Avaliação de cães e gatos com traumatismo craniano por meio de escalas de trauma e da monitoração não invasiva da complacência intracraniana

Data

2026-04-27

Autores

Bernardes, Giselle de Lima

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Resumo

O traumatismo craniano é importante causa de morbidade e mortalidade em cães e gatos, e a hipertensão intracraniana (HIC) é determinante de pior prognóstico. Na medicina veterinária, ainda há poucos estudos prospectivos sobre dinâmica intracraniana, e muitas condutas são extrapoladas da medicina. O comprometimento da complacência intracraniana (CI) pode preceder o aumento da pressão intracraniana (PIC), atuando como marcador fisiopatológico precoce. A monitorização invasiva da PIC é padrão de referência, porém envolve alto custo e riscos de hemorragia e infecção, limitando seu uso rotineiro. Métodos não invasivos têm sido propostos como alternativa, incluindo a análise morfológica da onda de PIC e da razão P2/P1 como marcador indireto de CI. Esta tese teve como objetivo avaliar a dinâmica da CI em cães e gatos por meio da razão P2/P1 obtida pela monitorização não invasiva da onda de PIC, correlacionando-a com escalas clínicas e desfecho hospitalar, além de compará-la em gatos com traumatismo craniano com gatos saudáveis. O estudo 1 foi prospectivo e incluiu 38 animais com traumatismo craniano (18 cães e 20 gatos). Após estabilização, foram registrados parâmetros clínicos à admissão (temperatura retal, frequência cardíaca e respiratória, tempo de preenchimento capilar, coloração de mucosas, grau de hidratação, qualidade do pulso, pressão arterial sistólica e glicemia), hemogasometria venosa e aplicadas a Escala de Coma de Glasgow modificada (ECGM) e a Triagem de Trauma Animal (TTA). A PIC não invasiva foi obtida em 26 animais (15 cães e 11 gatos), com cálculo da razão P2/P1. O desfecho avaliado foi sobrevivência até a alta hospitalar, e a acurácia prognóstica das variáveis analisada por curvas ROC. No estudo 2, a razão P2/P1 foi comparada entre gatos com traumatismo craniano e controles saudáveis. A sobrevivência hospitalar nos cães e gatos com TCE foi de 71,1%, com maior mortalidade em cães. Parâmetros clínicos à admissão não diferiram entre sobreviventes e não sobreviventes, enquanto menores concentrações de bicarbonato associaram-se ao óbito. A ECGM inicial foi menor nos não sobreviventes e mostrou excelente desempenho prognóstico (AUC 0,96; ponto de corte =11), enquanto a TTA apresentou desempenho moderado (AUC 0,66). A razão P2/P1 não diferiu entre sobreviventes e não sobreviventes, não se correlacionou com ECGM ou TTA e apresentou baixa capacidade discriminatória para mortalidade (AUC 0,43). Em contraste, na análise comparativa, gatos com traumatismo craniano apresentaram razão P2/P1 significativamente maior que controles, indicando comprometimento da CI. Conclui-se que a razão P2/P1 obtida pela monitorização não invasiva da onda de PIC não foi capaz de predizer o desfecho hospitalar nem se correlacionou com escalas clínicas, mas demonstrou capacidade de detectar alterações da CI, especialmente em gatos. A ECGM mostrou-se um forte preditor de mortalidade. Assim, a monitorização não invasiva da onda da PIC não substitui as escalas clínicas, mas pode complementar a avaliação fisiopatológica

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Palavras-chave

Trauma cranioencefálico, Pressão intracraniana, ECGM, TTA, Escala de coma de Glasgow, Triagem de trauma animal, Cães, Gatos

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