Asma em crianças e adolescentes: comparação entre instrumentos de avaliação do controle da doença e entre valores de referência de espirometria

dc.contributor.advisorPitta, Fábio de Oliveira
dc.contributor.authorAmorim, Claudio Luiz Castro Gomes de
dc.contributor.bancaHernandes, Nidia Aparecida
dc.contributor.bancaLinck Júnior, Arnildo
dc.contributor.bancaCerci Neto, Alcindo
dc.contributor.bancaSilva, Débora Carla Chong e
dc.contributor.coadvisorFurlanetto, Karina Couto
dc.coverage.extent71 p.
dc.coverage.spatialLondrina
dc.date.accessioned2026-08-28T16:51:45Z
dc.date.available2026-08-28T16:51:45Z
dc.date.issued2024-10-30
dc.description.abstractIntrodução: A asma é uma condição crônica que resulta em inflamação das vias aéreas inferiores, sendo uma das principais causas de morbidade em crianças em todo o mundo. No Brasil, a prevalência de asma entre crianças e adolescentes é elevada, com uma considerável subnotificação da doença. Diferentes questionários podem ser utilizados para avaliação do controle da asma, como a Global Initiative for Asthma (GINA) e o Teste de Controle da Asma (para crianças: Childhood Asthma Control Test [c-ACT] e para adolescentes: Asthma Control Test [ACT]). Ambos os questionários são amplamente utilizados, porém não se sabe até o momento se seus resultados são concordantes ou até mesmo intercambiáveis. Outra ferramenta muito utilizada na asma é a espirometria, um exame fundamental no diagnóstico e acompanhamento da doença, permitindo a avaliação da função pulmonar e a resposta ao tratamento. No entanto, equações de referência podem subestimar valores espirométricos e a gravidade da doença em crianças e adolescentes, o que pode levar a um manejo inadequado da asma. Objetivos: Esta tese teve como objetivos principais: 1) Investigar a concordância entre dois questionários clínicos utilizados para avaliar o nível de controle da asma (GINA e ACT/c-ACT); e comparar características clínicas, laboratoriais e espirométricas dos pacientes classificados como tendo asma controlada e não controlada de acordo com esses dois instrumentos; e 2) Comparar os valores espirométricos de crianças e adolescentes asmáticos brasileiros utilizando dois diferentes valores de referência, desenvolvidos por Jones et al. e Pereira et al., e avaliar a capacidade dessas fórmulas na diferenciação entre asma controlada e não controlada e na identificação de distúrbio espirométrico obstrutivo. Métodos: Setenta e seis pacientes com asma entre 6 e 14 anos de idade foram avaliados transversalmente no Ambulatório de Pneumologia Pediátrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A amostra foi composta por pacientes acompanhados no ambulatório supracitado entre maio de 2019 e agosto de 2023. Os critérios de inclusão envolviam o diagnóstico clínico de asma, uso corrente de corticosteroides inalatórios, estabilidade clínica e ausência de outras condições respiratórias. Foram aplicados os dois questionários para avaliação do controle da asma, além da avaliação espirométrica e realização de exames laboratoriais para análise de eosinofilia, imunoglobulina E (IgE) e vitamina D para caracterização da amostra. Resultados: A amostra contou com 38% meninas e teve mediana de idade de 10 (9-12) anos. Foram desenvolvidos dois estudos, de acordo com os objetivos da tese. No primeiro estudo, de acordo com GINA e ACT, respectivamente 42% e 20% apresentavam asma não controlada. Houve concordância moderada (Kappa=0,505, p<0,0001) entre os métodos. Na classificação de acordo com a GINA, indivíduos com asma não controlada apresentavam piores resultados nas variáveis dose diária do corticóide inalatório, gravidade da asma, presença de tabagismo passivo e parâmetros espirométricos. Por outro lado, não houve diferença significativa entre indivíduos classificados como tendo asma controlada ou não controlada de acordo com o ACT. Já no segundo estudo, os valores preditos por Pereira et al. foram significativamente menores para o VEF1, CVF e FEF25-75% em comparação aos de Jones et al. Ambas as fórmulas diferenciaram significativamente entre asma controlada e não controlada. No entanto, houve divergência importante no diagnóstico de distúrbio obstrutivo: 82% das crianças foram classificadas como obstrutivas por Jones et al. e 46% por Pereira et al. Conclusões: Em crianças e adolescentes brasileiros com asma, a concordância entre GINA e ACT foi moderada, enquanto a GINA identificou maior número de indivíduos com asma não controlada e, ao contrário do ACT, diferenciou pacientes não controlados dos controlados por meio de piores parâmetros clínicos e espirométricos. Tais resultados indicam que o questionário para avaliação do controle da asma tem o potencial de impactar diretamente em eventual subnotificação de asma não controlada, influenciando tanto a avaliação clínica quanto a terapêutica medicamentosa dos pacientes. Além disso, os valores de referência de Pereira et al. subestimaram os valores espirométricos e o diagnóstico de distúrbio obstrutivo em crianças asmáticas, o que pode subestimar a gravidade da doença e impactar negativamente o seu manejo clínico. Portanto, os valores de referência de Jones et al. se mostraram de fato mais adequados para a população pediátrica, ressaltando a necessidade de considerar-se as especificidades da população alvo na interpretação de resultados espirométricos
