A exposição in vitro ao cloridrato de atomoxetina altera a expressão gênica e prejudica a morfofisiologia de células de Leydig TM3

Data

2025-08-22

Autores

Quadreli, Débora Hipólito

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Resumo

A busca por medicamentos não estimulantes do sistema nervoso central vem aumentando para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), uma vez que possuem menor potencial de abuso e ainda assim são eficazes na redução dos sintomas. Dentre esses medicamentos, a atomoxetina atua como um inibidor seletivo da recaptação de norepinefrina, aumentando a concentração desse neurotransmissor na fenda sináptica. Embora seja eficaz na melhora dos sintomas característicos do TDAH, seus efeitos sobre sistemas específicos, especialmente sobre a função reprodutiva masculina, ainda não foram analisados. As células de Leydig, localizadas no interstício testicular, são fundamentais para a síntese de testosterona e, consequentemente, na fertilidade masculina. Sendo assim, este estudo objetiva avaliar os possíveis efeitos do cloridrato de atomoxetina em linhagem de células de Leydig TM3 in vitro. Para isso, as células foram expostas a concentrações de 250, 1000 ou 1750 ng/mL de cloridrato de atomoxetina por 4 horas para o ensaio cometa, 12 horas para a expressão gênica e 24 horas para os ensaios de viabilidade e morte celular, perfil oxidativo, dosagens de citocinas e testosterona e, por fim, ensaio clonogênico. As concentrações utilizadas foram baseadas nas concentrações plasmáticas de pacientes que utilizaram a dose terapêutica desse fármaco. Os resultados evidenciaram que nenhuma das concentrações do cloridrato de atomoxetina alterou a viabilidade celular e os níveis de citocinas pró-inflamatórias TNF-a e IL-1ß. No entanto, em concentrações mais altas (1000 e 1750 ng/mL) o fármaco induziu estresse oxidativo, danos ao DNA e morte celular com morfologia apoptótica e necrótica. Além disso, houve redução significativa dos níveis de testosterona, IL-33 e da capacidade clonogênica das células. A análise de expressão gênica revelou modulação negativa de genes anti-apoptóticos (Bcl-2) e positiva de genes pró-apoptóticos (BAX), relacionados ao estresse oxidativo (HO-1 e Nrf2) e ao receptor androgênico (AR). Esses achados sugerem que o cloridrato de atomoxetina promove prejuízos morfofisiológicos em células de Leydig in vitro, com possíveis implicações para a saúde reprodutiva masculina

Descrição

Palavras-chave

TDAH, Estresse oxidativo, Sistema reprodutor masculino, Toxicidade, Patologia experimental, Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade - TDAH, Genitália masculina

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