Repertórios visuais em narrativas literárias afro-brasileiras (1996-2023): a moda, a arquitetura e as cores na pós-modernidade

Data

2026-03-20

Autores

Camilo, Gabriel Henrique

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Resumo

Os estudos literários críticos e bibliográficos no Brasil, em uma perspectiva de análise interdisciplinar, encontram na dimensão vestimentar do corpo e da arquitetura áreas de pesquisa pouco aprofundadas. Intervindo no espaço da narrativa pós-moderna de autoria negra nacional, o objetivo geral desta proposta é compreender e analisar um conjunto de produções que abordam a moda, enquanto dinâmica vestimentar, a arquitetura e os sentidos produzidos pelas cores na narrativa, reunindo as obras em um arco histórico no final do século XX e decorrer do XXI. Enquanto objetivos específicos, busca-se analisar criticamente as estratégias estéticas de figuração da imagem do corpo-sujeito na obra de escritores afro-brasileiros (1996–2023), considerando aspectos sociohistóricos e estados de alma construídos por meio de cores e vestimentas; investigar como moda, cor, tempo e espaço arquitetônico se entrelaçam na caracterização das personagens e na construção narrativa; estabelecer diálogos entre pensamento pós-moderno, arte contemporânea e teorias literárias, artísticas, da moda e da arquitetura, em contexto histórico e político-étnico; contribuir para os estudos sobre teorias do vestir e da aparência articulados à literatura, arte e arquitetura, ampliando debates sobre visualidades na produção afro-brasileira. A seleção das obras se deu pela relevância sociocultural, inovação e contribuição estilística e temática, representatividade das vozes às margens, influência crítica, como se encontram presentes em listas de vestibulares e premiações recentes, disponibilidade do material e alinhamento com as especificidades buscadas pela pesquisa, em especial, pela presença das visualidades. A leitura comparada evidencia vários espaços de confluências, dentre os quais se investigam as estratégias de figuração (imagens de um “eu”, corpo-sujeito, que se faz em relação ao outro) nos textos elencados. A pesquisa exploratória evidenciou que os diários, contos e romances partilham de um mesmo solo histórico, o qual, por vezes, é invisibilizado pelas teorias e história da literatura e das artes. Isso porque essas visualidades presentes nas obras literárias influenciam na construção da imagem de sujeitos e de seus estados de subjetivação. Evidencia-se como corpus da pesquisa: Meu estranho diário (1996), Meu sonho é escrever… contos inéditos e outros escritos (2018) e O Escravo (2023), de Carolina Maria de Jesus, Insubmissas lágrimas de Mulheres (2011), de Conceição Evaristo, O beijo na parede (2013), Estela sem Deus (2018) e O avesso da pele (2020a), de Jeferson Tenório, Torto Arado (2019), Doramar ou a odisseia (2021) e Salvar o fogo (2023), de Itamar Vieira Junior, e Sobre o fundo azul da infância (2020), de Tônio Caetano, e Contos do céu e da terra (2021), de Ruth Guimarães. Segue o principal suporte teórico em moda: Benjamin (1982), Lipovetsky (1987), Souza (1987), Ostrower (1987), Durand (1988), Laver (1989), Kohler (1993), Dias (1997), Svendsen (2004), Crane (2006), Sant'Anna (2007), Calanca (2008), Miranda (2008), Barthes (2009), Godart (2010), Souza (2014 e 2016), Erner (2015) e Salomon (2020). Assim como tem-se o recorte teórico sobre arquitetura e espaço: Albuquerque (2019), Augé (2003), Bachelard (1993), Barbosa; Vannuchi (2009), Calvino (1990), Ching (1998), Couto Mello (2016), Dimas (1987), Dondis (2003), Ferreira (2015), Jaquet (2014), Le Corbusier (2004), Lipps (2009), Masseran (2009) e Roland (2008).

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Palavras-chave

Literatura afro-brasileira, Moda, Arquitetura, Artes, Visualidades, Cores, Literatura brasileira contemporânea, Subjetividade

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