dc.description.abstractother1Introduction: Asthma is a chronic condition that results in inflammation of the lower airways and is one of the leading causes of morbidity in children worldwide. In Brazil, the prevalence of asthma among children and adolescents is high, with a considerable underreporting of the disease. Different questionnaires can be used to assess asthma control, such as the Global Initiative for Asthma (GINA) and the Asthma Control Test (for children: Childhood Asthma Control Test [c-ACT] and for adolescents: Asthma Control Test [ACT]). Both questionnaires are widely used, but it is not yet known whether their results are consistent or even interchangeable. Another commonly used tool in asthma management is spirometry, a vital test for the diagnosis and monitoring of the disease, allowing for the evaluation of lung function and response to treatment. However, reference equations may underestimate spirometric values and the severity of the disease in children and adolescents, potentially leading to inadequate asthma management. Objectives: The main objectives of this thesis were: 1) To investigate the agreement between two clinical questionnaires used to assess the level of asthma control (GINA and ACT/c-ACT); and to compare clinical, laboratory, and spirometric characteristics of patients classified as having controlled and non-controlled asthma according to these two instruments; and 2) To compare the spirometric values of Brazilian children and adolescents with asthma using two different reference values, developed by Jones et al. and Pereira et al., and to evaluate the ability of these equations to differentiate between controlled and non-controlled asthma and to identify obstructive spirometric disorder. Methods: Seventy-six patients with asthma aged 6 to 14 years were cross-sectionally evaluated at the Pediatric Pulmonology Outpatient Clinic of the State University of Londrina (UEL). The sample consisted of patients followed up at the aforementioned outpatient clinic between May 2019 and August 2023. Inclusion criteria involved a clinical diagnosis of asthma, current use of inhaled corticosteroids, clinical stability and the absence of other respiratory conditions. The two questionnaires were applied in order to assess asthma control, in addition to spirometric evaluation and laboratory tests to analyze eosinophilia, immunoglobulin E (IgE), and vitamin D for sample characterization. Results: The sample included 38% girls and had a median age of 10 (9-12) years. Two studies were developed according to the thesis objectives. In the first study, according to GINA and ACT, 42% and 20% of patients, respectively, had non-controlled asthma. There was moderate agreement (Kappa=0.505, p<0.0001) between the methods. In the GINA classification, individuals with non-controlled asthma had worse outcomes in variables such as daily inhaled corticosteroid dose, asthma severity, passive smoking, and spirometric parameters. On the other hand, there was no significant difference between individuals classified as having controlled or non-controlled asthma according to the ACT. In the second study, the predicted values by Pereira et al. were significantly lower for FEV1, FVC, and FEF25-75% compared to those of Jones et al. Both equations significantly differentiated between controlled and non-controlled asthma. However, there was significant divergence in the diagnosis of obstructive disorder: 82% of children were classified as obstructive by Jones et al. and 46% by Pereira et al. Conclusions: In Brazilian children and adolescents with asthma, the agreement between GINA and ACT was moderate, while GINA identified a higher number of individuals with non-controlled asthma and, unlike ACT, differentiated non-controlled from controlled patients through worse clinical and spirometric parameters. These results indicate that the chosen asthma control questionnaire has the potential to directly impact the possible underreporting of non-controlled asthma, influencing both clinical assessment and patient medication therapy. Additionally, the reference values by Pereira et al. underestimated spirometric values and the diagnosis of obstructive disorder in asthmatic children and adolescents, which may underestimate the severity of the disease and negatively impact its clinical management. Therefore, the reference values by Jones et al. were indeed more appropriate for the pediatric population, highlighting the need to consider the specificities of the target population in the interpretation of spirometric results
dc.identifier.urihttps://repositorio.uel.br/handle/123456789/19749
dc.language.isopor
dc.relation.departamentCCS - Departamento de Clínica Médica
dc.relation.institutionnameUniversidade Estadual de Londrina - UEL
dc.relation.ppgnamePrograma de Pós-Graduação em Ciências da Saúde
dc.subjectAsma
dc.subjectPediatria
dc.subjectQuestionário
dc.subjectTerapêutica
dc.subjectFunção pulmonar
dc.subjectEspirometria
dc.subjectValores de referência
dc.subjectValores normativos
dc.subjectCrianças e adolescentes
dc.subjectDiagnóstico
dc.subject.capesCiências da Saúde - Medicina
dc.subject.cnpqCiências da Saúde - Medicina
dc.subject.keywordsAsthma
dc.subject.keywordsPediatrics
dc.subject.keywordsQuestionnaire
dc.subject.keywordsTherapy
dc.subject.keywordsLung function
dc.subject.keywordsSpirometry
dc.subject.keywordsReference values
dc.subject.keywordsNormative values
dc.subject.keywordsChildren and teenagers
dc.subject.keywordsDiagnosis
dc.titleAsma em crianças e adolescentes: comparação entre instrumentos de avaliação do controle da doença e entre valores de referência de espirometria
dc.title.alternativeAsthma in children and adolescents: comparison between instruments for assessment of disease control and between reference values of spirometry
dc.typeTese
dcterms.educationLevelDoutorado
dcterms.provenanceCentro de Ciências da Saúde

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