A prática de lembrar como estratégia de correção do neuromito dos estilos de aprendizagem

Data

2026-03-24

Autores

Caetano, Renata Naomi Sugiyama

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Resumo

Resumo: A disseminação de neuromitos, entendidos como informações equivocadas sobre o funcionamento do cérebro, pode afastar educadores de práticas pedagógicas baseadas em evidências. Um dos neuromitos mais prevalentes no campo educacional é a crença de que estudantes aprendem melhor se forem ensinados de acordo com seu estilo de aprendizagem favorito, podendo ser visual, auditivo, cinestésico ou intelectual. Devido a persistência dessa crença, é comum serem feitas correções utilizando como estratégia os textos de refutação. Embora esse formato demonstre resultados positivos no curto prazo, observa-se que os efeitos tendem a diminuir com o tempo, possivelmente em função de processos cognitivos que limitam a manutenção da informação corretiva. O presente estudo investigou se a prática de lembrar, uma estratégia amplamente reconhecida para otimizar a retenção de informações na memória de longo prazo, poderia potencializar e prolongar os efeitos da correção do neuromito dos estilos de aprendizagem. Para isso, foram conduzidos dois experimentos com estudantes universitários. Após responderem a um questionário inicial sobre o neuromito e realizarem a leitura de um texto de refutação, os participantes foram distribuídos em duas condições: um grupo fez a prática de lembrar, na qual responderam a um quiz sobre o conteúdo do texto, enquanto o outro grupo realizou a navegação na internet, na qual buscaram informações adicionais relacionadas ao tema. O Experimento 1 avaliou os efeitos imediatos da intervenção, enquanto o Experimento 2 investigou a retenção da correção após um intervalo de uma semana. Esperava-se que a prática de lembrar produzisse benefícios mais evidentes no longo prazo. No entanto, os resultados indicaram que não houve diferenças entre as condições na correção do neuromito, tanto no curto quanto no longo prazo, indicando que a prática de lembrar não apresentou benefícios adicionais em comparação à navegação na internet. Esse padrão, contrário às hipóteses do segundo experimento, pode estar relacionado ao baixo desempenho inicial na tarefa de recuperação, bem como ao possível engajamento cognitivo promovido pela busca ativa de informações online, contribuindo para efeitos comparáveis entre as estratégias. Em conjunto, esses achados corroboram com a literatura sobre a resistência à atualização da memória para concepções equivocadas fortemente endossadas, bem como para a necessidade de estudos futuros que prossigam na investigação de práticas de correção mais robustas e duradouras

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Palavras-chave

Correção de informação, Neuromitos educacionais, Estilos de aprendizagem, Prática de lembrar, Concepções científicas equivocadas, Aprendizagem, Processos cognitivo, Memória, Psicologia cognitiva

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