Efeitos da isotretinoína oral sobre a função olfatória dos pacientes com acne
Data
2026-04-22
Autores
Kondo, Rogério Nabor
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Resumo
Resumo: Introdução: O olfato é importante para a nutrição e para uma boa qualidade de vida. A associação entre o uso de isotretinoína (ISO) e a disfunção olfatória não foi totalmente estabelecida. Estudos prévios demonstraram que o uso de ISO em pacientes com acne pode diminuir a função olfativa, mas não utilizaram métodos psicofísicos como o Teste de Identificação de Odores da Universidade da Pensilvânia (UPSIT®). Objetivos: Avaliar a função olfatória em pacientes com acne tratados com ISO, identificar fatores associados à disfunção olfatória, analisar a evolução do olfato em indivíduos com rinite e verificar se eventuais alterações persistem após o término do tratamento. Métodos: No estudo transversal incluíram-se pacientes com acne, controlados por idade e sexo, que eram usuários atuais de ISO oral, e controles não expostos sem queixas olfativas. O UPSIT® e o questionário validado (Nasal Obstruction Symptom Evaluation - NOSE) foram aplicados para avaliar a obstrução nasal em pacientes expostos à ISO. No estudo longitudinal, a amostra consistiu exclusivamente de indivíduos que iniciariam o tratamento com ISO, sendo avaliados pelo UPSIT® e NOSE antes da primeira dose (T1), no mês de maior dose acumulada do medicamento (T2) e dois meses após o término do tratamento (T3). Resultados: No estudo transversal houve uma prevalência de disfunção olfativa maior no grupo exposto em comparação com o grupo não exposto (62,9% vs. 17,1%), p<0,001, resultando em uma razão de prevalência (RP) de 3,7 (IC 95%: 1,9–7,1). No entanto, a maioria das disfunções foi de hiposmia leve. A função olfativa demonstrou uma correlação negativa com a duração do tratamento (p=0,01), a dose cumulativa (p=0,02) e a obstrução nasal (p=0,02). No estudo longitudinal, com inclusão de maior número de pacientes com rinite, houve um leve comprometimento nas categorias da função olfativa durante o tratamento (T1>T2, p=0,04). No entanto, após o tratamento, houve recuperação (T3>T2; p=0,02). As pontuações médias iniciais do UPSIT® (T1), ajustadas para o sexo, dos participantes com rinite foram menores do que as dos participantes sem rinite: (31 ± 4 vs. 34 ± 3; p=0,02). Durante o estudo, houve uma melhora progressiva na qualidade olfativa entre os participantes com rinite e, após o tratamento (T3), as pontuações foram ainda maiores do que no início (T3>T1, p <0,01). As pontuações do UPSIT® e do NOSE apresentaram correlação negativa, com rho = -0,46 (IC 95% -0,60 a -0,30; p<0,01), ao longo do estudo. Conclusões: O tratamento com ISO oral foi associado a uma piora transitória do olfato em pacientes com acne sem rinite, mas com uma melhora da função olfativa naqueles com rinite. A xerose mucocutânea durante o uso de ISO pode prejudicar o transporte de odorantes em narinas saudáveis, ao passo que, na rinite, a redução da carga de muco e da congestão pode facilitar o acesso dos odorantes à fenda olfatória e melhorar a identificação no decorrer do tratamento
Descrição
Palavras-chave
Acne, Anosmia, Doenças nasais, Isotretinoína, Olfato, Rinite, Transtornos do olfato, Teste de Identificação do Olfato da Universidade da Pensilvânia (UPSIT)