Trans-chalcona e calcipotriol na esquistossomose mansônica: avaliação dos efeitos antiparasitário e antifibrótico
Data
2025-08-29
Autores
Detoni, Mariana Barbosa
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Resumo
A esquistossomose é uma doença parasitária causada por trematódeos do gênero Schistosoma, cujas formas adultas habitam os vasos portais e mesentéricos do ser humano e as formas intermediárias se desenvolvem em moluscos gastrópodes. A fase aguda pode ser assintomática ou apresentar manifestações como febre, dor de cabeça e calafrios, podendo evoluir para a fase crônica, caracterizada por formação de inúmeros granulomas hepáticos ao redor dos ovos depositados nos tecidos, levando a fibrose, hipertensão portal e consequente morbidade. O tratamento baseia-se no uso do praziquantel (PZQ, pirazino-isoquinolina), eficiente apenas contra os vermes adultos. Assim, apesar de sua eficácia, apresenta limitação contra formas juvenis e na resposta granulomatosa, além de risco iminente de surgimento de cepas resistentes. Tendo em vista a magnitude de sua prevalência, a severidade das formas clínicas e ineficiência do tratamento contra formas imaturas e em casos crônicos, torna-se necessário a busca por novas alternativas terapêuticas. Neste contexto, o presente trabalho avaliou os efeitos da trans-Chalcona (TC), um flavonoide natural com amplo espectro de atividade biológica, e do calcipotriol (CP), um análogo sintético da vitamina D com propriedades antifibróticas, no contexto da esquistossomose experimental. In vitro TC demonstrou atividade esquistossomicida, principalmente contra formas juvenis de Schistosoma mansoni, induzindo alterações nos níveis de óxido nítrico, despolarização da membrana mitocondrial, danos ao tegumento e perda da integridade da membrana celular, comprometendo a oviposição. Em modelo murino de esquistossomose, o tratamento com TC reduziu a carga parasitária e o tamanho dos granulomas, promovendo regulação do perfil inflamatório. Além disso, TC apresentou baixa toxicidade em células saudáveis, reforçando seu potencial como agente terapêutico seguro e eficaz. CP, por sua vez, foi avaliado quanto à capacidade hepatoprotetora no modelo experimental. Embora não tenha apresentado ação direta sobre a carga parasitária, o tratamento com CP foi capaz de reduzir o estresse oxidativo e o infiltrado inflamatório hepático, resultando em diminuição dos granulomas e da deposição de colágeno. CP também demonstrou eficácia na modulação do perfil oxidativo em células estreladas hepáticas, com efeitos superiores ao PZQ. Os resultados obtidos indicam que TC possui potencial aplicação como fármaco esquistossomicida, enquanto o CP pode representar uma importante estratégia adjuvante para a proteção hepática em casos graves de esquistossomose. Em conjunto, os dados reforçam a importância do desenvolvimento de terapias combinadas ou complementares, capazes de atuar simultaneamente sobre S. mansoni e sobre os danos induzidos no hospedeiro, contribuindo para um tratamento mais eficaz e abrangente da esquistossomose
Descrição
Palavras-chave
Schistosoma mansoni, Chalconas, Vitamina D, Antifibrótico, Células estreladas hepáticas, Esquistossomose - Trans-Chalcona - Tratamento, Esquistossomose - calcipotriol - Tratamento