Dessaturação de oxigênio induzida pelo exercício e características do sono noturno em indivíduos com DPOC

Data

2025-06-16

Autores

Ferreira, Thaiuana Maia

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Resumo

Introdução: A dessaturação de oxigênio induzida pelo exercício (DIE) é relativamente comum em indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e já foi associada à rigidez arterial, baixa capacidade de exercício e mortalidade nessa população. Outros fatores reconhecidamente associados à DIE são a obesidade, limitação ao fluxo aéreo e baixa saturação de oxigênio (SpO2) em repouso. Sabe-se também que indivíduos com DPOC frequentemente apresentam distúrbios do sono. No entanto, ainda não se sabe se a DIE está associada às características do sono nesta população. Objetivo: Verificar se há associação das variáveis respiratórias poligráficas do sono noturno com a DIE durante testes simples de força muscular e de capacidade funcional de exercício em indivíduos com DPOC. Métodos: Neste estudo transversal, indivíduos com DPOC foram submetidos à avaliação da função pulmonar pela espirometria e registro contínuo da SpO2 por um oxímetro de pulso durante os seguintes testes: contração isométrica voluntária máxima de quadríceps femoral dominante (força de QF) e os testes funcionais Sit-to-Stand (STS), Timed Up and Go (TUG) e Four-Meter Gait Speed (4MGS). Os distúrbios respiratórios do sono foram avaliados por poligrafia (ApneaLinkTM Air, Resmed, Austrália) por uma noite. De acordo com a ocorrência de SpO2 abaixo do ponto de corte (i.e., <90%) durante os testes, os indivíduos foram alocados nos grupos com DIE e sem DIE. Para análise estatística, o teste de Shapiro-Wilk foi utilizado para verificar a normalidade dos dados, que posteriormente foram comparados pelo Teste T ou de Mann-Whitney. Correlações foram avaliadas pelo coeficiente de Pearson, e foi realizada regressão logística para investigar em mais profundidade a associação da ocorrência de DIE como variável dependente e outras variáveis independentes. Foi utilizado o software SPSS (20.0) e adotada significância estatística de p<0,05. Resultados: Foram avaliados 28 indivíduos com DPOC (69±7 anos; IMC: 26±5 Kg/m2; índice de apneia e hipopneia 14±8). Na comparação entre os grupos com e sem DIE, o grupo com DIE no teste de força de QF apresentava maior idade (73±5 vs 66 ±7 anos; p=0,029), enquanto o grupo com DIE nos testes TUG e STS apresentava pior VEF1 (respectivamente 44 [31-58] vs 64 (50-77) %; p=0,013 e 45±13 vs 65±16 %; p=0,012). Com relação às características do sono, o grupo com DIE no teste de força de QF apresentava menor SpO2 média e maior tempo em SpO2 <85% e <80%. O grupo com DIE no TUG apresentava menor SpO2 média e basal. O grupo com DIE no STS apresentava menor SpO2 média, mínima e basal, além de maior tempo em SpO2 <85% e <80%. Foram observadas correlações consistentes e significantes de diversas variáveis da poligrafia com a SpO2 mínima atingida nos quatro testes, principalmente no STS. A regressão logística mostrou associação significativa da probabilidade de ocorrência de DIE em diferentes testes com SpO2 média mais baixa durante a poligrafia, maior idade, pior VEF1 e SpO2 mais baixa ao repouso. Conclusão: Indivíduos com DPOC que dessaturam em diferentes testes físicos apresentam piores desfechos respiratórios durante o sono noturno em comparação àqueles que não dessaturam nos testes. SpO2 média mais baixa durante a poligrafia, maior idade, pior VEF1 e SpO2 mais baixa ao repouso se associaram significativamente à probabilidade de ocorrência da DIE em diferentes testes. De forma geral, o teste que melhor evidenciou a associação entre DIE e dessaturação noturna foi o STS. Portanto, a aplicação nessa população de testes simples de força muscular e de capacidade funcional de exercício, em especial o STS, ajuda na identificação de indivíduos com DIE que apresentam piores desfechos respiratórios durante o sono noturno

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Palavras-chave

Doença pulmonar obstrutiva crônica, Sono, Saturação periférica de oxigênio

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