Uso de PVPI tópica para assepsia em injeções intravítreas seriadas e alterações de superfície ocular: um estudo caso-controle

Data

2024-03-14

Autores

Casemiro, José Henrique

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Resumo

O uso de iodopovidona para a assepsia da superfície ocular é profusamente difundido, tanto para procedimentos cirúrgicos como para injeções intravítreas (IVIS). Cirurgias para catarata, glaucoma e injeções intravítreas, tornaram-se procedimentos comuns e frequentes na oftalmologia, levando a exposições seriadas dos olhos dos pacientes às soluções iodadas. A síndrome do olho seco pode ser causada ou agravada por essa agressão química. Objetivo: Identificar as diferentes alterações de superfície ocular relacionadas ao uso do PVPI 2% tópico para assepsia em IVIS seriadas, analisando: questionário OSDI, NIBUT, análise do piscar, altura do menisco lacrimal, osmolaridade lacrimal, interferometria lacrimal e perda das glândulas de Meibomius. Métodos: Estudo caso-controle com 34 indivíduos, 14 homens e 20 mulheres, idade entre 48 e 94 anos, desses, 68 olhos foram analisados. Os critérios de inclusão foram os indivíduos que receberam a aplicação de colírio de PVPI a 2% para assepsia do tratamento com IVIS de anti-VEGF, e o olho contralateral que não tinha indicação de tratamento nem recebeu qualquer medicação tópica durante o mesmo período de estudo foi utilizado como controle. Foram realizados os testes de osmolaridade da lágrima, interferometria do filme lacrimal, altura do menisco lacrimal, teste de tempo de ruptura do filme lacrimal automatizado, percentagem de perda de glândulas meibomianas em tarso inferior, eficiência do piscar e o questionário Ocular Surface Disease Index (OSDI). Toda a análise estatística foi realizada através do Software STATA® 18.0 e foi considerado um p-valor = 0,05 como valor de significância estatística em todos os testes. Resultados: A média do número de aplicações de IVIS nos olhos tratados foi de 12 (6-20). Os resultados nos olhos tratados comparados com os não tratados em relação ao OSDI foi de 16 (6-39) e 12,5 (8-39, p = 0,830); o tempo de ruptura do filme lacrimal automatizado ou non invasive break up time foi de 10,30 (2,62) e 10,78 (2,92) (s, p=0,476); a qualidade do piscar foi de 100 (100) e 100 (100) (%, p = 0,188); a medida da camada lipídica 87 (77-90) e 86 (74-100) (nm, p = 0,451); a medida da altura do menisco foi de 0,22 (0,19-0,31) e 0,24 (0,20-0,27) (mm, p = 0,862); da percentagem de perda de glândulas de Meibomius foi de 33 (24-45) e 31,5 (25-39) (%, p = 0,524); e da medida da osmolaridade foi de 305,6 (21,13) e 313,8 (29) (mOsm, p = 0,297). Não houve relação estatisticamente significativa entre o uso repetitivo de solução iodada a 2% com piora nos sinais ou sintomas relacionados a síndrome do olho seco pelos métodos utilizados. Conclusões: o PVPI a 2% foi seguro para assepsia de superfície ocular para IVIS repetidas, sem provocar alterações de superfície ocular significativas. Uma possível ação anti-inflamatória e protetiva do anti-VEGF pode ser considerada, e estudos com uso repetido de PVPI em diferentes procedimentos serão necessários para suporte desses resultados

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Palavras-chave

PVPI, Síndrome do olho seco, Doença de superfície ocular, Injeções intravítreas, Oftalmologia, Glândulas meibomianas

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