“Neu-Danzig afundou e foi esquecida”: historiografia, memorialismo e o silenciamento de um projeto colonial no norte do Paraná (1931-1935)
Data
2026-02-26
Autores
Maestro, Wilson de Creddo
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Resumo
A região norte do Estado do Paraná passou por profundas transformações nas primeiras décadas do século XX, sobretudo a partir da atuação da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), empresa colonizadora de capital britânico responsável pela venda de lotes de terras e pela difusão de uma ampla campanha propagandística voltada à atração de migrantes e imigrantes. Nesse contexto de formação recente dos núcleos urbanos, consolidaram-se narrativas que buscavam legitimar o empreendimento colonizador, exaltando o ideal de progresso e contribuindo para a construção do chamado “mito do pioneiro”, no qual a proximidade com o passado fundacional passou a representar capital simbólico, prestígio social e poder local. É nessa conjuntura que se insere a presente pesquisa, voltada ao estudo da Colônia Neu Danzig, assentamento rural constituído por imigrantes oriundos da Cidade Livre de Danzig e localizado no atual município de Cambé/PR. O problema investigado, fundamentado na perspectiva de Michael Pollak (1989) acerca do silenciamento e das fronteiras da memória, questiona os motivos pelos quais a experiência histórica dos colonos danziguenses, especialmente em seus aspectos sensíveis, foi progressivamente apagada pela memória oficial local, tanto na historiografia tradicional quanto nos espaços públicos do município. Em vista disso, o objetivo central consiste em compreender os mecanismos e as motivações desse silenciamento por meio do confronto entre as narrativas de progresso e as impressões documentais da crise administrativa e econômica que levou à falência do empreendimento colonial. Parte-se da hipótese de que o apagamento dessas memórias ocorreu de forma deliberada, uma vez que o colapso do assentamento se mostrava incompatível com a narrativa legitimadora difundida pela CTNP e reproduzida pelas elites locais. A metodologia adotada fundamenta-se na análise de documentos inéditos relativos à crise da Colônia Neu Danzig, sobretudo aqueles inseridos no Fundo Oswald Nixdorf, sob guarda do Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade Estadual de Londrina, articulada a um balanço crítico da produção historiográfica acadêmica e memorialista. Conclui-se que o silenciamento da experiência danziguense operou como um mecanismo de proteção da ordem estabelecida, por meio do qual a exposição de memórias incômodas foi evitada em favor da preservação de uma ordem simbólica e discursiva associada ao progresso e à coesão social
Descrição
Palavras-chave
Colônia Neu Danzig, Memória, História Regional/Local, Silenciamento, Norte do Paraná