1, 2, 3, 4, 5, 1.000, Bolsonaro é o mito do Brasil? A (des)construção do mito salvador em charges anti-Bolsonaro

dc.contributor.advisorCordeiro, Isabel Cristina
dc.contributor.authorVieira, Isabela Rodrigues
dc.contributor.bancaKogawa, João Marcos Mateus
dc.contributor.bancaCardoso, Eveline Coelho
dc.contributor.bancaBorges, Maria Isabel
dc.contributor.bancaMachado, Rosemeri Passos Baltazar
dc.contributor.coadvisorRamos, Paulo Eduardo
dc.coverage.extent266 p.
dc.coverage.spatialLondrina
dc.date.accessioned2026-08-25T14:42:41Z
dc.date.available2026-08-25T14:42:41Z
dc.date.issued2026-04-29
dc.description.abstractResumo: Durante as eleições presidenciais de 2018, os apoiadores do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro passaram a chamá-lo de mito, como uma figura que pudesse salvar o Brasil, especificamente, do Partido dos Trabalhadores. Para a Análise do Discurso de linha francesa, nenhum processo discursivo é neutro, logo percebemos que há uma construção ideológica de como a figura de Bolsonaro é retratada pelo meio social, principalmente por parte de seus seguidores. Afinal, para eles, o mito é visto como messias, um ser salvacionista. Dessa forma notamos que há vestígios do ethos do discurso pastoral. Nesse viés, podemos trazer o conceito de Foucault (2014) sobre poder pastoral, o qual determina que o pastor deve conhecer o seu rebanho e se sacrificar por ele com o intuito de salvá-lo. Ao associarmos, por sua vez, esse conceito dado pelo autor, com o discurso proferido pelos apoiadores de Bolsonaro, desde o processo eleitoral de 2018, vemos que as instâncias ideológicas que atravessam a palavra mito se referem a essa ideia de poder pastoral. Charaudeau (2008) nos mostra que o ethos – imagem do sujeito dentro do meio social – pode ser dividido, basicamente, em uma identidade discursiva e uma identidade social. A social é, para o teórico, aquela em que o sujeito tenta a todo custo mascarar o seu discurso predominante, algo comum na política. Nesse contexto, os candidatos buscam convencer a população de que o seu discurso é o mais próximo da verdade. Para isso, acabam mascarando, forçando uma imagem que, nem sempre, é a que condiz com o seu discurso dominante, ou seja, com sua identidade discursiva. Atrelado a esses elementos, podemos relembrar o slogan de campanha de Bolsonaro, o qual unia o discurso religioso ao político: “Deus acima de tudo, Brasil acima de todos”. Dessa forma, podemos questionar: será que Bolsonaro compartilhava, de fato, com os dizeres cristãos ou apenas estava tentando vender uma imagem de messias? Será que essa imagem de salvador permaneceu durante todo o seu governo? Será que esse discurso foi o responsável por determinar o ethos de Bolsonaro como mito? Pensando nesses questionamentos, a presente tese tem como objetivo geral analisar como se dá a (des)construção do mito/do messias em charges brasileiras anti-Bolsonaro durante todo o processo de governo presidencial, entre 2018 e início de 2023, por meio das formações discursivas e ideológicas propostas pela Análise do Discurso de linha francesa. Como há muitas charges que foram publicadas ao longo desses cinco anos e meio, precisamos criar um processo metodológico a fim de delimitar o corpus. Assim, o nosso primeiro passo foi o de definir uma Formação Discursiva específica. Como foco da tese era o de analisar a convergência e a divergência do ethos de Bolsonaro, entendemos que seria relevante apresentar charges que fossem anti-Bolsonaro. Dessa maneira, o segundo passo foi o de restringi-lo um pouco mais. Logo, partimos de séries enunciativas que abordassem os discursos polêmicos que envolveram a imagem de Bolsonaro. Afinal, gostaríamos de entender se a imagem construída no período eleitoral se manteve a mesma após eleito. Ao todo, são quatro séries: Deus, pátria, família; Ele deu uma facada e girou; Pintou um clima; O 08 de janeiro se configura como um golpe de Estado? Eu acho que não. Para cada série, selecionamos quatro charges que não fossem do mesmo autor, pois queríamos diversos olhares para verificar o processo da materialização do discurso. Para isso, utilizamos Pêcheux (1988; 2014), Foucault (2014; 2016) e Courtine (2014) para refletirmos sobre os conceitos centrais da AD francesa; Barthes (2002) e Miguel (1998) para compreendermos a percepção de mito nos estudos da linguagem; Teixeira (2005) e Possenti (2018) para conceitualizamos o humor; Romualdo (2000), Riani-Costa (2001), Ramos (2016) e Miani (2023) para embasar a análise crítica dos quadrinhos; Charaudeau (2008), Maingueneau (2008) e Amossy (2015) para definirmos o ethos discursivo
