A baixa ingestão proteica está associada ao pior desempenho físico em pacientes com câncer urológico : um estudo transversal

Data

2024-05-20

Autores

Borges, Mayra Bossa dos Santos

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Resumo

A incidência de câncer urológico no Brasil tem sido uma preocupação crescente devido ao aumento dos casos diagnosticados nos últimos anos. Uma complicação importante associada a essa doença é a sarcopenia, caracterizada por baixa força muscular, baixa quantidade ou qualidade muscular e baixo desempenho físico. Essa condição tem sido frequentemente observada em pacientes com câncer urológico e está associada à redução da qualidade de vida e sobrevida. O objetivo desse estudo foi verificar a associação entre massa muscular, força e função física, risco nutricional e consumo proteico em pacientes com câncer urológico. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, realizado com 32 pacientes do sexo masculino (idade 64,0 + 12,4), diagnosticados com câncer urológico (sendo 43,7% de bexiga, 34,3% de próstata, 15,6% de rim, 3,2% de testículo e 3,2% de pênis), todos com indicação cirúrgica, que foram divididos em dois grupos de acordo com a ingestão de proteínas: menor que 1,2g/kg (n = 19) e maior que 1,2g/kg (n = 13). A ingestão proteica foi avaliada através do recordatório de 24 horas e analisada através do programa Diet Box®. A separação dos grupos foi realizada considerando a recomendação de ingestão proteica mínima de 1,2g/kg para pessoas em tratamento oncológico de acordo com a diretriz Braspen (2019). Para determinar a força, foi utilizado o teste sentar e levantar, para verificar a massa muscular apendicular, foi utilizada a impedância bioelétrica, já a função muscular, foi utilizado o teste Short Physical Performance Battery-SPPB. Resultados: Os dados demonstraram que o grupo com baixa ingestão proteica apresentou um pior desempenho físico avaliado pelo SPPB (8,26 ± 2,82 versus 10,15 ± 1,81, p=0,042). Além disso, a análise univariada revelou que esse grupo possui 46% mais probabilidade de desenvolver baixa função física quando comparado ao grupo com ingestão proteica recomendada (p=0,04). Ainda, 15,8% dos pacientes com baixa ingestão proteica apresentaram baixa massa muscular, enquanto 62,1% deles tinham baixa força muscular (p=0,005). Não houve diferenças significativas de desfechos clínicos entre os grupos. Discussões: O estudo evidenciou que pacientes com câncer urológico com baixa ingestão proteica apresentaram piora dos resultados em relação a função física, bem como menor força, porém não houve associação entre os desfechos clínicos. Ainda, apresentaram maior risco nutricional quando comparados com o grupo ingestão proteica adequada, reforçando a relevância do acompanhamento e suporte nutricional nessa população. Conclusão: Estes dados revelam a necessidade diagnóstico precoce e suporte nutricional adequado a fim de minimizar os desfechos negativos.

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Palavras-chave

Câncer urológico, Sarcopenia, Ingestão proteica, Estado nutricional, Tratamento cirúrgico, Massa muscular, Força muscular, Câncer de próstata (CaP), Câncer de bexiga

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