Perfil epidemiológico dos comunicantes de hanseníase: implicações para a vigilância em saúde
Data
2025-12-12
Autores
Marques, Juliana de Oliveira
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Resumo
Introdução: a hanseníase permanece um importante problema de saúde pública global. Em 2023, foram notificados 182.815 novos casos no mundo, um aumento de 5,0% em relação a 2022. É caracterizada pela transmissão contínua e pela ocorrência de deficiências físicas evitáveis, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. A vigilância dos comunicantes é uma das principais estratégias para interromper a cadeia de transmissão, favorecer o diagnóstico precoce e prevenir complicações, sendo a atenção primária à saúde um importante serviço para a implementação destas ações. Objetivo: analisar a vigilância em saúde pública dos comunicantes de hanseníase, identificando as evidências científicas disponíveis e os fatores associados ao desempenho da avaliação de contatos no estado do Paraná, no período de 2005 a 2024. Método: esta dissertação está estruturada em três estudos complementares. O Estudo 1 trata da elaboração de um protocolo de revisão de escopo conforme as recomendações do Joanna Briggs Institute, registrado no Open Science Framework (OSF) (https://doi.org/10.17605/OSF.IO/3BQUZ). O Estudo 2, denominado “Vigilância em saúde pública do comunicante de hanseníase: revisão de escopo”, adota como abordagem metodológica a revisão de escopo. Tendo como pergunta de pesquisa: Quais são as evidências disponíveis na literatura sobre a vigilância em saúde pública dos profissionais de saúde da atenção primária diante de comunicantes de hanseníase? Adotaram-se como critérios de inclusão, sem restrição de idioma ou de período, e utilizaram-se para a busca nas bases de dados, tais como MEDLINE/PubMed, Web of Science, EMBASE, CINAHL, Scopus, BVS, Oasis e na literatura cinzenta. O estudo 3, denominado “Avaliação de contatos de casos novos de hanseníase: desempenho e fatores associados à cobertura completa”, é um estudo transversal, desenvolvido com base nos registros do sistema de informações de agravos de notificação (SINAN). Foram incluídos 16.989 casos novos de hanseníase notificados no estado. As variáveis analisadas abrangeram características sociodemográficas, clínicas e operacionais. A variável dependente foi a proporção de contatos examinados por caso-índice, categorizada em cobertura completa (100%) e cobertura incompleta (<100%). Utilizaram-se análises descritivas, o teste qui-quadrado de independência e a regressão logística múltipla pelo método forward-backward, com nível de significância de 5%. CAAE:92592625.0.0000.5231. Resultados: foram incluídos 19 artigos quantitativos, evidenciando o predomínio da avaliação clínica de contatos e do diagnóstico precoce de casos novos, especialmente em menores de 15 anos, além de lacunas relacionadas à imunoprofilaxia, à vigilância pós-alta e ao uso de tecnologias da informação. Por fim, no estudo 3 foram incluídos 16.989 casos novos de hanseníase notificados no Paraná. As análises descritivas identificaram que 79% dos casos apresentaram cobertura completa (100%) da avaliação de contatos, enquanto 24,2% apresentaram algum grau de incompletude. Houve associações significativas entre variáveis sociodemográficas e o desempenho da avaliação, tais como faixa etária, escolaridade e porte do município (p < 0,001). A maior cobertura foi observada entre indivíduos com maior escolaridade e em municípios de pequeno porte. O modelo de regressão logística mostrou que maior escolaridade, residência em determinadas regiões e formas clínicas menos graves estão associadas a maior probabilidade de cobertura completa. Em contrapartida, municípios de médio e grande porte e casos com respostas hansênicas apresentaram menor probabilidade de avaliação completa. Conclusão: os achados reforçam a relevância da vigilância sistemática dos comunicantes como componente essencial das políticas de eliminação da hanseníase e apontam para a necessidade de fortalecer a APS na busca ativa e no acompanhamento dos contatos. A dissertação contribui metodologicamente e cientificamente para o campo da saúde coletiva, ao integrar a síntese de evidências e a análise epidemiológica aplicada, alinhando-se aos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS 3 e 10) e ao Programa Brasil Saudável, com vistas a um sistema único de saúde mais equânime, inclusivo e resolutivo no enfrentamento da hanseníase, além de destacar e fortalecer o papel do enfermeiro como ator essencial no enfrentamento à hanseníase, ratificando sua atuação primordial na detecção precoce, vigilância do contato, combate ao estigma, promoção da saúde e adequado manejo clínico
Descrição
Palavras-chave
Hanseníase, Investigação de Contato, Vigilância em Saúde, Atenção Primária à Saúde, Saúde Pública, Busca de comunicante, Vigilância em saúde pública