dc.description.abstractother1Abstract: During the 2018 Brazilian presidential elections, supporters of former president Jair Messias Bolsonaro began referring to him as a “myth,” portraying him as a figure capable of saving Brazil, particularly from the Workers’ Party (Partido dos Trabalhadores). Within the framework of French Discourse Analysis, no discursive process is neutral; thus, it becomes evident that there is an ideological construction shaping how Bolsonaro’s figure is represented in the social sphere, especially by his followers. For them, the “myth” is perceived as a messianic, salvific being. In this sense, traces of the ethos of pastoral discourse can be identified. Drawing on Foucault’s (2014) concept of pastoral power—according to which the pastor must know his flock and sacrifice himself in order to save it—we argue that the ideological instances traversing the word “myth” in the discourse of Bolsonaro’s supporters since the 2018 electoral process evoke this notion of pastoral authority. Charaudeau (2008) posits that ethos—the image of the subject within the social sphere—may be broadly divided into discursive identity and social identity. The latter, according to the author, refers to the subject’s attempt to mask their predominant discourse, a common practice in political contexts. In this scenario, candidates seek to persuade the population that their discourse is the closest to truth. To do so, they often construct and project an image that does not necessarily correspond to their dominant discourse, that is, to their discursive identity. Closely related to these elements is Bolsonaro’s campaign slogan, which intertwined religious and political discourse: “God above all, Brazil above everyone.” This raises several questions: Did Bolsonaro genuinely share Christian principles, or was he merely attempting to construct and market a messianic image? Did this image of savior persist throughout his administration? Was this discourse responsible for shaping Bolsonaro’s ethos as a “myth”? In light of these questions, the general objective of this dissertation is To analyze how the myth/messiah is (de)constructed in Brazilian anti Bolsonaro political cartoons throughout the entire presidential term, from 2018 to early 2023, through the discursive and ideological formations proposed by the French tradition of Discourse Analysis. Given the large number of cartoons published over this five-and-a-half year period, it was necessary to establish a methodological procedure to delimit the corpus. The first step consisted of defining a specific Discursive Formation. Since the focus of the study is the convergence and divergence of Bolsonaro’s ethos, we selected cartoons explicitly critical of him. The second step involved further restricting the corpus by organizing it into enunciative series addressing controversial discourses associated with Bolsonaro’s public image. Our aim was to understand whether the image constructed during the electoral period remained consistent after his election. Four enunciative series were established: “God, fatherland, family”; “He stabbed and twisted”; “There was a vibe”; and “Is January 8 confgured as a coup d’état? I don’t think so.” For each series, four cartoons by different authors were selected in order to ensure diverse perspectives and to examine the processes through which discourse is materialized. The theoretical framework draws on Pêcheux (1988; 2014), Foucault (2014; 2016), and Courtine (2014) to discuss central concepts of French Discourse Analysis; Barthes (2002) and Miguel (1998) to address the notion of myth in language studies; Teixeira (2005) and Possenti (2018) to conceptualize humor; Romualdo (2000), Riani-Costa (2001), Ramos (2016), and Miani (2023) to ground the critical analysis of comics; and Charaudeau (2008), Maingueneau (2008), and Amossy (2015) to define discursive ethos
dc.identifier.urihttps://repositorio.uel.br/handle/123456789/19560
dc.language.isopor
dc.relation.departamentCLCH - Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas
dc.relation.institutionnameUniversidade Estadual de Londrina - UEL
dc.relation.ppgnamePrograma de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem
dc.subjectMito
dc.subjectBolsonarismo
dc.subjectMaterialização discursiva
dc.subjectDiscurso pastoral
dc.subjectCharge
dc.subjectBrasil
dc.subjectPresidente (2019-2022 : Bolsonaro)
dc.subjectAnálise do discurso
dc.subjectCharges políticas
dc.subject.capesLingüística, Letras e Artes - Lingüística
dc.subject.cnpqLingüística, Letras e Artes - Lingüística
dc.subject.keywordsMyth
dc.subject.keywordsBolsonarism
dc.subject.keywordsDiscursive materialization
dc.subject.keywordsPastoral discourse
dc.subject.keywordsPolitical cartoon
dc.subject.keywordsBrazil
dc.subject.keywordsPresident (2019-2022 : Bolsonaro)
dc.subject.keywordsDiscourse analysis
dc.subject.keywordsPolitical cartoons
dc.title1, 2, 3, 4, 5, 1.000, Bolsonaro é o mito do Brasil? A (des)construção do mito salvador em charges anti-Bolsonaro
dc.title.alternative1, 2, 3, 4, 5, 1.000, Is Bolsonaro Brazil’s myth? The (de)construction of the savior myth in anti-Bolsonaro political cartoons
dc.typeTese
dcterms.educationLevelDoutorado
dcterms.provenanceCentro de Letras e Ciências Humanas

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