Associação entre exposição parental aos agrotóxicos e perfil clínico das leucemias agudas pediátricas na prole
Data
2026-07-20
Autores
Silva, Kennia Cristine de Souza
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Resumo
A leucemia aguda pediátrica é uma doença multifatorial cuja etiologia envolve a interação entre fatores genéticos, epigenéticos e ambientais. Entre os fatores ambientais, a exposição parental aos agrotóxicos tem sido apontada como um potencial fator de risco para a leucemogênese. Entretanto, permanecem limitadas as evidências sobre sua influência nas características clinicopatológicas e na resposta ao tratamento das leucemias agudas pediátricas. Diante disso, esta tese teve como objetivo investigar a associação entre a exposição parental aos agrotóxicos, as características clinicopatológicas e os desfechos terapêuticos das leucemias agudas na prole. Esta tese foi desenvolvida em dois artigos científicos. No primeiro artigo, realizou-se uma revisão sistemática da literatura, conduzida conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020) e registrada no International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO). Foram pesquisadas as bases PubMed e Web of Science, abrangendo estudos publicados entre 2012 e 2025. Dos 312 estudos identificados, 14 atenderam aos critérios de elegibilidade e foram incluídos na revisão. Os resultados demonstraram que a maioria dos estudos encontrou associação entre a exposição parental aos agrotóxicos e maior risco de leucemia na prole, principalmente quando a exposição ocorreu nos períodos pré-concepcional, gestacional e perinatal. Além disso, as evidências apontaram que alterações epigenéticas, estresse oxidativo, danos ao DNA e instabilidade cromossômica constituem mecanismos biológicos potencialmente envolvidos na leucemogênese, destacando a necessidade de estudos que elucidem essas vias fisiopatológicas. No segundo artigo, realizou-se um estudo observacional, descritivo e transversal com 40 crianças e adolescentes (0–17 anos) diagnosticados com leucemia linfoblástica aguda ou leucemia mieloide aguda, atendidos no Hospital do Câncer de Londrina, Paraná. A exposição ocupacional e ambiental parental aos agrotóxicos foi investigada por meio de questionário validado aplicado às mães, enquanto as informações clínicas, laboratoriais, genéticas e terapêuticas foram obtidas dos prontuários médicos das crianças e adolescentes. Os resultados evidenciaram elevada frequência de exposição parental, principalmente relacionada à proximidade de áreas agrícolas, ao contato ocupacional ou doméstico e à aplicação direta de agrotóxicos. Em contrapartida, a exposição parental aos agrotóxicos esteve associada à persistência da doença residual mínima no D28, indicando resposta terapêutica inicial menos favorável. Em conjunto, os resultados desta tese reforçam as evidências de que a exposição parental aos agrotóxicos constitui um importante fator ambiental relacionado às leucemias agudas pediátricas. A revisão sistemática consolidou as evidências da associação entre essa exposição e o risco de desenvolvimento da doença, enquanto o estudo clínico original demonstrou sua associação com um prognóstico inicial menos favorável, evidenciado pela persistência da doença residual mínima. Embora os achados não permitam estabelecer uma relação de causalidade, eles reforçam a necessidade de estudos multicêntricos, prospectivos e com maior número de participantes para confirmar essa associação, esclarecer os mecanismos biológicos envolvidos e ampliar o conhecimento sobre a influência da exposição parental aos agrotóxicos na leucemogênese e na resposta ao tratamento das leucemias agudas pediátricas
Descrição
Palavras-chave
Leucemia aguda pediátrica, Exposição a pesticidas, Exposição parental, Exposição transgeracional, Doença residual mínima, Exposição materna, Leucemia em crianças, Epigenética