O comportamentalismo radical pode ser um individualismo?
Data
2025-09-24
Autores
Lima, Leticia Batista de
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Resumo
Criado no contexto da sociedade ocidental, que se caracteriza por práticas individualistas, o comportamentalismo radical inicialmente parece se distanciar do individualismo, adotando por objeto de estudo o comportamento e não o indivíduo. Ainda assim, nas obras de B. F. Skinner vemos o “organismo que se comporta” ser referenciado como “indivíduo”, temos a afirmação da unicidade dos indivíduos e a argumentação de que é possível explicar o fenômeno de grupo por meio dos comportamentos individuais. Esta pesquisa é proposta como uma investigação teórico-conceitual com o objetivo de avaliar se o comportamentalismo skinneriano pode ser considerado um tipo de individualismo. Para sistematizar o conceito de “indivíduo” de acordo com os individualismos, foi feita uma busca em dicionários e enciclopédias por verbetes que incluíssem qualquer uma das seguintes palavras: individualismo (nos diferentes idiomas), “indivíduo” (e variações), e “personalismo” (personalism). Foram identificadas três principais linhas filosóficas individualistas: individualismo atomista, individualismo personalista e individualismo metodológico. Para comparar o conceito de “indivíduo” entre o comportamentalismo skinneriano e os individualismos, foram selecionados 52 capítulos de 13 livros de Skinner que apresentavam ao menos uma palavra com a raíz “individ” e que continham no nome conceitos relacionados aos três níveis de seleção que formam o ser humano e aos métodos e características de uma ciência do comportamento. A seleção também foi guiada por conceitos identificados como relevantes no estudo do individualismo: autoconsciência ou consciência, subjetividade, liberdade, relações sociais e instituições. Os capítulos selecionados foram lidos na íntegra. Os dados foram organizados em tabelas que indicam fonte, principais ideias do trecho sobre o indivíduo, citação direta do trecho, aproximações com o individualismo, e comentários. Por fim, foi realizada uma síntese textual comparando o conceito de “indivíduo” para o comportamentalismo skinneriano e os diferentes tipos de individualismo. Foram identificadas afirmações similares entre as três teorias individualistas e o comportamentalismo, destacando-se as teses sobre a singularidade da pessoa, assim como a defesa do desenvolvimento de teses gerais a partir do estudo de casos particulares. O individualismo e o comportamentalismo radical se diferem principalmente devido à análise selecionista adotada pelos comportamentalistas, que dificulta a comparação com os conceitos internalistas que são definidores de indivíduo e pessoa para os individualistas. O comportamentalismo radical afirma o indivíduo como resultado dos três processos de seleção pela consequência, composto por diferentes dimensões: o organismo como produto da filogênese, a pessoa como produto da ontogênese, e o self como produto da seleção cultural. O indivíduo é compreendido como o conjunto desses processos e resultados. Apesar das aproximações entre algumas afirmações sobre os fenômenos estudados, o comportamentalismo radical não é um tipo de individualismo no sentido utilizado pelas filosofias individualistas. O comportamentalismo radical apresenta uma teoria complexa, na qual o indivíduo tem grande importância, mas que só existe como tal em uma relação com o coletivo, e, portanto, o estudo do indivíduo requer um olhar menos condicionado à disputa dicotômica entre indivíduos e grupos
Descrição
Palavras-chave
Indivíduo, Individualismo, Comportamentalismo radical, Ciência do comportamento, Subjetividade, Consciência, Liberdade, Relações sociais, Epistemologia