1, 2, 3, 4, 5, 1.000, Bolsonaro é o mito do Brasil? A (des)construção do mito salvador em charges anti-Bolsonaro

Data

2026-04-29

Autores

Vieira, Isabela Rodrigues

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Resumo

Resumo: Durante as eleições presidenciais de 2018, os apoiadores do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro passaram a chamá-lo de mito, como uma figura que pudesse salvar o Brasil, especificamente, do Partido dos Trabalhadores. Para a Análise do Discurso de linha francesa, nenhum processo discursivo é neutro, logo percebemos que há uma construção ideológica de como a figura de Bolsonaro é retratada pelo meio social, principalmente por parte de seus seguidores. Afinal, para eles, o mito é visto como messias, um ser salvacionista. Dessa forma notamos que há vestígios do ethos do discurso pastoral. Nesse viés, podemos trazer o conceito de Foucault (2014) sobre poder pastoral, o qual determina que o pastor deve conhecer o seu rebanho e se sacrificar por ele com o intuito de salvá-lo. Ao associarmos, por sua vez, esse conceito dado pelo autor, com o discurso proferido pelos apoiadores de Bolsonaro, desde o processo eleitoral de 2018, vemos que as instâncias ideológicas que atravessam a palavra mito se referem a essa ideia de poder pastoral. Charaudeau (2008) nos mostra que o ethos – imagem do sujeito dentro do meio social – pode ser dividido, basicamente, em uma identidade discursiva e uma identidade social. A social é, para o teórico, aquela em que o sujeito tenta a todo custo mascarar o seu discurso predominante, algo comum na política. Nesse contexto, os candidatos buscam convencer a população de que o seu discurso é o mais próximo da verdade. Para isso, acabam mascarando, forçando uma imagem que, nem sempre, é a que condiz com o seu discurso dominante, ou seja, com sua identidade discursiva. Atrelado a esses elementos, podemos relembrar o slogan de campanha de Bolsonaro, o qual unia o discurso religioso ao político: “Deus acima de tudo, Brasil acima de todos”. Dessa forma, podemos questionar: será que Bolsonaro compartilhava, de fato, com os dizeres cristãos ou apenas estava tentando vender uma imagem de messias? Será que essa imagem de salvador permaneceu durante todo o seu governo? Será que esse discurso foi o responsável por determinar o ethos de Bolsonaro como mito? Pensando nesses questionamentos, a presente tese tem como objetivo geral analisar como se dá a (des)construção do mito/do messias em charges brasileiras anti-Bolsonaro durante todo o processo de governo presidencial, entre 2018 e início de 2023, por meio das formações discursivas e ideológicas propostas pela Análise do Discurso de linha francesa. Como há muitas charges que foram publicadas ao longo desses cinco anos e meio, precisamos criar um processo metodológico a fim de delimitar o corpus. Assim, o nosso primeiro passo foi o de definir uma Formação Discursiva específica. Como foco da tese era o de analisar a convergência e a divergência do ethos de Bolsonaro, entendemos que seria relevante apresentar charges que fossem anti-Bolsonaro. Dessa maneira, o segundo passo foi o de restringi-lo um pouco mais. Logo, partimos de séries enunciativas que abordassem os discursos polêmicos que envolveram a imagem de Bolsonaro. Afinal, gostaríamos de entender se a imagem construída no período eleitoral se manteve a mesma após eleito. Ao todo, são quatro séries: Deus, pátria, família; Ele deu uma facada e girou; Pintou um clima; O 08 de janeiro se configura como um golpe de Estado? Eu acho que não. Para cada série, selecionamos quatro charges que não fossem do mesmo autor, pois queríamos diversos olhares para verificar o processo da materialização do discurso. Para isso, utilizamos Pêcheux (1988; 2014), Foucault (2014; 2016) e Courtine (2014) para refletirmos sobre os conceitos centrais da AD francesa; Barthes (2002) e Miguel (1998) para compreendermos a percepção de mito nos estudos da linguagem; Teixeira (2005) e Possenti (2018) para conceitualizamos o humor; Romualdo (2000), Riani-Costa (2001), Ramos (2016) e Miani (2023) para embasar a análise crítica dos quadrinhos; Charaudeau (2008), Maingueneau (2008) e Amossy (2015) para definirmos o ethos discursivo

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Palavras-chave

Mito, Bolsonarismo, Materialização discursiva, Discurso pastoral, Charge, Brasil, Presidente (2019-2022 : Bolsonaro), Análise do discurso, Charges políticas

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