Perfil clínico, epidemiológico e laboratorial de pacientes adultos com COVID-19 admitidos em terapia intensiva no Hospital Universitário de Londrina - comparação entre a primeira e a segunda ondas da pandemia
Data
2024-06-12
Autores
Beraldo, Eduarda Gambini
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Resumo
Introdução: A pandemia da Doença por Coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo SARS-CoV-2, foi impactante sua elevada morbimortalidade. Estudar casos de pacientes com COVID-19 é de importância clínica e epidemiológica, pois permite entender as características progressivas da doença e fatores de gravidade. Objetivo: Analisar parâmetros clínicos, epidemiológicos e laboratoriais, admissionais e evolutivos, de casos de COVID-19 hospitalizados no Hospital Universitário de Londrina, em dois períodos, marcados pelas duas grandes ondas da pandemia. Materiais e métodos: Estudo descritivo, retrospectivo e transversal, no qual foram analisados pacientes maiores que 18 anos com diagnóstico confirmado de COVID-19, por RT-PCR ou teste de antígeno, admitidos em unidade de terapia intensiva em dois períodos, de abril a setembro de 2020 e de janeiro a junho de 2021. Foi conduzido um modelo de regressão logística em análise univariada para determinar fatores relacionados ao óbito por COVID-19. As variáveis com valor-p inferior a 0,1 foram selecionadas para o modelo múltiplo e determinou-se a Razão de Chances como fator de risco ou de proteção ao óbito, sendo considerado estatisticamente significativo p<0,05. Foi utilizado um Nomograma, calculadora gráfica para o cálculo de pontuação de probabilidade de óbito, de acordo com o modelo de regressão logística multivariado. Para a variável Infecção Relacionada a Assistência à Saúde (IRAS) foi aplicado um modelo de contagem de Poisson, para definir diferenças entre o número de IRAS nos dois períodos. Resultados: No primeiro período, idade avançada, hepatopatia, evolução com disfunção renal e necessidade de ventilação mecânica invasiva (VMI) foram preditores do óbito. No segundo período, idade avançada e necessidade de VMI também estiveram associados com maior chance de óbito, assim como hipoxemia à admissão e maior tempo até a admissão na UTI. Em contrapartida, no período 2, apresentaram menor chance de óbito, pacientes com o uso de cateter nasal de O2 (sem necessidade de VMI), ClCr > 50mg/dl após 7 dias de internação e o uso de dexametasona 6mg/dia. Quanto aos exames laboratoriais, níveis elevados de LDH à admissão no primeiro período e aumentos precoces nos níveis de proteína C reativa e D-Dímero no segundo período estiveram associados ao óbito. Evidenciamos o aumento no número de IRAS e de infecções por microrganismos multirresistentes, além de menor chance de uso de antibioticoterapia na admissão do paciente com COVID-19 no segundo período, comparado ao primeiro período. Conclusão: O presente trabalho pode auxiliar no manejo clínico e terapêutico dos pacientes com COVID-19, uma vez que identificou fatores associados ao óbito que podem ser utilizados como parâmetros prognósticos na condução de pacientes com a doença. Além disso, evidenciou o impacto da pandemia de COVID-19 nas taxas de infecções nosocomiais e de resistência antimicrobiana em um serviço de saúde terciário no Paraná.
Descrição
Palavras-chave
COVID-19, Epidemiologia, Antibióticos, Infecção Hospitalar, Resistência a Múltiplos Medicamentos, Fatores de risco, Ventilação mecânica, Resistência antimicrobiana