Achados anatomopatológicos e contaminantes ambientais em aves marinhas encalhadas no litoral do Estado do Paraná

Data

2024-08-23

Autores

Matos, Andressa Maria Rorato Nascimento de

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Resumo

Há uma preocupação global com a conservação de animais marinhos. As aves encalhadas podem ser animais debilitados e com diversas enfermidades devido à poluição e degradação dos mares e das regiões costeiras. Esse cenário também facilita a dispersão de agentes infecciosos. As aves marinhas podem atuar como sentinelas ambientais, uma vez que estudos relacionados à sua biologia e medicina fornecem insights valiosos sobre a saúde dos ecossistemas oceânicos. Dentre as espécies sentinelas, Larus dominicanus, o gaivotão, se destaca pelos seus hábitos sinantrópico e oportunista. Objetivou-se com este trabalho (1) avaliar os achados microscópicos de aves marinhas encalhadas em óbito e verificar suas associações com os níveis detectados de elementos traços não essenciais (ETN) e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA); (2) avaliar os achados anatomopatológicos em Larus dominicanus encalhados, com ênfase na ocorrência de amiloidose e sua associação com infecções fúngicas. As aves marinhas utilizadas foram encontradas encalhadas no litoral do estado do Paraná e recolhidas pela equipe da Universidade Federal do Paraná (UFPR), executora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), programa requerido pelo órgão federal ambiental brasileiro, IBAMA, para o licenciamento ambiental da produção e do transporte de petróleo e gás do pré-sal pela Petrobras. Os resultados dos exames macroscópicos, microscópicos e dos contaminantes foram obtidos pelo acesso público ao Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática (SIMBA), uma plataforma integrada destinada a coleta, armazenamento de dados dos PMPs. No primeiro artigo, foram avaliadas as concentrações hepáticas de ETN (As, Cd, Hg e Pb) e de 16 HPA prioritários. Um total de 182 aves marinhas (58 residentes e 124 migratórias) encalhadas entre 2016 e 2021 foram submetidas a análises macroscópicas, histológicas e de ETN e HPA. Todas as aves avaliadas para ETN (n = 42) apresentaram concentrações detectáveis de Cd, Hg e As e 23 para Pb. Para HPA, 24% (42/175) apresentaram níveis detectáveis, sendo o naftaleno o composto mais frequente. Associações significativas foram observadas entre (1) hepatite, hiperplasia tireoidiana e fenantreno; (2) necrose muscular e As; e (3) hemossiderose hepática e HPA. O segundo artigo verificou as alterações em 77 gaivotões encalhados entre 2015 e 2019. As principais lesões foram granulomas nos pulmões e sacos aéreos (32/77), sendo observadas estruturas fúngicas em 26 desses animais. Do total de animais com infecção fúngica, 84,61% foram encontrados encalhados em óbito e 15,38% foram encontrados vivos e levados para reabilitação. Depósito de amiloide foi observado em 31 animais. Detectou-se associação significativa entre amiloidose e infecção fúngica. Naftaleno foi o mais frequente HPA encontrado (43.75%; 7/16). Cd, As e Hg foram detectados em todos os animais avaliados (8/8) e Pb foi encontrado em seis de um total de oito animais. Devido ao pequeno número de gaivotões avaliados para esses contaminantes, não foi possível verificar suas associações com alterações orgânicas. Os resultados indicam que, embora conduzido em uma região costeira que possui reservas da biosfera, o ambiente e as aves marinhas estão expostos a numerosos contaminantes emergentes e agentes infecciosos. Dessa forma, os estudos apresentaram o status da saúde de aves marinhas e sugerem o comprometimento também da saúde do ecossistema marinho, destacando a importância do monitoramento constante

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Palavras-chave

Animais marinhos, Contaminantes ambientais, Monitoramento, Patologia animal, Aves marinhas - patologia animal - Paraná, Aves marinhas - contaminantes ambientais - Paraná

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