Perdas de produtividade e econômicas decorrentes do complexo de enfezamento do milho no Paraná

Data

2025-02-25

Autores

Souza, Maria Beatriz Funari de

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Resumo

O complexo de enfezamento do milho (CEM) é composto pelas bacterioses enfezamento pálido e enfezamento vermelho e pelas viroses risca do milho e mosaico estriado do milho. Os patógenos são transmitidos pela cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) e podem levar a perdas de produtividade e consequentemente, econômicas. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar as perdas de produtividade associadas à ocorrência do CEM no estado do Paraná e estimar a perda econômica nos anos agrícolas de 2020/2021 e 2022/2023 em 423 propriedades de 131 municípios paranaenses. Para isso, foram coletadas e analisadas amostras de folhas de milho sintomáticas, submetidas a análises laboratoriais para confirmação dos patógenos Spiroplasma kunkelii, Candidatus Phytoplasma asteris e Maize rayado fino virus. Além disso, foram aplicados questionários a produtores de milho de primeira e de segunda safra. As perdas de produtividade e econômicas foram quantificadas comparando a produtividade esperada com a obtida, conforme declarado pelos produtores, e os valores econômicos foram estimados a partir do preço do milho em cada safra. A análise estatística foi realizada por meio do teste t para comparar a diferença entre a produtividade esperada e obtida. Os resultados indicaram que 78% das amostras foram positivas para pelo menos uma das doenças do CEM, com incidência em todas as seis regiões intermediárias do estado do Paraná, sendo mais prevalente nas regiões de Cascavel e de Maringá. As perdas de produtividade foram registradas em todas as safras e regiões analisadas, variando conforme a incidência da doença. Na segunda safra de 2020/2021, o Paraná apresentou perdas de 45,8%, com perdas econômicas estimadas em R$ 11,6 bilhões, período em que o preço do milho estava elevado devido à quebra de safra e à alta demanda internacional. Para a primeira safra de 2021/2022, as perdas de produtividade médias foram de 31,2%, com perdas econômicas de R$ 1,9 bilhão. Já na segunda safra de 2021/2022 e 2022/2023, as perdas de produtividade foram de 40,4% e 29,9%, resultando em perdas econômicas de R$ 9 bilhões e R$ 3,7 bilhões, respectivamente. A redução das perdas econômicas ao longo dos anos analisados está relacionada não apenas à variação na incidência das doenças do CEM e no aumento da produtividade, mas também à queda dos preços do milho, além de outros fatores, como condições climáticas e estratégias de manejo adotadas pelos produtores. Conclui-se que as doenças que compõem o CEM estão amplamente disseminadas no Paraná, com impactos tanto na primeira quanto na segunda safra. Embora as perdas econômicas tenham diminuído ao longo dos anos analisados, a persistência da doença e sua influência na produtividade reforçam a necessidade de estratégias eficazes de manejo para mitigar seus impactos e garantir a sustentabilidade da cultura

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Palavras-chave

Cigarrinha do milho, Dalbulus maidis, Impacto econômico, Zea mays, Milho - cigarrinha do milho, Cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) - impacto econômico

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