A aporofobia e o design hostil no espaço público de Londrina-PR

Data

2026-07-02

Autores

Melim, Ana Maria Gomes

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Resumo

A pesquisa propõe investigar a relação entre os conceitos de Aporofobia e Design Hostil, com a finalidade de compreender como elementos utilizados pelo design hostil podem contribuir para a perpetuação da segregação social em espaços públicos urbanos. Considerando o conceito de Aporofobia - rejeição à pessoas em situação de pobreza - criado por Adela Cortina (2020), e sua materialização a partir de elementos do design e planejamento urbano, por meio da restrição do uso e permanência de grupos sociais específicos em determinados espaços, tais elementos – mesmo quando inseridos sob o pretexto de ordenação, segurança ou estética – podem reforçar desigualdades e naturalizar práticas de exclusão social no ambiente urbano. O objetivo da pesquisa consiste em verificar a presença e a distribuição desses elementos no centro de Londrina (PR), investigando suas características, funções e implicações para o uso, permanência e apropriação do espaço público pela população. Os objetivos específicos consistem em identificar, classificar e mapear os elementos urbanos associados ao design hostil na região central de Londrina, considerando suas características físicas, localização, função aparente e formas de restrição do uso do espaço público pela população. Com base nos princípios do direito à cidade, da inclusão social e da função pública dos espaços urbanos, pretende-se produzir um diagnóstico que contribua para o debate sobre políticas urbanas e a necessidade de produzir cidades mais inclusivas e acolhedores.O estudo de caso foi escolhido como estratégia metodológica, complementado por instrumentos de pesquisa (observação direta, registros fotográficos, mapeamento e diário de campo). A pesquisa possibilitou a identificação de elementos espaciais associados ao design hostil e presentes no centro de Londrina, evidenciando que essas estratégias se manifestam de forma difusa e seus efeitos restringem usos e dinâmicas de práticas cotidiadas da população, como sentar, escorar, repousar ou permanecer em um local por longos períodos. Nesse contexto, o design hostil se expressa como um mecanismo de controle socioespacial que, quando articulado à Aporofobia, contribui para a produção de ambientes excludentes, desencorajando usos e permanências não vinculados ao consumo. Em relação ao direito à cidade, o estudo problematiza como essas estratégias hierarquizam usuários e práticas urbanas que privilegiam a circulação rápida e proteção patrimonial em detrimento de formas mais inclusivas de vivenciar o espaço público. Destaca-se a necessidade de ampliar o debate sobre o tema, visto a real intencão por trás da adoção desses elementos, assim como a falta de legislações específicas sobre o tema, principalmente no Brasil, que possui até o momento a Lei nº 14.489/2022 – conhecida popularmente como Lei Padre Júlio Lancellotti.

Descrição

Palavras-chave

Aporofobia, Design Hostil, Direito à cidade, Arquitetura e sociedade, Planejamento urbano – aspectos sociais

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