Asma em crianças e adolescentes: comparação entre instrumentos de avaliação do controle da doença e entre valores de referência de espirometria
Data
2024-10-30
Autores
Amorim, Claudio Luiz Castro Gomes de
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Resumo
Introdução: A asma é uma condição crônica que resulta em inflamação das vias aéreas inferiores, sendo uma das principais causas de morbidade em crianças em todo o mundo. No Brasil, a prevalência de asma entre crianças e adolescentes é elevada, com uma considerável subnotificação da doença. Diferentes questionários podem ser utilizados para avaliação do controle da asma, como a Global Initiative for Asthma (GINA) e o Teste de Controle da Asma (para crianças: Childhood Asthma Control Test [c-ACT] e para adolescentes: Asthma Control Test [ACT]). Ambos os questionários são amplamente utilizados, porém não se sabe até o momento se seus resultados são concordantes ou até mesmo intercambiáveis. Outra ferramenta muito utilizada na asma é a espirometria, um exame fundamental no diagnóstico e acompanhamento da doença, permitindo a avaliação da função pulmonar e a resposta ao tratamento. No entanto, equações de referência podem subestimar valores espirométricos e a gravidade da doença em crianças e adolescentes, o que pode levar a um manejo inadequado da asma. Objetivos: Esta tese teve como objetivos principais: 1) Investigar a concordância entre dois questionários clínicos utilizados para avaliar o nível de controle da asma (GINA e ACT/c-ACT); e comparar características clínicas, laboratoriais e espirométricas dos pacientes classificados como tendo asma controlada e não controlada de acordo com esses dois instrumentos; e 2) Comparar os valores espirométricos de crianças e adolescentes asmáticos brasileiros utilizando dois diferentes valores de referência, desenvolvidos por Jones et al. e Pereira et al., e avaliar a capacidade dessas fórmulas na diferenciação entre asma controlada e não controlada e na identificação de distúrbio espirométrico obstrutivo. Métodos: Setenta e seis pacientes com asma entre 6 e 14 anos de idade foram avaliados transversalmente no Ambulatório de Pneumologia Pediátrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A amostra foi composta por pacientes acompanhados no ambulatório supracitado entre maio de 2019 e agosto de 2023. Os critérios de inclusão envolviam o diagnóstico clínico de asma, uso corrente de corticosteroides inalatórios, estabilidade clínica e ausência de outras condições respiratórias. Foram aplicados os dois questionários para avaliação do controle da asma, além da avaliação espirométrica e realização de exames laboratoriais para análise de eosinofilia, imunoglobulina E (IgE) e vitamina D para caracterização da amostra. Resultados: A amostra contou com 38% meninas e teve mediana de idade de 10 (9-12) anos. Foram desenvolvidos dois estudos, de acordo com os objetivos da tese. No primeiro estudo, de acordo com GINA e ACT, respectivamente 42% e 20% apresentavam asma não controlada. Houve concordância moderada (Kappa=0,505, p<0,0001) entre os métodos. Na classificação de acordo com a GINA, indivíduos com asma não controlada apresentavam piores resultados nas variáveis dose diária do corticóide inalatório, gravidade da asma, presença de tabagismo passivo e parâmetros espirométricos. Por outro lado, não houve diferença significativa entre indivíduos classificados como tendo asma controlada ou não controlada de acordo com o ACT. Já no segundo estudo, os valores preditos por Pereira et al. foram significativamente menores para o VEF1, CVF e FEF25-75% em comparação aos de Jones et al. Ambas as fórmulas diferenciaram significativamente entre asma controlada e não controlada. No entanto, houve divergência importante no diagnóstico de distúrbio obstrutivo: 82% das crianças foram classificadas como obstrutivas por Jones et al. e 46% por Pereira et al. Conclusões: Em crianças e adolescentes brasileiros com asma, a concordância entre GINA e ACT foi moderada, enquanto a GINA identificou maior número de indivíduos com asma não controlada e, ao contrário do ACT, diferenciou pacientes não controlados dos controlados por meio de piores parâmetros clínicos e espirométricos. Tais resultados indicam que o questionário para avaliação do controle da asma tem o potencial de impactar diretamente em eventual subnotificação de asma não controlada, influenciando tanto a avaliação clínica quanto a terapêutica medicamentosa dos pacientes. Além disso, os valores de referência de Pereira et al. subestimaram os valores espirométricos e o diagnóstico de distúrbio obstrutivo em crianças asmáticas, o que pode subestimar a gravidade da doença e impactar negativamente o seu manejo clínico. Portanto, os valores de referência de Jones et al. se mostraram de fato mais adequados para a população pediátrica, ressaltando a necessidade de considerar-se as especificidades da população alvo na interpretação de resultados espirométricos
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Palavras-chave
Asma, Pediatria, Questionário, Terapêutica, Função pulmonar, Espirometria, Valores de referência, Valores normativos, Crianças e adolescentes, Diagnóstico