Concordância entre a percepção de incapacidade relatada por pacientes com insuficiência cardíaca e por seus entes próximos
Data
2026-06-09
Autores
Aquino, Débora Camila Lobo de
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
Introdução: Estudos têm buscado mensurar a incapacidade em diferentes condições de saúde, incluindo a insuficiência cardíaca (IC). Adicionalmente, essas investigações têm se expandido para a comparação entre as percepções de pacientes e de seus entes próximos (proxies), buscando verificar se os relatos dos proxies podem ser considerados válidos para complementar ou substituir o relato do paciente, bem como identificar possíveis limitações na comunicação. Embora a literatura aponte divergências significativas entre essas percepções, a existência e a magnitude dessas discrepâncias na díade composta por pacientes com IC e seus informantes ainda permanecem inexploradas. Objetivo: Descrever e comparar a incapacidade (global e em seis domínios) de pacientes com IC autorrelatada e a relatada por seus proxies, analisar a concordância entre esses relatos e investigar diferenças na percepção de acordo com distintas características sociodemográficas. Métodos: Em um estudo transversal, foram incluídos indivíduos com diagnóstico de IC e seus respectivos proxies. A incapacidade foi avaliada por meio do World Health Organization Disability Assessment Schedule (WHODAS 2.0) de 36 itens (versões autorrelatada e proxy), com escores que variam de 0 (nenhuma incapacidade) a 100 (incapacidade extrema), tanto na pontuação global quanto em seis domínios de vida. O Mini Exame Estado Mental (MEEM) foi utilizado para avaliação do estado mental dos pacientes e proxies. Os pacientes também foram avaliados quanto à fração de ejeção de ventrículo esquerdo (FEVE), qualidade de vida (Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire, MLHFQ) e classe funcional da New York Heart Association (NYHA). O teste de Wilcoxon foi utilizado para comparação entre as pontuações e o coeficiente de correlação intraclasse (CCI) e de Kappa ponderado (K) para análise das concordâncias, complementados por análises visuais de Bland-Altman. Para o cálculo do K, os escores foram classificados em: nenhuma incapacidade (0-4), leve (5-24), moderada (25-49), grave (50-95) e incapacidade extrema (96-100). Um nível de significância estatística de 5% foi adotado. Resultados: 58 pacientes (31H, 62±8 anos; NYHA I/II/III 20/28/10; FEVE 48 [36-60] %, MEEM 27 [26-28]) e seus respectivos proxies (44M, 50±16 anos; MEEM 28 [27-29]) foram avaliados. Não houve diferença estatística entre as percepções de incapacidade (P>0,05). A concordância na pontuação total foi moderada (CCI=0,56 e k=0,44; P<0,001) e variou de baixa a moderada entre os domínios (0,14<CCI<0,69), com exceção do autocuidado (CCI=1,00). A menor concordância foi no domínio relações interpessoais (CCI=0,14; P>0,05). Além disso, uma concordância baixa no escore total foi identificada quando as díades eram compostas por proxies filhos (CCI=0,47) e mais jovens (CCI=0,49) e pacientes do sexo feminino (CCI=0,48). Conclusões: Não houve diferença estatística entre os relatos, no entanto, a concordância entre pacientes com IC e seus proxies foi apenas moderada. Menores valores de concordância foram observados em díades compostas por pacientes do sexo feminino, bem como naquelas em que os proxies eram filhos e apresentavam menor idade
Descrição
Palavras-chave
Insuficiência cardíaca, Cuidador familiar, Estado funcional, Autorrelato, Cuidadores