Análise de múltiplos biomarcadores em mexilhões Anodontites trapesialis expostos ao paracetamol e ao microplástico sob diferentes temperaturas

Data

2026-03-05

Autores

Casoti, Raquel Rodrigues

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Resumo

Fruto de atividades antrópicas e sobretudo da industrialização, o aquecimento global e os contaminantes de preocupação emergentes (CE) são estressores ambientais que chamam atenção. Além de afetar os animais diretamente, temperaturas elevadas podem modificar o comportamento de contaminantes químicos em ecossistemas aquáticos. Dentre eles, CE foram recentemente identificados e persistem no ambiente devido a sua contínua emissão e à ineficácia de tratamentos de água e esgoto convencionais em removê-los. Pertencem a essa classe os microplásticos (MP) e os fármacos. Os MP são partículas plásticas de até 5 µm, sendo primários quando manufaturadas neste tamanho para fins industriais ou secundários quando derivam da degradação de resíduos plásticos maiores. Tais partículas foram identificadas em diversas espécies e matrizes biológicas e estudos sobre sua toxicidade estão em alta. Porém, MP secundários são pouco avaliados mesmo representando a maioria registrada no ambiente. Ademais, sua composição e tamanho permitem que os MP atuem como vetores para outros contaminantes devido a processos de sorção, que por sua vez se intensificam com o aumento de temperatura. Dentre esses contaminantes, o paracetamol (PAR) é um analgésico e antipirético detectado em diversos compartimentos ambientais e altas concentrações, que chegam a g L-1. Moluscos bivalves apresentam sensibilidade ao aumento de temperatura e aos contaminantes mencionados e são amplamente utilizados como modelos biológicos na ecotoxicologia. Entretanto, espécies de água doce são pouco exploradas. Assim, este trabalho buscou avaliar os efeitos do PAR e do MP, isolados ou em mistura, sobre o mexilhão neotropical dulcícola Anodontites trapesialis, sobre um cenário de aquecimento global. Para tanto, os espécimes foram expostos aos seguintes tratamentos (n = 8 animais/tratamento): CTR) água desclorada; PAR) água desclorada contendo PAR (40 µg L-1); MP) água desclorada contendo MP de fragmentos de garrafa PET (500 µg L-1); MIX) água desclorada contendo PAR em MP, em 40 e 500 µg L-1, respectivamente. Cada tratamento foi submetido às temperaturas de 24 e 28 °C no meio de exposição, por 24 e 96 h a fim de comparar qualitativamente as alterações nos diferentes tempos. Foi selecionada uma abordagem de múltiplos biomarcadores para uma avaliação integrada dos efeitos, a partir de análises de biotransformação, estresse oxidativo, neurotoxicidade, metabolismo energético e concentrações iônicas em diferentes tecidos. Os resultados indicaram que a temperatura e os tratamentos influenciaram o conjunto de biomarcadores de forma isolada, porém o efeito da interação entre esses fatores não foi significativo. Ainda assim, a influência da temperatura foi a mais expressiva. O aquecimento intensificou a redução do PAR na água, estimulou a atividade de enzimas antioxidantes e aumentou as concentrações iônicas. É possível afirmar que este cenário também influenciou a sensibilidade dos animais aos tratamentos, uma vez que as alterações induzidas pelos contaminantes ocorreram principalmente na exposição de 28 °C. A mistura dos contaminantes causou alterações diferentes das induzidas pelos tratamentos puros e apenas o biomarcador acetilcolinesterase foi afetado pela interação entre as variáveis. Assim, este trabalho reforça que o aquecimento pode influenciar uma espécie dulcícola e neotropical, alterar as dinâmicas entre contaminantes e os efeitos destes sobre organismos não-alvo

Descrição

Palavras-chave

Aquecimento global, Contaminantes de preocupação emergente, Água doce, Neotropical, Estresse oxidativo, Mexilhão de água doce, Acetaminofen, Microplásticos

Citação