Araneísmo no norte do Paraná sob a ótica do centro de informação e assistência toxicológica do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina

Data

2025-08-28

Autores

Bonfim, Flávia Queren Cordeiro de

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Resumo

Introdução: O araneísmo representa um importante problema médico e epidemiológico, especialmente em regiões com alta incidência como o estado do Paraná. A compreensão do perfil epidemiológico dos acidentes por aranhas é fundamental para orientar ações de vigilância e manejo clínico eficaz. Objetivo: Analisar o panorama epidemiológico dos acidentes por aranhas nos municípios da 17ª Regional de Saúde do Paraná, com base em notificações ao CIATox-Londrina registradas no sistema DATATOX entre 2017 e 2023. Metodologia: Realizou-se um estudo epidemiológico transversal, com abordagem descritiva e analítica, a partir dos dados extraídos do DATATOX e do SINAN, utilizando-se os programas Microsoft Excel 2013 e IBM SPSS Statistics v.25.0, com cálculo de taxa de incidência, análise de sazonalidade, distribuição geográfica e associação entre variáveis sociodemográficas com uso do Odds Ratio, tendo como desfecho a gravidade do araneísmo. Resultados: O DATATOX registrou 1.304 notificações, superando o SINAN, com 1.286, observando-se queda durante a pandemia de COVID-19 com 149 casos em cada um dos anos de 2020 e 2021, e aumento de casos nos meses mais quentes, especialmente em dezembro (149 casos) e janeiro (174 casos), que juntos concentram 24,7% das ocorrências nesse período. O município de Londrina concentrou mais de 50% dos registros, sendo as vítimas majoritariamente homens (57,1%) brancos (67,2%), em idade economicamente ativa, com maior frequência nas faixas etárias de 20-39 anos (29,7%) e 40-59 anos (27,3%). O nível de escolaridade mais observado foi o ensino médio completo (31,4%). A maioria dos acidentes foi causada por aranhas do gênero Phoneutria (46,8%), com lesões principalmente em pés (31,8%) e mãos (27,3%). Em 36,2% dos casos, o atendimento médico ocorreu antes de três horas. Os sinais e sintomas mais frequentes foram dor (81%), hiperemia (35,5%) e edema (31,5%), com predomínio de casos leves (89,8%). Verificou-se divergência entre os casos que receberam soroterapia e os critérios clínicos estabelecidos, indicando falhas nos protocolos de atendimento. Conclusão: Este estudo evidenciou discrepâncias entre os registros do DATATOX e do SINAN, resultando em diferenças nas taxas de incidência dos municípios avaliados. A maior parte dos acidentes foi notificada em Londrina, com predomínio de casos envolvendo o gênero Phoneutria, diferentemente de outras regiões do país. Os dados sociodemográficos coletados fornecem subsídios importantes para aprimorar as ações de vigilância, prevenção e manejo clínico do araneísmo, considerando suas características sazonais, regionais e o perfil das populações mais vulneráveis. Além disso, o uso da soroterapia merece avaliação mais criteriosa, a fim de evitar sua aplicação inadequada ou desnecessária

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Palavras-chave

Picada de aranha, Acidentes, Sistemas de informação em saúde, Epidemiologia, Acidentes por aranhas, Araneísmo

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