Letramento racial religioso na escola bilíngue: em quantas línguas eu falo o meu axé? Uma proposta de formação docente frente ao racismo religioso

dc.contributor.advisorEl Kadri, Michele Salles
dc.contributor.authorPrata Neto, Antonio
dc.contributor.bancaCorrea, Leonardo Neves
dc.contributor.bancaCosta, Patricia Helena da Silva
dc.coverage.extent149 p.
dc.coverage.spatialLondrina
dc.date.accessioned2026-09-04T14:57:42Z
dc.date.available2026-09-04T14:57:42Z
dc.date.issued2026-02-20
dc.description.abstractA Umbanda, expressão autenticamente brasileira de religiosidade, integra elementos africanos, indígenas, espíritas e cristãos, tornando-se uma ferramenta educacional valiosa para discutir resistência cultural, marginalização, sincretismo religioso e a formação da identidade nacional. No entanto, a hegemonia cristã colonial no Brasil, que abrange 83,6% da população (IBGE, 2025), atua como um mecanismo opressivo de coesão (Elias; Scotson, 2000), limitando liberdades e crenças que divergem do padrão dominante. Como gestor municipal de educação - e umbandista - enfrentei diretamente o racismo religioso da rede ao implementar políticas de valorização da diversidade, gerando desconforto em parte do magistério, evidenciando o despreparo e a intolerância, consequência da falta de formação e material didático específico para abordar o tema, e, especialmente, pelo racismo religioso que persiste como expressão do racismo estrutural de hierarquias coloniais (Almeida, 2018). Esse cenário tende a se agravar em escolas bilíngues, muitas vezes vinculadas a uma perspectiva elitista (El Kadri; Passoni; Megale, 2024), privilegiando narrativas estadunidenses e britânicas, perpetuando a colonialidade nos currículos e reforçando estereótipos sobre religiosidades africanas, a diáspora negra e culturas não-brancas. Diante disso, a Interculturalidade Crítica é o referencial teórico que embasa esta pesquisa. Este trabalho, de natureza qualitativa interpretativa crítica, investiga como professores de uma escola bilíngue pública (re)interpretam a religiosidade afro-brasileira, antes e após uma formação sobre o tema, por intermédio de pesquisas diagnósticas aplicadas entre os docentes. Como proposta de produto educacional, apresenta-se um curso para formação docente e um guia digital. Os resultados demonstram que os professores apresentam desconhecimento da religiosidade de matriz africana, utilizando-se da laicidade como medida protetiva, seja pelo medo real da reação externa (pais/comunidade) ou para defesa de suas convicções de fé. Percebe-se também que muitos docentes ainda desenvolvem a lógica da inclusão superficial do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, remetendo a um estágio do multiculturalismo diferencialista. Os resultados pós-formação demonstra mudanças de ganhos semânticos do léxico umbandista via analogias inter-religiosas, partindo de uma rejeição linguística a um interesse genuíno. Apesar do acréscimo de conhecimento da cultura espiritual negra, e de certa forma, uma melhor compreensão desta, que ajudou a desestabilizar algumas crenças e estereótipos negativos, a compreensão do racismo religioso não foi consolidada, nem a importância da inclusão de saberes afro religiosos no currículo escolar de uma unidade bilíngue multicultural
dc.description.abstractother1Umbanda, an authentically Brazilian expression of religiosity, integrates African, Indigenous, Spiritist, and Christian elements, making it a valuable educational tool for discussing cultural resistance, marginalization, religious syncretism, and the formation of national identity. However, the colonial Christian hegemony in Brazil, which encompasses 83.6% of the population (IBGE, 2025), operates as an oppressive mechanism of cohesion (Elias & Scotson, 2000), restricting freedoms and beliefs that diverge from the dominant standard. As a municipal education Secretariat—and an Umbanda practitioner—I have directly faced religious racism within the school system when implementing policies aimed at valuing diversity. This process generated discomfort among part of the teaching staff, revealing unpreparedness and intolerance, which stem from the lack of teacher education and specific teaching materials to address the issue, as well as from religious racism itself, which persists as an expression of structural racism rooted in colonial hierarchies (Almeida, 2018).This scenario tends to be exacerbated in bilingual schools, which are often associated with an elitist perspective (El Kadri, Passoni & Megale, 2024), privileging American and British narratives, perpetuating coloniality in curricula, and reinforcing stereotypes about African-based religions, the Black diaspora, and non-white cultures. In light of this, Critical Interculturality serves as the theoretical framework guiding this study. This qualitative, critical interpretive research investigates how teachers in a public bilingual school (re)interpret Afro-Brazilian religiosity before and after participating in a teacher education program on the topic, based on diagnostic surveys administered to teachers. As an educational product, this study proposes a teacher education course and a digital guide. The findings reveal that teachers demonstrate limited knowledge of African-based religiosity and often rely on secularism as a protective measure—either due to genuine fear of external reactions (parents/community) or as a way to defend their own faith-based convictions. It is also observed that many teachers still operate within a framework of superficial inclusion of Afro-Brazilian History and Culture, reflecting a stage of differentialist multiculturalism. Post-teacher education program results indicate changes in the semantic appropriation of Umbanda-related lexicon through interreligious analogies, shifting from linguistic rejection to genuine interest. Despite increased knowledge of Afro-Brazilian spiritual culture and a certain degree of improved understanding—contributing to the destabilization of some negative beliefs and stereotypes—the understanding of religious racism was not fully consolidated, nor was the recognition of the importance of including Afro-religious knowledge in the curriculum of a multicultural bilingual school
dc.identifier.urihttps://repositorio.uel.br/handle/123456789/19908
dc.language.isopor
dc.relation.departamentCLCH - Departamento de Letras Estrangeiras e Modernas
dc.relation.institutionnameUniversidade Estadual de Londrina - UEL
dc.relation.ppgnamePrograma de Pós-Graduação em Letras Estrangeiras Modernas
dc.subjectLetramento religioso
dc.subjectProfessores Formação
dc.subjectInterculturalidade crítica
dc.subjectEducação bilíngue
dc.subjectDiscriminação religiosa
dc.subject.capesLingüística, Letras e Artes - Letras
dc.subject.cnpqLingüística, Letras e Artes - Letras
dc.subject.keywordsReligious literacy
dc.subject.keywordsTeachers Training of
dc.subject.keywordsCritical interculturality
dc.subject.keywordsEducation, Bilingual
dc.subject.keywordsReligious discrimination
dc.titleLetramento racial religioso na escola bilíngue: em quantas línguas eu falo o meu axé? Uma proposta de formação docente frente ao racismo religioso
dc.title.alternativeRacial-religious literacy in the bilingual school: in how many languages do i speak my axé? A proposal for teacher education in the face of religious racism
dc.typeDissertação
dcterms.educationLevelMestrado Profissional
dcterms.provenanceCentro de Letras e Ciências Humanas

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