Implicações do novo sistema de classificação funcional nas dinâmicas competitivas do para judô: uma análise dos jogos paralímpicos de Paris 2024

Data

2026-02-20

Autores

Antunes, Danrlei Soares

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Resumo

Com o desenvolvimento das modalidades paralímpicas e a busca por tornar as competições mais justas, diversas mudanças e adaptações são frequentemente inseridas dentro das modalidades que compõem os Jogos Paralímpicos. Quando se trata do judô, historicamente atletas cegos (B1) e com baixa visão (B2 e B3) competiam juntos em uma categoria única, sendo divididos apenas pelo peso corporal. Entretanto, após estudos da Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA), foi identificado que atletas cegos apresentavam desvantagens quando comparados aos com baixa visão e a presença desses atletas nos pódios das competições eram pouco frequentes. Com isso, em 2021 a IBSA aprovou um novo sistema de classificação funcional e uma nova divisão de competições, alocando os atletas cegos em uma categoria exclusiva, chamada agora de J1 (acuidade visual binocular inferior a 2,60 LogMAR) e os atletas com baixa visão em uma outra categoria, chamada de J2 (J2 (acuidade visual binocular entre 1,30 e 2,50 LogMAR e/ou com campo visual restrito a um diâmetro inferior a 60 graus). Os Jogos Paralímpicos de Paris 2024 foram os primeiros jogos a receber uma competição com esse novo sistema de classificação e, por esse motivo, os estudos que analisam as novas características dos combates ainda são escassos. Dessa forma, o objetivo do presente projeto foi analisar as mudanças e as características de luta das classes J1 e J2 durante os Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Como objetivos específicos, buscou-se analisar e catalogar as técnicas aplicadas com sucesso entre as novas classes funcionais, além de verificar possíveis associações quanto ao tipo de técnica, classificação funcional e categoria de peso do atleta; e verificar a probabilidade de pontuação dentro de cada categoria de peso nas duas novas classificações funcionais. Os dados foram coletados através do livro de resultados oficial dos jogos e pelos registros em vídeo das lutas disponibilizados online pela IBSA. Os vídeos foram analisados pelo aplicativo Kinovea, com a categorização dos golpes aplicados, probabilidade de sucesso e tempo de luta. As análises estatísticas, como o teste exato de Fisher e a regressão logística binária, foram realizadas no aplicativo Jamovi, adotando como nível de significância um p valor < 0,05. Os resultados revelaram distinções relevantes na preferência por técnicas, na frequência de penalidades e na duração dos combates entre as duas classes. Atletas J1 tenderam a utilizar com maior frequência técnicas de contato próximo e dependentes do feedback tátil, como Te-Waza e Osaekomi-Waza, além de apresentarem lutas mais longas. Em contrapartida, atletas J2 demonstraram maior variabilidade em técnicas de projeção em pé, mas receberam mais penalidades em determinadas categorias, sugerindo diferenças no comportamento tático e na adaptação às regras. O uso consistente de técnicas de solo em ambas as classes reforça a importância do controle tátil e da consciência cinestésica no alto rendimento do judô paralímpico. No segundo estudo foi possível concluir que o novo sistema de classificação esportiva no para judô está associado a diferenças técnicas, temporais e probabilísticas mensuráveis nas ações de nage-waza, evidenciando impacto direto sobre a dinâmica competitiva da modalidade. Embora as classes J1 e J2 compartilhem uma estrutura técnica geral semelhante marcada pela predominância do Ashi-waza, a análise detalhada revelou que o tipo de técnica empregada, o momento temporal das ações e, principalmente, a eficiência na conversão das tentativas em pontuação variam de forma consistente conforme a classe esportiva, a categoria de peso e o sexo. Esses achados reforçam a relevância da nova estrutura de classificação na promoção da equidade competitiva e evidenciam a necessidade de estratégias de treinamento específicas para cada classe, considerando as demandas sensoriais e táticas

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Palavras-chave

Judô adaptado, Deficiência visual, Esporte Paralímpico, Judô, Desempenho esportivo

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