Padrões epidemiológicos do escorpionismo no norte do Paraná: análise da 17ª Regional de Saúde com Ênfase em Londrina e Bela Vista do Paraíso (2017–2021)

Data

2026-03-16

Autores

Parizotto, Heloiza Lara

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Resumo

Introdução: O escorpionismo é um problema de saúde pública crescente no Brasil, porém a compreensão das variáveis clínicas e geográficas que determinam a gravidade dos acidentes em regiões específicas do Paraná ainda apresenta lacunas importantes que ainda carece de dados que otimizem as estratégias de manejo clínico e vigilância epidemiológica. Este estudo investiga o escorpionismo nos municípios da 17º regional do norte do Paraná, com ênfase em Londrina e Bela Vista do Paraíso, contextualizando a distribuição das espécies e os perfis de gravidade. Objetivo: O objetivo geral foi analisar as características clínico-epidemiológicas e os fatores associados à gravidade dos acidentes por escorpiões atendidos pelo CIATox-Londrina. Método: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo e analítico, com delineamento transversal, realizado com dados de prontuários do CIATox-Londrina e fichas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) referentes ao período de 2017 a 2021. A população consistiu em pacientes picados por escorpiões em Londrina. As variáveis analisadas incluíram aspectos epidemiológicos (incidência municipal, sazonalidade e zona de ocorrência), identificação do agente causador (espécie do escorpião) e perfil sociodemográfico (sexo e idade). Adicionalmente, foram investigadas variáveis clínicas e assistenciais, tais como o tempo decorrido até o atendimento, região anatômica da picada, manifestações clínicas e a classificação final de gravidade do acidente. Resultados: Quanto ao perfil epidemiológico, observou-se uma ligeira predominância de acidentes no sexo masculino em ambos os municípios (53,7% em Londrina e 57,3% em Bela Vista do Paraíso). A escolaridade apresentou uma variação significativa entre as localidades: enquanto em Londrina a maioria dos casos possuía o ensino médio completo (37,5%), em Bela Vista do Paraíso predominou o ensino fundamental incompleto (41,3%). Em relação à zona de ocorrência, os acidentes foram massivamente urbanos, representando 88,1% dos casos em Londrina e 74,7% em Bela Vista do Paraíso. Os resultados revelaram que a maioria dos casos foi classificada como leve, mas houve uma prevalência significativa de acidentes moderados e graves associados à espécie Tityus serrulatus (68,4% em Londrina) e, curiosamente, à presença de Tityus charreyronii em Bela Vista do Paraíso. registro inédito e a fixação do Tityus charreyronii em Bela Vista do Paraíso — espécie tipicamente descrita na região do Cerrado e sem relatos prévios no Paraná. Análise estatística identificou que o número de sinais e sintomas é um preditor de gravidade: pacientes com 4 ou mais sintomas em Londrina e 5 ou mais em Bela Vista do Paraíso apresentam risco elevado de evolução para quadros graves. As manifestações sistêmicas nos sistemas cardiovascular, neurológico e digestório foram os marcadores mais fortes de severidade. Conclusão: O estudo demonstra que o escorpionismo nos municípios analisados é um fenômeno marcadamente urbano e multissistêmico com variações na composição das espécies, como a coexistência da presença relevante do Tityus charreyronii em Bela Vista do Paraíso. A definição de pontos de cortes específicos para o número de sintomas – 4 para Londrina e 5 para Bela Vista do Paraíso – constitui um importante contributo prática desse trabalhando, oferecendo uma ferramenta preditiva para a identificação precoce de casos com potencial de gravidade. Sendo a monitorização dos sistemas cardiovascular, neurológico e digestório indispensável para prevenir desfechos críticos e otimizar a assistência

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Palavras-chave

Escorpionismo, Venenos de Escorpião, Epidemiologia descritiva, Sinais e sintomas, Picadas de Escorpião, Escorpião

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