Programas de preparação para aposentadoria e os efeitos na saúde dos trabalhadores
Data
2024-12-03
Autores
Pedro, Danielli Rafaeli Candido
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Resumo
O crescimento da expectativa de vida e o aumento do número de trabalhadores idosos destacam a relevância de programas de preparação para a aposentadoria, que tenham como objetivo não só a adaptação ao término da carreira, mas também a preservação da saúde e bem-estar. A teoria do estigma de Erving Goffman proporciona uma visão analítica relevante para compreender como esses estereótipos impactam a saúde dos trabalhadores. Destaca-se que a enfermagem do trabalho tem um papel crucial na promoção de programas de preparação para aposentadoria que levem em conta a saúde integral dos trabalhadores. Esta tese foi apresentada em três artigos, com os seguintes objetivos: 1) construir um protocolo de revisão sistemática para analisar as evidências científicas disponíveis na literatura sobre os efeitos dos programas de preparação para a aposentadoria na saúde dos trabalhadores; 2) analisar as evidências científicas disponíveis na literatura sobre os efeitos dos programas de preparação para a aposentadoria na saúde dos trabalhadores; 3) relacionar a Teoria do Estigma de Erving Goffman com os termos utilizados para se referir ao trabalhador idoso, velho ou da terceira idade. O primeiro estudo trata-se do protocolo de revisão sistemática da literatura, já o segundo estudo refere-se a revisão sistemática realizada. A busca foi realizada em abril de 2024, nas bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, Medical Literature Analysis and Retrieval System Online, Web Of Science, SCOPUS e Embase. O nível de evidência dos estudos incluídos foi estratificado em sete níveis. Foi considerado como critério de inclusão da revisão sistemática, todos os artigos publicados em periódicos científicos que descreveram os efeitos de programas de preparação para a aposentadoria em trabalhadores. Os critérios de exclusão foram: artigo completo não disponível na íntegra, estudos secundários, avaliações, qualitativos, cartas, opiniões pessoais, resumos de conferências, relatos de casos e, estudos que não respondessem à pergunta de pesquisa. Foram incluídos na revisão oito estudos, sendo publicados entre os anos de 1975 até 2018, que destacaram os benefícios dos programas de preparação para aposentadoria, especialmente em reduzir incertezas, promover planejamento financeiro e melhorar o bem-estar biopsicossocial. Programas de discussão em grupo mostraram maior eficácia, enquanto briefings individuais tiveram impacto limitado. Foi observada desigualdade de acesso aos programas e contribuiram para desmistificar preconceitos sobre a aposentadoria. Os efeitos de longo prazo foram menores, com lacunas na manutenção das melhorias após a transição. O terceiro estudo trata-se de um ensaio teórico-reflexivo, fundamentado na base sociológica da Teoria do Estigma de Erving Goffman. O estigma ligado ao envelhecimento no ambiente de trabalho é um elemento relevante no cenário da saúde ocupacional. Termos como "trabalhador velho" reforçam preconceitos que relacionam a idade avançada à queda na produtividade e capacidade. Este preconceito não só afeta a autoconfiança dos trabalhadores, como também diminui sua motivação. A busca de denominações adequadas não se trata de uma tentativa de camuflar os processos inerentes ao envelhecimento humano, mas sim um esforço em buscar a humanização nos ambientes de trabalho. A concepção negativa e a estigmatização são reforçadas por rótulos e categorização social, sendo crucial reconhecer e valorizar as experiências e habilidades adquiridas pelas pessoas, minimizando termos que possam contribuir para exclusão e estigmatização
Descrição
Palavras-chave
Trabalho, Aposentadoria, Saúde ocupacional, Enfermagem do trabalho, Trabalhador idoso, Envelhecimento, Saúde do trabalhador, Revisão sistemática