As mudanças climáticas podem alterar os potenciais efeitos subletais provocados pela exposição ao chumbo e ao zinco em um peixe neotropical?
Data
2026-02-12
Autores
Bezerra, Vanessa
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Resumo
O aumento da temperatura e da concentração de CO2 na atmosfera também causam impactos no ambiente aquático, resultando em um aumento da temperatura da água, maior dissolução de CO2 e acidificação. Porém, pouco se sabe sobre os efeitos da interação entre os contaminantes já presentes nos ecossistemas de água doce e essas alterações climáticas. Compreender os impactos dessa interação na saúde dos peixes pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes para a preservação da biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas. Desse modo, o objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos subletais provocados pelos metais chumbo (Pb) e zinco (Zn) em conjunto com o aumento da temperatura ou da concentração de CO2, utilizando o peixe Prochilodus lineatus em quatro experimentos de exposição. Ao final dos experimentos, foram coletadas amostras de sangue, plasma, brânquias, fígado, rim, músculo e cérebro. Esses tecidos foram utilizados para a análise de biomarcadores hematológicos, danos no DNA, glicemia, íons, enzimas de transporte iônico, defesas antioxidantes, peroxidação lipídica (LPO), concentração de metalotioneínas e atividade da acetilcolinesterase. No primeiro experimento, P. lineatus foi exposto por 48 h a diferentes temperaturas (25, 27 e 29 °C). Os animais expostos às duas temperaturas mais altas apresentaram principalmente aumento do número de eritrócitos e redução da LPO nas brânquias e no fígado. Isso indica que, em 48 h, P. lineatus apresenta apenas respostas pontuais frente às temperaturas testadas. No segundo experimento, os animais foram expostos por 72 h à 2 mg L-1 de Zn em temperatura ambiente (23°C) ou em combinação com um aumento gradual de 4°C. Os efeitos provocados pelo Zn foram semelhantes, independentemente da temperatura testada, resultando em alterações nas defesas antioxidantes, concentração de metalotioneínas e parâmetros plasmáticos. No terceiro experimento, P. lineatus foi exposto por 48 h à 1 mg L-1 de Pb em temperatura ambiente (24°C) ou em conjunto com um aumento de 4°C. O aumento da temperatura modificou as respostas da GST frente ao Pb, contudo, nos demais parâmetros os resultados foram semelhantes em ambos os grupos expostos ao metal. No último experimento, os peixes foram expostos por 48 h à 0,5 mg L-1 de Pb em duas concentrações de CO2 (aproximadamente 4 e 6 mg L-1). Os dois grupos expostos ao metal apresentaram alterações em biomarcadores de estresse oxidativo e em parâmetros hematológicos e plasmáticos. Contudo, foi observado aumento da atividade da anidrase carbônica apenas nos animais expostos ao Pb combinado à concentração de CO2 mais alta. Além disso, as alterações hematológicas causadas pelo Pb foram menos expressivas com a concentração de CO2 mais alta. Em conjunto, esses dados mostram que, em um curto período de exposição, P. lineatus é capaz de responder ao Pb e ao Zn, mesmo com as variações de temperatura e CO2 testadas
Descrição
Palavras-chave
Biomarcadores, Dióxido de carbono, Ecotoxicologia aquática, Aquecimento global, Prochilodus lineatus, Mudanças climáticas