt Á Íslandi: historical and Fictitious Narrative Boundaries in Twelfth and Thirteenth-Century Iceland

Data

2026-07-10

Autores

Botelho, Pedro de Araujo Buzzo Costa

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Resumo

Resumo: Este estudo investiga os mecanismos através dos quais narrativas medievais Islandesas construíam e legitimavam o conhecimento sobre o passado, com atenção particular à relação entre veracidade, autoridade narrativa e classificações modernas das sagas. Este examina como textos medievais Islandeses estabelecem reivindicações de credibilidade através de suas próprias práticas narrativas, sem pressupor uma separação estrita entre escrita histórica e ficcional. As fontes analisadas consistem em três textos tradicionalmente designados a diferentes categorias dentro do corpus das sagas: Ynglinga saga, comumente colocada entre as sagas de reis (konungasögur), e Yngvars saga víðförla e Eiríks saga víðförla geralmente associados às sagas lendárias (fornaldarsögur). Essas narrativas compartilham preocupações com configurações temporais e espaciais distantes, encontros com a alteridade e o uso de testemunho autoritativo, o que torna sua comparação analiticamente produtiva. Essa investigação combina abordagens historiográficas e conceituais. A Vorstellungsgeschichte fornece uma estrutura para examinar como representações de povos distantes, espaços e seres sobrenaturais expressam horizontes de plausibilidade historicamente situados e concepções compartilhadas de realidade. As reflexões de Tzvetan Todorov acerca da verossimilhança sustentam a análise de elementos narrativos extraordinários como parte de um sistema interpretativo mais amplo, que organiza experiência e significado. Também foi dada atenção às estratégias narrativas, como apelos a autoridades orais e escritas, construções genealógicas, discurso direto, referência a informantes e a incorporação de motivos literários maravilhosos. A noção de verdade sincrética, de Mikhail S. Kamenskij, juntamente com a Sociologia do conhecimento, de Berger e Luckmann, ampara um entendimento da cultura narrativa medieval Islandesa como um campo em que o conhecimento é produzido através de mecanismos de validação socialmente compartilhados. A distinção entre história e ficção é tratada como uma noção epistemológica moderna, com aplicação limitada ao contexto medieval sob examinação. Nos textos analisados, a credibilidade emerge através da mobilização das estratégias de legitimação mencionadas acima. A análise demonstra que os limites entre as categorias de sagas permanecem fluidas na prática, ao menos para o contexto contemporâneo às sagas. Através do corpus, a autoridade narrativa é construída através de repertórios de verificação cultural compartilhados, ao invés de divisões genéricas estáveis ou de autoria identificável. Este estudo conclui que a literatura de sagas pode ser entendida como uma prática narrativa flexível, envolvendo-se na produção e transmissão de conhecimento sobre o passado. O foco na veracidade e legitimidade revela como a cultura narrativa medieval Islandesa organizava a relação entre memória, testemunho e interpretação, e como a mesma articula mundos passados através de meios culturais fundamentados de plausibilidade e autoridade

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Palavras-chave

Fornaldarsögur, Konungasögur, Vorstellungsgeschichte, Historiografia Medieval, Islândia Medieval, Idade Média, Historiografia, Literatura nórdica antiga, Sagas, Islândia, História, Séc. XII-XIII

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