Atividade antiviral de pectina sulfatada derivada de Passiflora edulis na replicação de vírus respiratórios (RSV e SARS-CoV-2) in vitro
Data
2026-07-21
Autores
Bissochi, Isabella Maria Tomaz
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Editor
Resumo
As infecções virais respiratórias representam um importante problema de saúde pública mundial, responsáveis por elevada morbidade, especialmente em populações vulneráveis. Destaca-se entre essas a COVID-19 e a bronquiolite infantil, causados, respectivamente, por Coronavírus da Síndrome Respiratória 2 (SARS-CoV-2) e Vírus Sincicial Respiratório (RSV). Apesar dos avanços terapêuticos observados nos últimos anos, as opções antivirais disponíveis ainda são limitadas, reforçando a necessidade da busca por novos compostos com potencial antiviral, seguros e de amplo espectro. Nesse contexto, polissacarídeos naturais e quimicamente sulfatados vêm sendo amplamente investigados devido às suas propriedades biológicas, incluindo a atividade antiviral. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi avaliar a citotoxicidade, atividade antiviral e possível mecanismo de ação da pectina sulfatada extraída da casca do fruto de Passiflora edulis f. flavicarpa (PecMS2.4) frente à infecção por SARS-CoV-2 e RSV, in vitro. Para isso, foram utilizadas, respectivamente, células Vero e HEp-2, cultivadas e mantidas a 37°C e 5% de CO2. A avaliação da citotoxicidade e da atividade antiviral foirealizada através dos ensaios CellTiter-Glo® Cell Viability Assay ou MTT, com determinação das concentrações citotóxicas (CC50) e inibitórias (IC50) de 50%, além do índice de seletividade (IS: CC50/ IC50). O mecanismo de ação nas etapas iniciais de infecção foi investigado através dos ensaios simultâneo, virucida e de inibição de adsorção viral, por TCID50 e MTT e confirmados por RT-qPCR. PecMS2.4 não apresentou citotoxicidade nas maiores concentrações testadas em células Vero e HEp-2, apresentando CC50 > 250 μg/mL. O composto demonstrou elevada atividade antiviral durante a triagem com IC50 < 1,9 μg/mL e IS > 131,6 para RSV e IC50 de 40,7 μg/mL eIS > 6,14 para SARS-CoV-2. Sua eficácia foi confirmada demonstrando inibir diferentes etapas iniciais da infecção viral para ambos os vírus. Até o momento, PecMS2.4demonstrou efeito simultâneo, virucida e na adsorção para SARS-CoV-2 e RSV. Dessa forma, os resultados obtidos demonstram que PecMS2.4 apresenta promissora atividade de amplo espectro antiviral in vitro, contra RSV e SARS-CoV-2. Destaca-se também a baixa citotoxicidade e seu potencial biotecnológico como candidatas ao desenvolvimento de novos agentes antivirais. Estudos futuros ainda são necessários para aprofundar a compreensão dos mecanismos de ação envolvidos em etapas posteriores da infecção e investigação em modelos in vivo.
Descrição
Palavras-chave
SARS-CoV-2, RSV, Passiflora edulis, Pectina sulfatada, In vitro, Maracujá