Efeito de terapias isoladas e combinadas com benzoiltiouréias, benznidazol e aspirina sobre o plexo mioentérico do esôfago de camundongos infectados cronicamente por Trypanosoma cruzi

Data

2024-10-31

Autores

Silva, Emanuel Perez Floro da

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Resumo

A doença de Chagas (DC), causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi (T. cruzi), é atualmente uma das doenças de maior impacto global. O curso clínico bifásico da DC (fase aguda e fase crônica) pode levar ao desenvolvimento da forma indeterminada, cardiodigestiva, cardíaca e digestiva. Esta última se caracteriza por dismotilidade do tubo digestivo devido à denervação do plexo mioentérico. O tratamento convencional utilizado é com Benzonidazol (BZ), o qual possui limitações e pode causar muitos efeitos adversos na fase crônica da doença, o que compromete a adesão ao tratamento. Assim, o desenvolvimento de novas terapias para o tratamento da DC se faz necessário. Recentemente, demonstrou-se em testes in vitro o efeito tripanocida de benzoiltioureias (BTU) sobre o T. cruzi. Outro fármaco que tem demonstrado ser promissor para tratar DC é o ácido acetilsalicílico (ASA), o qual em doses controladas reduz a produção de citocinas pró-inflamatórias, atenuando a denervação mioentérica observada na DC. Assim, este estudo objetivou avaliar o efeito do tratamento isolado e combinado de BZ, BTU e ASA sobre o plexo mioentérico de camundongos BALB/c infectados cronicamente com T. cruzi. Para tanto, dois grupos de animais machos, de 8 a 12 semanas de idade, foram formados: um que foi infectado com 5 × 10² formas tripomastigotas de T. cruzi (cepa Y) e o outro que permaneceu não infectado. Imediatamente após a infecção, os animais de cada grupo inicial foram separados em 16 grupos (n=5/grupo), sendo que um não recebeu nenhum tratamento (controle) e os demais foram tratados, via gavagem, com 25 mg/Kg de BZ, 25 mg/Kg de ASA, e/ou 12,5 de mg/Kg BTU de forma isolada ou combinada. Cada camundongo recebeu 0,1 mL de cada droga diluída em água potável. O grupo controle recebeu água potável autoclavada. Os tratamentos foram realizados durante as quatro primeiras semanas (fase aguda) após a infecção, e depois de 90 dias (fase crônica), foi feita a eutanásia, quando foram coletados os esôfagos, em sequência foram fixados em paraformoldeído (PFA) e divididos para a realização das análises histopatológicas de cortes transversais do esôfago corados em Hematoxilina e Eosina (H.E.) e imunofluorescência para visualização de neurônios que compõem o plexo mioentérico do esôfago. Ao total, 1600 fotos dos cortes em H.E., e 8000 dos preparados totais da camada muscular submetidos à técnica de imunofluorescência foram analisadas manualmente no software ImageJ e a análise estatística foi realizada utilizando o software R. As análises dos diferentes parâmetros avaliados, utilizando ferramentas do ImageJ, evidenciou que a infecção causou hipertrofia das camadas musculares, com aumento da espessura deste estrato e número de núcleos de células musculares por área, assim como causou denervação do plexo mioentérico, com hipertrofia das subpopulações neuronais (nitrérgicas e estimadamente colinérgicas). Os tratamentos em animais não infectados também demonstraram capacidade para alterar características das camadas musculares, como por exemplo os tratamentos que combinavam os fármacos que causaram hipertrofia da camada muscular longitudinal e, além disso, o tratamento com ASA, que chamou atenção por sua capacidade de aumentar o número de núcleos de células musculares do esôfago e hipertrofiar neurônios nitrérgicos. Em animais infectados, os tratamentos utilizando BZ isoladamente ou combinado com BTU demonstraram maior eficiência no controle das alterações das camadas musculares causadas pela infecção. E somando-se a isso, a terapia isolada BZ inibiu a hipertrofia dos neurônios nitrérgicos, o que não foi observado quando BTU foi combinada ao BZ. Conclui-se que, dentre os tratamentos avaliados, nenhum apresentou efeito completo de proteção a todas as alterações estruturais ocasionadas pela infecção crônica por T.cruzi no esôfago de camundongos, contudo os tratamentos isolados utilizando BZ ou utilizando ASA reduziram significativamente a hipertrofia neuronal colinérgica. A associação de BTU ao BZ demonstrou ser o tratamento mais eficiente para minimizar as alterações causadas pela infecção, preservando mais neurônios e reduzindo a hipertrofia muscular de ambas as camadas musculares do esôfago. Dessa maneira, há evidências que indicam que o estudo da associação de BTUs ao tratamento medicamentoso padrão da DC pode se tornar um protocolo com efeito desejado mais efetivo e com menores efeitos adversos

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Palavras-chave

Neurodegeneração entérica, Tripanossomíase americana, Sistema Nervoso Entérico, Agentes anti-T.cruzi, Ácido Acetilsalicílico, Doença de Chagas - Benzoiltioureias, Doença de Chagas (Trypanosoma cruzi) - tratamento isolado - aspirina - eficácia, Agentes tripanocidas - neurodegeneração entérica, Agentes tripanocidas - sistema nervoso entérico

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