Morbidade materna grave : prevalência, fatores associados e risco de óbito em uma maternidade da região sul do Brasil
Data
2026-02-05
Autores
Cortez, Milena Passarelli
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Resumo
Introdução: A gestação é um evento fisiológico com evolução, em sua maioria, sem intercorrências. Uma parcela das gestantes, possui maior possibilidade de desenvolver complicações com evolução desfavorável. Nesse contexto de complicações encontram-se as morbidades maternas graves que são um importante indicador da qualidade da assistência obstétrica, refletindo complicações potencialmente evitáveis que podem evoluir para óbito. Conhecer sua prevalência e fatores associados é fundamental para orientar ações em saúde. Objetivos: Estimar a prevalência e os fatores associados da morbidade materna grave e identificar o risco de óbito entre mulheres com presença de desordens hipertensivas na gestação. Método: Estudo transversal, com dados secundários de mulheres com morbidade materna grave de uma maternidade pública em um município da região sul do Brasil. Foram estudados 241 casos notificados entre janeiro de 2021 a dezembro de 2022. A coleta de dados aconteceu entre setembro a dezembro de 2024. A variável dependente foi o desfecho da internação, definida como alta, internada ou óbito. Como variáveis independentes foram definidas as variáveis sociodemográficas: cor e faixa etária em anos; obstétricas: estratificação de risco no pré-natal, idade gestacional de início de pré-natal, doença pré-existente, multigesta, parto normal anterior, cesárea anterior, aborto anterior, complicação em gestação anterior, classificação de risco na admissão, sinais/sintomas de agravamento no momento da internação, idade gestacional na internação, momento do agravamento, diagnósticos relacionados a morbidade materna grave, desfecho da gestação, neonatais: condição do recém-nascido no nascimento, o recém-nascido teve indicação de internação em unidade de cuidados intermediários/unidade de terapia intensiva após o nascimento. Para a verificação da associação utilizou-se o teste do qui-quadrado de Pearson, sendo significativo p = 0,05 e intervalos de confiança a 95% (IC95%). Resultados: A prevalência de morbidade materna grave foi elevada. As desordens hipertensivas foram as mais frequentes (43,2%). Apresentaram significância as variáveis: estratificação de risco no pré-natal (p= 0,012), idade gestacional do início do pré-natal (p = 0,004), doença pré-existente (p = 0,000), multigesta (p = 0,000), parto normal anterior (p = 0,000), cesárea anterior (p = 0,000), aborto anterior (p = 0,000), classificação de risco na admissão (p = 0007), sinais de agravamento no momento da internação (p = 0,000), idade gestacional na internação (p = 0,000), momento do agravamento (p = 0,000), desfecho da gestação (p = 0,000) e condição do recém-nascido no nascimento (p = 0,000). Mulheres que apresentaram desordens hipertensivas possuíam risco de óbito 7,389 vezes maior do que mulheres que não apresentaram morbidade materna grave (p < 0,000). Conclusão: A morbidade materna grave apresentou prevalência de 7,91%, com destaque para as desordens hipertensivas. Fatores relacionados à gestação e ao nascimento apresentaram-se associadas às complicações maternas, dessa forma, conhecer esses fatores auxilia na tomada de decisão e na elaboração de estratégias que reduzam as complicações e consequentemente a mortalidade materna. Além disso, as mulheres com desordens hipertensivas apresentaram risco de óbito significativamente maior. O reconhecimento precoce e a qualificação da assistência são fundamentais para reduzir a morbidade e mortalidade materna.
Descrição
Palavras-chave
Near Miss, Mortalidade Materna, Saúde Materno-Infantil, Enfermagem Obstétrica, Near Miss Materno (NMM), Pre-eclampsia, Pré-natal, Saúde pública, Saúde da mulher