Resistência antimicrobiana em isolados da corrente sanguínea: estudo epidemiológico em hospital universitário, de 2015-2024

Data

2026-03-20

Autores

Sugiura, Larissa

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Resumo

As infecções da corrente sanguínea (ICS) representam importante causa de morbimortalidade em pacientes hospitalizados, sendo fortemente influenciadas pelo perfil microbiológico, pela resistência antimicrobiana (RAM) e por fatores assistenciais. A pandemia de COVID-19 impôs mudanças significativas na dinâmica das infecções hospitalares, sinalizando a necessidade de avaliação de seus impactos sobre as ICS. O presente estudo teve como objetivo analisar a epidemiologia dos microrganismos, os perfis de RAM e os desfechos clínicos dos pacientes que tiveram ICS, no Hospital Universitário de Londrina, no período de 2015 a 2024, comparando os períodos pré-pandemia, pandemia e pós-pandemia de COVID-19. Dessa forma, o estudo foi realizado a partir da análise de isolados provenientes de hemoculturas positivas obtidas através do sistema BACTEC™ FX (Bectron Dickinson), com identificação e teste de sensibilidade automatizados realizados no sistema Vitek2® (BioMérieux – Brasil). Os testes de sensibilidade aos antimicrobianos foram interpretados de acordo com os critérios de CLSI e BrCAST, dos respectivos períodos analisados. Foram avaliados dados demográficos, desfecho na internação, microrganismos isolados e perfis de RAM pelo registro nos prontuários eletrônicos da instituição. Foram incluídos no estudo, 5.016 pacientes, sendo que alguns apresentaram episódios por mais de um microrganismo, totalizando 6.905 isolados. As bactérias Gram-positivas corresponderam a 60,3% dos isolados, com destaque Staphylococcus aureus (20,4%), Enterococcus faecalis (9,8%) e outros (42,3%). As bactérias Gram-negativas representaram 39,7%, sendo mais frequentes Klebsiella pneumoniae (29,2%), Acinetobacter baumannii (19,7%), Escherichia coli (12,6%), Pseudomonas aeruginosa (10,7%) e Serratia marcescens (7,2%). Observou-se elevada frequência de RAM durante a pandemia, incluindo resistência à vancomicina em Enterococcus faecium (66,2%) e à carbapenêmicos em A. baumannii (93,0%). Na transição do período pandêmico para pós-pandêmico, houve diminuição de pacientes acometidos por óbito e internados na unidade de terapia intensiva (UTI) que tiveram ICS por bactérias não fermentadores. Foram encontradas diferenças significativas entre os períodos pré-pandemia, pandemia, pós-pandemia quanto à distribuição dos microrganismos, perfil de resistência, internação em UTI e desfechos clínicos, com maior associação entre RAM, UTI e mortalidade. Pacientes com ICS por bactérias não fermentadoras apresentaram a maior taxa de óbito durante a pandemia de 68,6%. A análise da densidade de incidência evidenciou uma elevação de episódios de ICS durante o período pandêmico, com destaque para A. baumannii e E. faecalis como agentes isolados, associados à RAM. Conclui-se que as ICS apresentaram perfil epidemiológico complexo, com elevada carga de RAM, reforçando a importância da vigilância microbiológica contínua e do uso racional de antimicrobianos no ambiente hospitalar

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Palavras-chave

Infecção da corrente sanguínea, Resistência antimicrobiana, Pandemia, Óbito, Infecção da corrente sanguínea - epidemiologia, Infecção da corrente sanguínea - agente antimicrobiano, Infecção da corrente sanguínea - hospitais

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