O trabalho em clubes de ciências na perspectiva da alfabetização científica e tecnológica: uma análise a partir de reflexões de professores clubistas
Data
2026-03-13
Autores
Pessoa, Rodrigo
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Resumo
O avanço científico e tecnológico das últimas décadas tem atribuído ao Ensino de Ciências a responsabilidade de contribuir para a formação de sujeitos críticos, capazes de compreender e intervir nas transformações da sociedade contemporânea. Nesse contexto, os Clubes de Ciências destacam-se como espaços que articulam ensino e pesquisa, favorecendo práticas investigativas, o desenvolvimento da autonomia e o diálogo entre escola, ciência e comunidade. Quando fundamentados nos princípios da Alfabetização Científica e Tecnológica (ACT) esses espaços possibilitam compreender a ciência como prática social, ampliando a formação para além da aprendizagem conceitual. Nessa direção, a Participação Social constitui-se como dimensão central da educação científica, ao envolver posicionamentos, responsabilidades coletivas e intervenções diante de problemáticas sociais. A presente pesquisa buscou compreender como os Clubes de Ciências podem se constituir como espaços de desenvolvimento da ACT e da Participação Social a partir das práticas e reflexões docentes. A questão norteadora foi: De que maneira as ações e reflexões dos docentes nos projetos de Clubes de Ciências evidenciam aspectos do trabalho desenvolvido na perspectiva da Alfabetização Científica e Tecnológica? O objetivo geral consistiu em analisar, a partir das reflexões dos docentes, aspectos do trabalho desenvolvido nos Clubes de Ciências na perspectiva da ACT. Como objetivos específicos, buscou-se: analisar o planejamento dos projetos; compreender os impactos percebidos nos estudantes; identificar indícios de Participação Social; e examinar as estratégias pedagógicas mobilizadas na condução das atividades investigativas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada com cinco professores coordenadores de Clubes de Ciências vinculados à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. A produção de dados ocorreu por meio de duas entrevistas semiestruturadas, realizadas em momentos distintos do desenvolvimento dos projetos, permitindo uma abordagem longitudinal da investigação. Os dados foram analisados segundo a técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 2016), com a definição de Unidades de Contexto e Unidades de Registro. Os resultados foram organizados em quatro eixos de análise: (1) Planejamento dos Projetos de Clubes de Ciências; (2) Ação Docente nos Projetos; (3) Impactos dos Clubes de Ciências nos Estudantes; e (4) Participação Social nos Projetos de Clubes de Ciências. As análises evidenciam que os Clubes se configuram como espaços promissores para o desenvolvimento da ACT, favorecendo a aprendizagem investigativa, a autonomia dos estudantes e o desenvolvimento da criticidade. Observam-se indícios de Participação Social, predominantemente em níveis iniciais e intermediários, com movimentos de aprofundamento ao longo do ciclo analisado. Destaca-se a centralidade da ação docente na mediação das investigações, na problematização das temáticas e na criação de condições para o avanço dos níveis de participação. Persistem, contudo, desafios relacionados à organização do trabalho e às condições estruturais para consolidação dos projetos. Conclui-se que o fortalecimento de políticas de apoio e de processos formativos contínuos é fundamental para ampliar o potencial formativo dos Clubes de Ciências
Descrição
Palavras-chave
Clubes de ciências, Alfabetização científica e tecnológica, Participação social, Ação docente, Ciência - Estudo e ensino