Efeitos do desoxinivalenol e a-zearalenol em suínos: impactos sistêmicos e no trato reprodutivo
Data
2025-02-25
Autores
Balbo, Luciana de Carvalho
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Resumo
O desoxinivalenol (DON) e o a-zearalenol (a-ZOL) são metabólitos secundários produzidos por fungos que frequentemente contaminam cereais e induzem efeitos tóxicos em humanos e animais. Mesmo em baixos níveis, a contaminação compromete o desempenho dos suínos na fase de crescimento e terminação, além de afetar funções reprodutivas e imunológicas. A avaliação dos efeitos dessas micotoxinas, tanto isoladas quanto em combinação, é essencial para subsidiar estratégias de mitigação e definir limites seguros na legislação. Para esse fim, foram conduzidos dois estudos. O primeiro teve como objetivo investigar os múltiplos efeitos in vivo de uma curta exposição ao DON no limite máximo tolerável para a ração de suínos. Foram realizados dois experimentos nos quais leitões receberam dieta controle ou contaminada com DON em baixa concentração (0,83 mg/kg no primeiro experimento e 0,85 mg/kg no segundo) por três e duas semanas, respectivamente. No primeiro experimento, um grupo adicional recebeu 2,85 mg/kg de DON como controle positivo. Os efeitos do DON sobre os tecidos intestinais, hepáticos e esplênicos foram avaliados por meio de análises histológicas e qPCR de genes relacionados à resposta imune. Além disso, foram conduzidas análises bioquímicas e de proteínas de fase aguda no plasma. Lesões foram detectadas no intestino (jejuno e íleo), no fígado e no baço dos suínos expostos a ambas as concentrações de DON. A exposição a baixos níveis também afetou a expressão de genes ligados à integridade da barreira intestinal, à resposta imune no intestino e à função hepática. O segundo estudo avaliou os efeitos do DON, a-ZOL e sua associação em explantes de útero e ovário de suínos, utilizando um modelo ex vivo. Foram coletados oito úteros e ovários de porcas férteis em abatedouros, a partir dos quais foram obtidos explantes uterinos (8 mm) e ovarianos (6 mm). As amostras foram incubadas a 37°C em meio de cultura DMEM suplementado por 8 e 12 horas, respectivamente, e distribuídas nos seguintes grupos experimentais: Controle, a-ZOL (0,68 µM), DON (10 µM) e a-ZOL+DON (0,68 µM + 10 µM). Após a incubação, os explantes foram submetidos a análises histológicas e imuno-histoquímicas para avaliação da integridade folicular, apoptose (caspase-3), expressão de citocinas (IL-10, TNF-a), proteínas de junção celular (E-caderina), cicloxigenase-2 (COX-2), fator de crescimento endotelial vascular (VeGF) e receptores hormonais (E1 e P4). Além disso, foi realizada a análise de dano oxidativo. Nos explantes uterinos expostos às micotoxinas, observou-se descamação epitelial, edema intersticial, achatamento e apoptose do epitélio glandular. Nos explantes ovarianos, predominou a desorganização estrutural, com picnose das células da granulosa, redução do número de folículos viáveis e aumento da degeneração folicular. A exposição combinada a a-ZOL e DON reduziu a expressão de TNF-a, IL-10, E-caderina, VeGF e E1 no epitélio uterino, enquanto aumentou a expressão de caspase-3 no epitélio superficial. Nos ovários, a expressão de E1 foi reduzida nos oócitos e aumentada nas células da granulosa. Além disso, a combinação das micotoxinas comprometeu a capacidade antioxidante dos explantes uterinos e ovarianos. Os resultados indicam que ambos os órgãos são vulneráveis aos efeitos tóxicos do DON e a-ZOL e que a exposição combinada dessas micotoxinas potencializa os danos reprodutivos por um efeito sinérgico. O modelo ex vivo mostrou-se eficaz na avaliação da toxicidade reprodutiva dessas substâncias. Em suma, os dois estudos demonstram que o DON e o a-ZOL causam impactos negativos mesmo em doses abaixo dos limites máximos toleráveis estabelecidos pela legislação da União Europeia, sugerindo a necessidade de revisão desses valores para garantir a saúde dos suínos
Descrição
Palavras-chave
Ex Vivo, Micotoxina, Reprodução, Toxicologia, Histologia, Suínos, Nutrição animal, Reprodução animal