Protestos, denúncias, repressões e elogios: a escolarização e suas figurações na imprensa durante a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1971)
Data
2026-01-15
Autores
Guarnieri, Dayane Cristina
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Resumo
Esta tese se insere na Linha de Pesquisa Perspectivas Filosóficas, Históricas, Políticas e Culturais da Educação, do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu), com foco específico na área da História da Educação. A presente pesquisa busca investigar as figurações escolarizadas, em um contexto marcado pelo aumento da coerção estatal, em 1964, após o golpe civil-militar no Brasil, até 1971, quando ocorre a reforma do ensino estabelecida pela Lei nº 5692/71, momento do auge da repressão da ditadura civil-militar. O estudo pressupõe que frequentemente haviam práticas desenvolvidas nas figurações escolarizadas que precisavam assumir um caráter reivindicatório, atravessado por tensões sociais que, por vezes, culminam em conflitos. Esses comportamentos se contrapunham aos valores sociais do novo regime político autoritário, sustentado por defender uma imagem de ordem, harmonia e controle social. Nesse sentido, o estudo objetiva compreender como a ditadura civil-militar impactou os códigos sociais públicos reivindicatórios nessas figurações. Para tanto, analisa as representações das dinâmicas sociais formadas por fragmentos cotidianos de sujeitos que se movimentavam em torno de escolas e universidades a partir de duas fontes periódicas: o Jornal do Brasil, acessado pela Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional; e a Folha de Londrina, consultada em formato impresso no Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade Estadual de Londrina. Ambos os periódicos se destacam devido à ampla circulação em nível nacional e local, respectivamente. A fim de analisar os dados, a pesquisa adota a perspectiva teórico metodológica sócio-histórica de Norbert Elias. De acordo com o autor, o campo social influencia diretamente os códigos sociais das figurações cujas dinâmicas geram diferentes graus de controle dos comportamentos humanos, o que impacta o processo civilizador. Apesar da fragmentação e das tendências as representações impressas indicaram múltiplos comportamentos e vozes que se reforçam ou se opõem. Essa gama de depoimentos e experiências diárias das figurações escolarizadas revelou como elas enfrentaram os conflitos e as tensões específicas do seu grupo e daquelas relacionadas ao habitus e a estrutura nacional inseridas em um campo social de crescente autoritarismo e implantação de um regime ditatorial. Nessa conjuntura, os códigos sociais públicos reivindicatórios foram utilizados para ampliar o gradiente de poder, construir imagens e alianças para exercer pressão nas autoridades, conferir legitimidades e atendimento às suas causas e aos seus atos de protestos. A valorização consensual sobre a relevância da escolarização e suas precariedades cria um espaço público legítimo que se ampliou o que permite que as figurações escolarizadas se tornem os principais agentes de contestação durante a ditadura civil-militar. A demanda por uma postura reivindicatória nesse processo de expansão do contingente escolar e a repressão do Estado obriga os indivíduos dessas figurações a se autocontrolarem mesmo durante atos marcados por emoções de inconformismo e revolta.
Descrição
Palavras-chave
Escolarização, Universidade, Escola, Estudantes, Professores, Norbert Elias, Figurações, Códigos sociais públicos, História da Educação, Ditadura Civil-Militar, Imprensa, Periódicos, Educação - História, Brasil - História - 1964-1985