Anatomia da flora poética decadentista-simbolista portuguesa e a anima vegetal de Camilo Pessanha
Data
2026-03-24
Autores
Fusco, Felipe Frasson
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
A presente tese rastreia a presença vegetal na poesia portuguesa finissecular. Tal percurso divide-se em duas partes. Na primeira, tomando por corpus as obras listadas por Pereira (1975) como pertencentes ao decadentismo-simbolismo português a que obtive acesso, recenseio as metáforas, comparações e personificações mais repetidas entre autores e obras diversas, demarcadas nas respectivas subdivisões do texto. Essas figuras fitotípicas apresentam escassas diferenças (apontadas quando é o caso). Disso se concluiu que, em geral, a flora é representada por um discurso altamente convencional no contexto em causa, fenômeno previsto por Frye (2013) e aproximável dos conceitos de topos (Curtius, 1979), lugar-comum e clichê (Riffaterre, 1973). Além de alguns temas esparsos, a representação do espaço, do tempo e da mulher compõem núcleos em torno dos quais esses tropos se estruturam. Em um segundo momento, defendo que Camilo Pessanha (1867-1926) se apropria de uma parcela dessas convenções – sobretudo, aquelas que mesclam a representação do espaço e da mulher à flora – emancipando-as linguística e epistemologicamente, contudo. Para além dos clichês, portanto. Assim, na segunda parte, recorta-se do corpus inicial o volume único de poemas de Pessanha, Clepsidra, em diálogo com sua edição crítica estabelecida por Franchetti (1994b), se lhe acrescentando ainda a correspondência pessoal (Pires, 2012) e prosas dispersas (Pires, 1992). Partindo, então, da Psicologia Arquetípica proposta por Jung (2014, 2013a, 2013b, 2013c), analiso a manifestação de um par arquetípico na escrita de Pessanha, a constelação Animus-Anima, em que, se o primeiro dá forma à abstração intelectual e individualista, o segundo manifesta a corporeidade pulsional e indistinta. Sendo a Anima representada frequentemente em figuras femininas e ligadas à vida vegetal, aponto o interesse do poeta nesse âmbito da psique, tanto na produção em prosa quanto na poesia. Tal interesse avulta tanto na escolha de temas em cima dos quais Pessanha escreve quanto em um esforço sintático e semântico por lhes conferir sua ambiguidade essencial, desfigurando as convenções vegetação-mulher anteriormente afirmadas e elaborando um fazer poético inovador
Descrição
Palavras-chave
Simbolismo-Decadentismo Português, Flora, Convenção, Camilo Pessanha, Anima, Poesia portuguesa, Simbolismo, Vegetação, Crítica literária, Arquétipos, Linguagem poética