Redes pessoais e a inserção de jovens no "mundo do crime": uma análise comparativa entre jovens envolvidos e não envolvidos com esse contexto

Data

2024-12-16

Autores

Gusmão, Franceline Priscila

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Resumo

Através da Análise de Redes Sociais (ARS) esta tese analisou comparativamente a dinâmica das redes pessoais de jovens que estão envolvidos ou não envolvidos com o “mundo do crime”. O estudo teve como objetivo explorar as características das redes pessoais de ambos os grupos para entender se contribuem para a dinâmica de participação ou não no “mundo do crime”. Os resultados sugerem que jovens não envolvidos com o “mundo do crime” possuem redes sociais mais diversificadas. Por outro lado, os jovens envolvidos com esse contexto possuem redes mais restritas à família e à vizinhança, com laços intensos e duradouros, o que favorece a adesão ao “mundo do crime”, caso o conteúdo circulante na rede esteja alinhado aos seus códigos e práticas sociais. A centralidade das figuras familiares também foi observada em ambos os grupos. Esse fato destaca a complexidade das relações familiares, que, mesmo sendo centrais no grupo dos jovens envolvidos, não são suficientes para afastar os jovens das influências do “mundo do crime”, uma vez que outros elementos nas redes sociais impactam os comportamentos desses jovens. Os resultados indicam que, quanto mais os contatos sociais se conhecem dentro da rede pessoal (densidade da rede) há mais facilidade na internalização de códigos e práticas sociais, sejam eles convencionais ou ligados ao “mundo do crime”. Isso provavelmente impacta a trajetória dos jovens envolvidos, pois o fato de muitos contatos se conhecerem promove a repetição de informações relacionadas ao universo do “mundo do crime”. A forte conexão entre os membros da rede torna mais difícil para o jovem envolvido com esse universo acessar novas perspectivas ou experiências que possam desafiá-los a adotar comportamentos diferentes. Já os jovens não envolvidos, mesmo inseridos em redes densas, mantém contato com diferentes esferas sociais promovendo acesso a informações e conhecimento que amplia suas expectativas e projetos pessoais. A homofilia por faixa etária (grupo de pares) foi mais forte entre os jovens envolvidos, enquanto os jovens não envolvidos apresentaram relações entre pares mais dispersas. Isso ocorre em razão das relações nos grupos de pares acontecerem dentro da vizinhança em que os jovens envolvidos residem, uma vez que circulam por poucos ambientes sociais, sendo mais comum o contato com a vizinhança e a família. Já os jovens não envolvidos possuem relações mais difusas com seus pares em razão de frequentarem diferentes ambientes sociais e em cada qual possuir um grupo de amigos. Além disso, a análise da força e da função das redes pessoais evidenciou que a força desses laços, definida pela frequência, duração e a indicação de pessoas associadas ao “mundo do crime” com as quais os jovens consideram um relacionamento forte, aumenta a exposição aos códigos e práticas sociais desse ambiente. A função da rede, que envolve apoio emocional e material, é crucial na internalização desses códigos, uma vez que tanto as redes convencionais quanto as redes dos jovens envolvidos com o “mundo do crime” oferecem suporte que fortalece os comportamentos associados a esses contextos

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Palavras-chave

Jovens, “Mundo do crime”, Redes pessoais, Força, Função, Redes sociais, Análise, Família, Vizinhança, Socialização

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