Temporalidade, memória e subjetivação: Bergson e Deleuze a partir do cinema

Data

2026-06-26

Autores

Vieira, Gabriel Gnann Belloni

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Resumo

Esta dissertação investiga a constituição da subjetividade a partir da filosofia do cinema de Gilles Deleuze, articulando-a com o bergsonismo que sustenta sua ontologia da imagem. Partindo da tese segundo a qual o tempo não é apenas tema do cinema, mas operador formal direto da imagem, o trabalho acompanha a passagem do regime sensório-motor da imagem-movimento à crise que engendra a imagem-tempo, quando a ação cede lugar a situações óticas e sonoras puras e o sujeito torna-se antes vidente do que agente. Nesse deslocamento, a memória – concebida, com Bergson, como coetaneidade do passado e como fundamento da duração – deixa de funcionar como simples faculdade psicológica e passa a operar como estrutura imanente do real e do próprio pensar. Com isso, a montagem interior e o “teatro mental” da imagem-tempo reconfiguram os critérios de verdade, abrindo o campo da potência do falso: não como relativismo, mas como produção de novas relações do verdadeiro sob condições temporais e narrativas não orgânicas. Ao final, argumenta-se que a subjetividade não precede as imagens, mas emerge como efeito das formas de temporalização que o cinema moderno põe em jogo, implicando uma ética da visão correspondente: uma aprendizagem do ver que exige novas maneiras de habitar o tempo, a memória e o mundo

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Palavras-chave

Cinema Filosofia, Imagem-tempo, Memória, Subjetividade, Potência do falso, Imagem-movimento

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