Letramento racial religioso na escola bilíngue: em quantas línguas eu falo o meu axé? Uma proposta de formação docente frente ao racismo religioso

Data

2026-02-20

Autores

Prata Neto, Antonio

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Resumo

A Umbanda, expressão autenticamente brasileira de religiosidade, integra elementos africanos, indígenas, espíritas e cristãos, tornando-se uma ferramenta educacional valiosa para discutir resistência cultural, marginalização, sincretismo religioso e a formação da identidade nacional. No entanto, a hegemonia cristã colonial no Brasil, que abrange 83,6% da população (IBGE, 2025), atua como um mecanismo opressivo de coesão (Elias; Scotson, 2000), limitando liberdades e crenças que divergem do padrão dominante. Como gestor municipal de educação - e umbandista - enfrentei diretamente o racismo religioso da rede ao implementar políticas de valorização da diversidade, gerando desconforto em parte do magistério, evidenciando o despreparo e a intolerância, consequência da falta de formação e material didático específico para abordar o tema, e, especialmente, pelo racismo religioso que persiste como expressão do racismo estrutural de hierarquias coloniais (Almeida, 2018). Esse cenário tende a se agravar em escolas bilíngues, muitas vezes vinculadas a uma perspectiva elitista (El Kadri; Passoni; Megale, 2024), privilegiando narrativas estadunidenses e britânicas, perpetuando a colonialidade nos currículos e reforçando estereótipos sobre religiosidades africanas, a diáspora negra e culturas não-brancas. Diante disso, a Interculturalidade Crítica é o referencial teórico que embasa esta pesquisa. Este trabalho, de natureza qualitativa interpretativa crítica, investiga como professores de uma escola bilíngue pública (re)interpretam a religiosidade afro-brasileira, antes e após uma formação sobre o tema, por intermédio de pesquisas diagnósticas aplicadas entre os docentes. Como proposta de produto educacional, apresenta-se um curso para formação docente e um guia digital. Os resultados demonstram que os professores apresentam desconhecimento da religiosidade de matriz africana, utilizando-se da laicidade como medida protetiva, seja pelo medo real da reação externa (pais/comunidade) ou para defesa de suas convicções de fé. Percebe-se também que muitos docentes ainda desenvolvem a lógica da inclusão superficial do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, remetendo a um estágio do multiculturalismo diferencialista. Os resultados pós-formação demonstra mudanças de ganhos semânticos do léxico umbandista via analogias inter-religiosas, partindo de uma rejeição linguística a um interesse genuíno. Apesar do acréscimo de conhecimento da cultura espiritual negra, e de certa forma, uma melhor compreensão desta, que ajudou a desestabilizar algumas crenças e estereótipos negativos, a compreensão do racismo religioso não foi consolidada, nem a importância da inclusão de saberes afro religiosos no currículo escolar de uma unidade bilíngue multicultural

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Palavras-chave

Letramento religioso, Professores Formação, Interculturalidade crítica, Educação bilíngue, Discriminação religiosa

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