Nanopartículas de prata biogênicas e sinvastatina: avaliação antifúngica e desenvolvimento de formulação contra Sporothrix brasiliensis e fungos de importância médica

Data

2025-06-17

Autores

Reis, Maria Gabriela Martins dos

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Resumo

O crescente número de casos de resistência fúngica às terapias convencionais tem impulsionado a busca por novas estratégias terapêuticas. Dentre as infecções fúngicas, a esporotricose destaca-se por sua ampla distribuição, crescente incidência e dificuldade de tratamento. Outras infecções fúngicas superficiais abordadas neste trabalho também têm despertado preocupação na saúde pública. O objetivo desse estudo consiste em produzir, caracterizar e avaliar a atividade antifúngica de nanopartículas de prata biogênicas e da sinvastatina frente a fungos causadores de infecções subcutâneas e superficiais, bem como desenvolver uma formulação dermatológica tópica voltada para uso veterinário. Neste estudo, avaliou-se a atividade antifúngica de nanopartículas de prata (AgNPs) sintetizadas a partir do fungo Lichtheimia ornata, bem como de AgNPs extraídas da catuaba, obtidas da empresa GRAL bioativos, além da sinvastatina (SIM), isolada e em combinação com as AgNPs, frente a espécies de importância clínica como Sporothrix brasiliensis, Malassezia pachydermatis. Trichophyton mentagrophytes, Microsporum canis e Nannizzia gypsea. Inicialmente, as AgNPs produzidas a partir de L. ornata foram caracterizadas por espectroscopia UV-Vis, FTIR, fluorescência de raios X por dispersão em energia (EDXRF), espalhamento dinâmico de luz (DLS) e potencial zeta, revelando tamanho médio de 70 nm, morfologia predominantemente esférica e estabilidade coloidal. A atividade antifúngica foi avaliada por microdiluição em caldo, determinando-se a concentração inibitória mínima (CIM), concentração fungicida mínima (CFM) e a interação entre compostos por meio do ensaio checkerboard. Os resultados demonstraram efeito sinérgico entre as AgNPs e a sinvastatina frente à maioria das espécies testadas. Adicionalmente, avaliou-se a ação dos compostos isolados sobre biofilmes previamente formados por S. brasiliensis e M. pachydermatis. Todos os tratamentos apresentaram eficácia, promovendo redução da viabilidade fúngica. As formulações tópicas desenvolvidas foram analisadas quanto à estabilidade físico-química e às características organolépticas, demonstrando-se adequadas para aplicação tópica. Após o desenvolvimento das formulações, realizou-se o ensaio de curva de crescimento e morte para avaliação da eficácia antifúngica ao longo do tempo. Dentre as formulações testadas, F5 (AgNP de L. ornata + sinvastatina) e F6 (AgNP de catuaba + sinvastatina) apresentaram os melhores resultados, mantendo a viabilidade fúngica reduzida durante o período de 48 horas. A formulação F6 apresentou desempenho superior, mantendo a carga fúngica de S. brasiliensis e M. pachydermatis praticamente indetectável em todos os tempos avaliados. Os dados obtidos indicam que a associação de AgNPs biogênicas com sinvastatina é uma estratégia promissora para o desenvolvimento de terapias antifúngicas tópicas voltadas ao controle de infecções fúngicas.

Descrição

Palavras-chave

Infecções fúngicas, Resistência microbiana, Nanotecnologia, Reposicionamento de fármacos, Formulação, Resistência antimicrobiana, Sinvastatina, Atividade antifúngica

Citação