Avaliação do estresse oxidativo/nitrosativo em trabalhadores da saúde que atuam em unidades de terapia intensiva
Data
2026-02-25
Autores
Oliveira, Thárcis Rocha de
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Resumo
Introdução: O estresse oxidativo/nitrosativo representa um desequilíbrio biológico no sistema redox, influenciado por fatores individuais, ambientais e ocupacionais. Em profissionais de Unidades de Terapia Intensiva, expostos a condições laborais intensas, sua relação com o estresse no trabalho ainda é pouco explorada na literatura científica. Objetivo: Avaliar os níveis de biomarcadores de Estresse Oxidativo/Nitrosativo e sua relação com característica sociodemográfica, ocupacional, clínica e hábitos de vida dos trabalhadores da saúde que atuam em unidades de terapia intensiva. Método: estudo transversal em um hospital escola do Norte do Paraná, desenvolvido no período de março de 2024 a setembro de 2025. A população do estudo foi composta por 50 trabalhadores de saúde das Unidades de Terapia Intensiva. Foram coletados dados sociodemográficos, ocupacionais, clínicos e de hábitos de vida. Para a avaliação do estresse no trabalho, foi utilizada a Escala de Estresse no Trabalho e foram coletadas amostras sanguíneas para determinação de biomarcadores de estresse oxidativo/nitrosativo, incluindo Hidroperóxidos Lipídicos, Óxido Nítrico, Produtos Avançados de Oxidação Proteica, Atividade da Paraoxonase-1, Superóxido Dismutase, Catalase e Glutationas. As análises estatísticas incluíram descrições por mediana e intervalo interquartil, comparações de grupos utilizando os testes de Mann–Whitney U e Kruskal–Wallis com post-hoc de Bonferroni e correlações de Spearman para avaliar associações entre variáveis contínuas e categóricas. Resultados: Amostra predominantemente feminina 86,0%, com 84,0% de trabalhadores de Enfermagem, com idade mediana de 29 anos, com Índice de Massa Corpórea médiana de 27,8 kg/m², com 82,0% dos participantes classificados com sobrepeso ou algum grau de obesidade. Quanto ao estresse ocupacional, 72,0% dos trabalhadores apresentaram baixo estresse e 28,0% alto estresse, sendo os estressores mais relevantes relacionados à comunicação com a chefia (86,0% de discordância) e à duração da jornada de trabalho (70,0% de concordância). Os biomarcadores de estresse oxidativo/nitrosativo apresentaram elevada heterogeneidade, sem diferenças significativas entre categorias do estresse no trabalho ou de Indice de Massa Corporal, exceto tendência inicial para Produtos Avançados de Oxidação Proteica, que não se manteve após ajuste post-hoc. Correlações positivas foram observadas entre tempo de atuação na Unidade de Terapia Intensiva e Peroxidação Lipídica e Metabólitos de Óxido Nítrico, assim como entre Índice de Massa Corpórea e Metabólitos de Óxido Nítrico, enquanto o escore de Estresse no Trabalho apresentou correlações fracas e negativas com alguns antioxidantes. Conclusão: em trabalhadores de Unidades de Terapia Intensiva, jovens e clinicamente saudáveis, o sistema antioxidante parece compensar exposições ocupacionais, mantendo a homeostase oxidativa. Apesar da ausência de diferenças significativas entre categorias de estresse e Índice de Massa Corpórea, as correlações observadas indicam que variáveis individuais e crônicas podem exercer influência sobre o estresse oxidativo/nitrosativo, reforçando a necessidade de estudos longitudinais com maior poder amostral e diversidade de biomarcadores para compreender plenamente a complexidade das interações entre fatores ocupacionais, metabólicos e biológicos nesta população
Descrição
Palavras-chave
Saúde Ocupacional, Estresse Ocupacional, Unidade de Terapia Intensiva, Estresse Oxidativo, Estresse Nitrosativo, Biomarcadores, Profissionais de saúde