Diatomáceas continentais sob estresse climático: a influência do pH e da temperatura no crescimento de duas espécies tropicais
Data
2026-04-27
Autores
Santos, José Otávio Pagliari dos
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Resumo
Alterações nos habitats aquáticos têm sido observadas, causadas pelos diversos impactos ambientais no clima global com as altas emissões de gases do efeito estufa, sobretudo na temperatura e pH. Esses parâmetros influenciam em aspectos metabólicos dos organismos aquáticos, consequentemente na colonização, sobrevivência e seleção das espécies. As diatomáceas são um grupo de algas diverso, contribuem de forma significativa com a produção primária dos ambientes aquáticos, cadeias tróficas e ciclos biogeoquímicos. Dada a importância desses organismos para a dinâmica dos ecossistemas aquáticos continentais e a falta de estudos sobre os efeitos desses impactos, especialmente com espécies tropicais, o objetivo deste trabalho foi avaliar in vitro os efeitos do pH e temperatura sobre o crescimento de duas espécies de diatomáceas generalistas isoladas a partir de um ambiente tropical. A hipótese 1 foi: a taxa de crescimento populacional, em Nitzschia cf. palea e Gomphonema cf. parvulum, é menor quando exposta a pH e temperatura elevados, e a hipótese 2: alterações do pH, combinadas com o aumento de temperatura, modificam a concentração de Clorofila a (Chl a) de diatomáceas generalistas de ambientes de água doce tropical. Foi estruturado um experimento fatorial 3x3, em que ambos os táxons foram submetidos a diferentes combinações de pH (5,5; 7 e 9,2) e temperaturas (28 ºC, 30 ºC e 32 ºC), totalizando nove tratamentos distintos. Os experimentos tiveram duração de 25 dias, com seis amostragens em intervalos de 4 e 5 dias para avaliar a densidade celular, concentração de Chl a e taxa de crescimento máxima (µmáx). Nas análises estatísticas utilizamos Modelos Lineares Generalizados Mistos (GLMMs) para Chl a, e Modelo Linear Múltiplo (LM) seguido da Análise de Variância Fatorial Tipo III (ANOVA Tipo III) e teste de Tukey para comparação dos valores de µmáx entre os grupos. Nossos resultados demostraram que a temperatura é o principal componente de mudança de crescimento, mesmo em táxons generalistas, o efeito do pH foi detectado apenas na menor temperatura testada (28 ºC). A hipótese 1 foi parcialmente aceita apenas para Gomphonema cf. parvulum, e rejeitada pela indiferença dos valores µmáx demostrados por Nitzschia cf. palea nas condições experimentadas. A hipótese 2 foi parcialmente aceita pela resposta de ambas as espécies aos tratamentos na temperatura de 28 ºC. Nossos dados concordam com trabalhos similares em relação a outras espécies, e contribuem para a previsão dos impactos gerados pela poluição climática, e para o conhecimento da ecologia das espécies em relação aos parâmetros físico-químicos avaliados
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Palavras-chave
Mudanças Climáticas, Ecofisiologia, Cosmopolitas, Bacillariophyta, Autoecologia, Diatomácea