Estudo descritivo da violência contra a mulher em relacionamentos íntimos
Data
2026-02-27
Autores
Araújo, Nathalia Maria Gouveia de
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
Resumo: A presente pesquisa tem como objetivo identificar e mapear os diferentes tipos de violência cometidos contra mulheres, com foco na violência perpetrada por parceiros íntimos. Para tal, adota-se como referencial teórico as contribuições de Martín-Baró, segundo o qual a violência constitui uma ferramenta de manutenção de poder e estrutura social, articulada às relações de dominação e desigualdade, e a Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que define e busca coibir cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. A relevância deste estudo reside na constatação de que há uma naturalização de comportamentos violentos que são considerados como “normais” dentro da dinâmica dos relacionamentos afetivos como resultado de uma sociedade marcada por uma lógica estruturalmente patriarcal. Assim, a pesquisa assume um compromisso ético e científico com a construção de instrumentos que contribuam para a identificação e compreensão dessas violências menos visíveis, favorecendo estratégias de enfrentamento mais eficazes. Participaram do estudo 377 mulheres adultas, a amostra majoritariamente composta por mulheres jovens com idades entre 25 a 29 anos, residentes das regiões sul e sudeste do Brasil, com alto nível de escolaridade com ensino superior completo e pós-graduadas, autodeclaradas brancas e que já haviam vivenciado algum tipo de relacionamento afetivo ou sexual. A coleta de dados foi realizada de forma remota, por meio de um formulário online divulgado em redes sociais e espaços universitários, utilizando a técnica Bola de Neve para o recrutamento de participantes. O formulário, composto por quatro seções, incluiu itens de levantamento sociodemográfico, questões de autopercepção da violência e o Questionário de Avaliação da Violência contra a Mulher Perpetrada por Parceiro Íntimo (QAVCMPPI), elaborado a partir da adaptação e integração de diferentes instrumentos nacionais e internacionais de avaliação da violência de gênero. O instrumento contemplou itens sobre violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, organizados em escala Likert, e foi submetido à validação de conteúdo por juízas especialistas. A validação de conteúdo demonstrou alta concordância entre as juízas, indicando consistência teórica e clareza nos itens avaliativos. Após a coleta, os dados foram analisados por meio de estatísticas descritivas e inferenciais, utilizando o software SPSS, com vistas à verificação de médias, desvios-padrão e Teste-t de Student para amostras independentes. A análise dos resultados evidenciou a complexidade e a persistência da violência contra a mulher em relacionamentos íntimos, o que revela que as múltiplas formas de violência continuam a se manifestar de maneira naturalizada nas dinâmicas conjugais. A caracterização da amostra apontou diversidade quanto à idade, escolaridade, renda, religião e situação conjugal, no qual o caráter transversal da violência de gênero é reforçado. Os resultados revelaram índices expressivos de violência psicológica e moral, seguidos pelos índices de violência sexual e patrimonial, com a violência física apresentando menor frequência, o que confirma que as formas de violência não física frequentemente representam um risco invisibilizado para as mulheres, ainda que elas também causem prejuízos funcionais importantes. De modo geral, os achados demonstram que a violência contra a mulher perpetrada por parceiro íntimo é um fenômeno que atinge mulheres independente da classe, mesmo que mulheres em condição de vulnerabilidade socioeconômica estejam expostas a um risco significativamente maior. A violência perpetrada por parceiro íntimo é um fenômeno que se adapta as condições de vida da mulher para continuar atuando como ferramenta de manutenção das relações de poder estruturadas pela lógica patriarcal. O estudo indica também a importância de existir ferramentas de identificação e desnaturalização de violências mais veladas, e por vezes invisíveis, para que as mulheres possam ter acesso aos seus direitos assegurados, e para que a população geral e os serviços de atendimento atuem no sentido de mitigar os efeitos dessas violências
Descrição
Palavras-chave
Violência contra a mulher, Relacionamentos íntimos, Identificação da violência, Avaliação psicológica, Psicologia, Violência contra parceiros íntimos