Efeitos analgésico e anti-inflamatório da Resolvina D5 (RvD5) no modelo de dor e inflamação induzido por carragenina em camundongos machos e fêmeas

Data

2024-08-06

Autores

Maximiano, Thaila Kawane Euflazio

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Resumo

A inflamação é uma resposta imediata causada por um agente agressor ou injúria tecidual. Mediadores químicos gerados durante o processo inflamatório agem sobre receptores específicos presentes nos neurônios nociceptivos primários, nociceptores, responsáveis pela detecção de estímulos dolorosos, promovendo dor. A Resolvina D5 (RvD5) é um mediador lipídico pró-resolução (MLPR) derivado do ácido docosahexaenóico, um metabólito do ômega 3, que apresenta propriedades analgésica, anti-inflamatória e antioxidante, no entanto, muito pouco se sabe sobre os mecanismos pelos quais a RvD5 promove seus efeitos. Este também é o primeiro MLPR em que se foi observado dimorfismo sexual. A carragenina, λ-carragenina, um polissacarídeo sulfatado derivado de algas marinhas vermelhas, é amplamente utilizada em modelos de dor e inflamação dada à sua resposta inflamatória aguda característica, com produção de mediadores pró-inflamatórios, recrutamento de leucócitos, principalmente neutrófilos, e produção de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio. Dito isso, esse projeto teve como objetivo avaliar o efeito analgésico e anti- inflamatório da RvD5 na dor e inflamação em dois modelos de dor e inflamação induzidos pelo estímulo de carragenina em camundongos machos e fêmeas. Para isso, camundongos Swiss machos e fêmeas foram tratados com RvD5 nas doses de 3, 10 e 30 nanogramas (ng) para determinação da melhor dose ou veículo via intraperitoneal, i.p., uma hora antes do estímulo de carragenina de 300 µg/ animal via intraplantar, i.pl. e 1 mg/ animal, i.p. Foram realizadas análises de hiperalgesia mecânica (von Frey), hiperalgesia térmica (placa quente e Hargreaves), edema, atividade das enzimas mieloperoxidase (MPO) e N-Acetil-b-d-Glucosaminidase (NAG) na pata de camundongos. Além disso, foi realizada contagem de leucócitos totais e perfil leucocitário e análise da produção de citocinas (interleucina (IL)-1ß, fator de necrose tumoral a (TNF-a), IL-6) em modelo de peritonite. Foi demonstrado que a RvD5 na dose de 10 ng por animal foi capaz de prevenir a indução de hiperalgesia mecânica e térmica em todos os pontos tempo avaliados. No que se refere ao efeito anti-inflamatório, a RvD5 na dose de 10 ng por animal foi capaz de prevenir a formação de edema em camundongos machos, mas não em fêmeas. RvD5 na dose 10 ng por animal foi capaz de prevenir a indução da atividade da enzima MPO em camundongos machos e fêmeas. Não houve alteração da atividade da enzima NAG em ambos os sexos. Também demonstramos que a RvD5 na dose de 10 ng por animal foi capaz de prevenir a migração de leucócitos totais, polimorfonucleares e mononucleares na cavidade peritoneal. RvD5 na dose de 10 ng por animal também foi capaz de prevenir a indução da produção de citocinas de uma forma sexo-dependente. Em camundongos machos, houve redução da produção de IL-1ß com a produção de TNF- a e IL-6 permanecendo inalteradas. Em fêmeas, houve redução da produção de TNF- a com a produção de IL-1ß e IL-6 permanecendo inalterada. Portanto, a RvD5 possui efeito analgésico e anti-inflamatório em modelos de dor e inflamação induzidos por carragenina por mecanismos distintos em machos e fêmeas, sendo a RvD5 uma droga promissora para o tratamento de doenças de cunho inflamatório

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Palavras-chave

Dor, Dor inflamatória, Nocicepção, Mediadores lipídicos pró-resolução, Dimorfismo sexual, Inflamação, Analgesia, Anti-inflamatórios, Citocinas, Nociceptores

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