Rabiscos de uma escrita sobre as margens: o IFMT como espaço de produção de conhecimento científico

Data

2025-12-12

Autores

Silva, Valter Cardoso da

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Resumo

Esta tese analisa como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso – IFMT, ao se instituir nas supostas margens do estado, configura-se como um espaço de mediações, disputas e apropriações do conhecimento científico por parte dos diversos segmentos sociais das comunidades nas quais está inserido. A ideia é refletir sobre tal processo, com ênfase nas fricções produzidas entre um modelo universalista e hegemônico de ciência e as estratégias de tradução cotidiana que os atores locais desenvolvem quando têm de conciliar suas funções institucionais com as atividades científicas em territórios considerados periféricos. As reflexões teóricas são desenvolvidas sob inspiração de autoras e autores identificados com o pensamento pós estruturalista, com os Estudos Culturais da Ciência, bem como com os Social Studies of Science. Para acessar o processo de ocupação do Mato Grosso e os impactos do agronegócio como modelo produtivo, recorreu-se, principalmente, à produção historiográfica do Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos da UFMT. A pesquisa, qualitativa e de natureza interpretativa, tomou de empréstimo algumas ferramentas teórico metodológicas das ciências sociais e da antropologia reflexiva. Por meio do trabalho de campo, realizado nos campi do IFMT localizados em Confresa, Alta Floresta, Sorriso, Juína e Pontes e Lacerda, foram ouvidos estudantes, técnicos administrativos e professores a partir de um roteiro de entrevistas semiestruturado. A escrita da tese, inspirada no movimento writing culture, buscou produzir um registro com caráter de trabalho em construção. Esse registro é aqui estrategicamente chamado de rabisco, como alegoria de um trabalho inacabado – sensível à complexidade de um território que não aceita a objetificação ou síntese superadora. A tese narra Mato Grosso como fronteira de expansão agrícola, mas também como agente privilegiado na promoção de fricções e ressignificações do projeto civilizatório moderno e técnico científico. O IFMT então se apresenta como um construto que se assemelha ao objeto de fronteira, já que materialmente é atravessado pela disputa de atores diversos que se apropriam de sua estrutura concreta e simbólica para a implementação de suas próprias agendas econômicas, culturais, sociais e políticas. A ciência que emerge na instituição é marcada por agenciamentos, tensões e entrelaçamentos produtivos entre pesquisadores, objetos e campos de investigação científica. Para além da lógica de produção da ciência moderna, surgem também neste espaço imbricações entre ciência avançada, práticas tradicionais e outros saberes. Diálogos inesperados que favorecem a eclosão de uma nova ecologia de conhecimentos

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Palavras-chave

Instituto Federal, Ciência, Margens, Estudos culturais da ciência, Ecologia de saberes, Ensino de ciências, Estudos culturais, Agronegócio, Conhecimento científico, Pós-estruturalismo

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